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A gente nem sempre tira 'ótimo' em todas as matérias.

14.3.18Taiany Araújo


Desde meus primeiros anos escolares eu sempre tirei notas boas, nem sempre eram 10, no entanto, o 8 era garantido. E isso foi uma constante até a 7º série do ensino fundamental, o que hoje seria 8º ano. Eu mudei de escola, e pela primeira vez minha matéria de língua estrangeira seria inglês, na escola antiga a 5º e 6º série tinham espanhol e as duas últimas inglês, mas nessa escola nova todos aprendiam inglês desde o começo. Ou seja, eu já cheguei atrasada.

Então não é surpreendente dizer que me senti extremamente perdida e insegura. O que me choca é perceber que mesmo depois de mais ou menos 12 anos, ainda é assim que me sinto com essa língua. Ao longo desse tempo eu comecei 3 cursos de inglês diferentes - não conclui nenhum por motivos de dinheiros, mas fiquei uns dois anos e meio em cada, se fizermos as contas, dá uma média de 7 a 8 anos tentando. Além disso, há várias dicas para se assimilar a língua de forma mais fácil, e apesar de ficar cada vez mais ansiosa e irritada com minha inaptidão, eu tentava. 

A discrepância nos meus boletins chegava a ser hilária, e desconfio, surpreendia até os professores, só que nunca foi tão impactante para mim quanto no último bimestre da 8º série. Eu coloquei na cabeça que ia para o ensino médio com as melhores notas, eu estava disposta a me superar, e consegui, a não ser em inglês. Acho que minha mãe tem guardado até hoje aquele papel com umas 10 notas O (que na época significava ótimo e era a maior nota que você podia tirar) e um R (regular, só não pior que I de insatisfatório) perdido no meio da minha conquista. Acho que foi nesse dia que percebi que em relação ao inglês eu ia viver dando um jeitinho, tentando, mas ciente da minha constante frustração.

Por fora, conformada. Por dentro, frustrada
Minha dificuldade para entender e porque não, apreciar o idioma inglês acabou por ajudar na construção da minha personalidade, e enquanto o mundo adolescente chorava ao som de My Chemical Romance, eu me voltei para Legião Urbana e os meninos todos de Brasília. Hoje tenho até dó dos meus amigos que me aturaram questionando nosso consumo desenfreado de coisas internacionais, a não valorização dos nossos artistas etc etc etc. Cheguei ao ponto de me recusar a falar algumas palavras que tinha uma tradução perfeitamente clara em português, mas que tínhamos nos habituado a falar em inglês. Acredito que melhorei um pouco nisso, ou talvez não. 

A bem da verdade, é que apesar de hoje eu viver um pouco melhor com essa língua - resiliência o nome - eu não aprendi a falar, ler ou entender o inglês. As coisas não ficaram mais fáceis, e ainda me sinto ansiosa, nervosa e burra quando alguém fala alguma coisa em inglês. Meus amigos são uns anjos e geralmente traduzem as coisas para mim, mas nesse ponto eu já to me sentindo a pessoa mais inapta do universo com um sorriso amarelo no rosto. 

Você poderia dizer "Taiany, levante a cabeça e continue tentando". Mas devo dizer que cansei, pelo menos por agora. O inglês é uma língua importante a se saber, e se eu for tentar mestrado um dia, precisarei dele, mas aceitei que a gente nem sempre consegue ter tudo ou tirar O em todas as matérias e tudo bem, ainda foi um feito enorme. O meu melhor enquanto estudante, se bem que meu TCC também arrasou. Contudo, em relação ao inglês, ainda é uma questão em aberto, e eu tenho que agradecer aos meus amigos que traduzem as coisas pra mim, e ao Google também.

VALEU GALERA


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2 comentários

  1. Amiga, e quando TODAS as suas notas começam a cair pois você perdeu o interesse?! :(

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    1. Ai complica mesmo :(

      Mas agora é descobrir quais seus novos interesses.

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