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Review: RuPaul's Drag Race Werq The World Tour

27.2.18Valentino Martins


Algumas das Drags de RuPaul's Drag Race vieram ao Brasil com a Werq The World Tour. Na última sexta feira, dia 23, elas se apresentaram no Teatro Bradesco no Rio de Janeiro e nós fomos lá pra vocês! Clica aqui pra saber mais desse bafo.

Antes da atração principal, as Drags de RuPaul, o espetáculo contou com três apresentações de Drag Queens locais. As quais foram respectivamente: Rebecca Foxx, Chloe Van Damme e Ravena Creole. O que é extremamente legal porque o discurso que é trago pela marca Rupaul é de sempre dar suporte as Drags locais, e eles fizeram isso. Deram um spotlight para três Queens brasileiras que são muito talentosas e, sinceramente, nem eu conhecia. Pra saber mais do trabalho de cada uma é só clicar sobre o nome que vai direto pro Instagram delas.

O show começa e cada uma das 7 drags (Kennedy, Peppermint, Kim Chi, Detox, Valentina, Violet e Shangela) sobem ao pouco ao lado de Michelle Visage com looks icônicos. Após isso, Michelle entra fazendo lip sync do lendário superhit da P!nk "Get The Party Started", onde imenda numa conversa falando sobre união na comunidade LGBT+, sobre dar suporte as Drags locais e sobre política; o que motivou todos a entonarem um esbravejante "Fora Temer! Fora temer!".

Sem mais delongas as apresentações começam. O espetáculo é muito diversificado e profissional, dividindo-se em duas partes. A primeira, Kennedy, trouxe funk e músicas farofas, além de sua apresentação excepcional. Peppermint, mulher trans, cantou, apelou pra comédia e até subir no colo de um dos expectadores subiu. Foi sem dúvida a que mais se comunicou com o público. Trazendo a cultura oriental e os joguinhos de luta, Kim Chi se apresentou e fez lip sync também de K-Pop. Detox, a mais "profissional", trouxe o sexo. Com uma peruca de plug ball, exalava tanta sensualidade que fiquei literalmente de boca aberta. A apresentação foi mais completa. Dança, check! Presença de palco, check! Lip sync, check! Efeitos visuais, check! Beleza, check! Apenas sensacional.


A segunda parte iniciou com a Valentina fazendo lip sync de músicas mexicanas com toda sua graça e esplendor. Foi lindo de ver, me lembrou muito a energia da Abuelita de One Day at Time. E, não vou mentir, Valentina é a drag mais bonita das que se apresentaram. Depois disso veio a winner, Violet Chachki. Ao som de Kylie Minogue, trouxe toda a elegância e poder do cabaré e da arte circense. Ainda que pequeno demais, foi uma das apresentações mais bonitas. Por fim, Shangela Laquifa entra cantando Rupaul e deixando o teatro no chão. Todos gritando e empolgados.

No meio disso tudo, Michelle Visage como anfitriã, hora ou outra aparecia trazendo algo. Antes da segunda parte ela escolheu quatro pessoas da plateia que tiveram que pôr uma piruca e fazer um "lip sync for their life". Outra parte do show, ela entrou cantando Besáme Mucho de Luís Miguel. Essa parte foi uma das que mais impressionou porque, nossa, ela canta. Canta muito e eu não esperava por isso. 

O evento foi bom e se tiver outro provavelmente irei novamente. O que mais me encantou foi a diversidade das apresentações. A gente começou na farofa, outra Queen e a gente tava na comédia, outra e estávamos dentro de um jogo, outra e estávamos numa realidade de libido e bdsm, outra estávamos deslumbrados com o esplendor mexicano, outra admirados pela elegância e sofisticação do bordel/circo e no fim envolvidos pela energia vibrante de outra Drag. Ver isso é muito legal, toda hora é uma energia e um estilo totalmente diferente se apresentando no palco. Outros dois pontos positivos que precisam de certa ênfase: dar visibilidade às Drags brasileiras (Chloe Van Damme, Ravena Creole e a Rebecca Foxx) e eles abraçarem e terem uma mulher trans (Peppermint) entre elas. 

O que poderia ser melhor: comunicação e espaço. Tudo bem que o estilo permitia essa falta de contato, mas a ausência de diálogo foi notada. Eu vi 8 celebridades e, basicamente, só cheguei a sentir a vibe da Michelle Visage e da Peppermint porque foram as únicas que falaram com o público. Não ouvi a voz da Kim Chi, da Violet, da Detox e da Valentina. Kennedy e Shangela no máximo falaram um "Hello, Rioo". O que é negativo porque parece que estamos vendo só robozinhos no palco, comunicação com o público é um dos elementos essenciais de qualquer espetáculo e... elas falharam nisso. 


O segundo ponto que não me agradou foi o momento de cada uma. Eu não sei se a estrutura foi precipitada, mas eu saí com a sensação de que poderia ser muito melhor. Você tinha grandes artistas, você tinha a expectativa, você tinha a qualidade de figurino e estilo, mas parece que não foi aproveitado. Violet Chachki, por exemplo, cantou uma música. Parece que ela entrou no palco, ficou 5 minutos e saiu, isto não é legal. Não é como se tivesse visto uma artista, mas um flash dela. Outro exemplo, a Shangela é uma das principais Drags da noite. Ela teve destaque e encerrou a noite, mas... novamente, parece que foi lá, ficou 5 minutos e se despediu. Infelizmente, isso eu não consegui engoli. O espetáculo não foi ruim, mas definitivamente poderia ter sido melhor desfrutado.

Todavia, vale a pena. O show foi bom e foi lindo. Shantay you stay.

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