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Runaways: uma série em que a diversidade já é canon

28.11.17Dana Martins


RUNAWAYS FINALMENTE ESTÁ AQUI! E como foi assistir os três primeiros episódios?

Primeiro, que eu só fui assistir 1, e assisti os 3, acho que isso diz muito. Mas a verdade é que eu ainda não tenho uma opinião formada. Pelo menos até agora tá 100% livre de ficar satisfazendo homem (problema que eu tive com séries recentes, Star Trek: Discovery e The Gifted). Até as coisas questionáveis que mostram eu sei que o objetivo é desconstruir porque eu li os quadrinhos.

Acho que Runaways é uma história bem apropriada pra o que a gente tá vivendo agora. É sobre romper com a própria família. É um grupo de jovens que descobrem que os pais, na verdade, são grandes vilões. Imagina descobrir que, sei lá, seu pai é o Coringa, ou o- o- estou tendo problemas em lembrar de vilões que sejam vilões mesmo hoje em dia. Mas eles descobrem que não só seus pais são os vilões, como que são os herdeiros. Então tem aquela temática de: você vai seguir o passo dos seus pais ou usar os seus poderes pra o bem?

E o próprio nome já diz: Fugitivos. Eles metem o pé e encontram uns nos outros a nova família. E desde uns 10 anos atrás, quando foi lançado na Marvel, Runaways já era diferente porque é um time de super-heróis com maioria de mulheres. Na série eles foram até além, fazendo duas personagens latinas (interpretadas por atrizes latinas), e a única garota branca é gay. 

Eu adoro a atriz que faz a Gert, acompanho ela desde One Day At Atime, mas acho que eles vacilaram muito em arranjar uma atriz magra. Nesses momentos a gente vê o tamanho da gordofobia. Pior que eles nem assumem isso, eles enfiam um monte de roupa larga na garota e filmam na maior parte do tempo de um modo que ela parece mais gorda. Eu só consigo pensar o quão seria mais poderoso ver uma garota gorda com um dinossauro, e o quão poderoso é o romance Gert/Chase como é nos quadrinhos: a menina nerd gorda que fica com o cara popular bonitão, sem ter que mudar quem ela é. 

Enfim, um time de super-heróis adolescentes com 4 garotas pra 2 caras. E a escrita parece que tá levando essa perspectiva em frente e teve até comentário de objetificação. 

Até agora não tem muito o que falar porque esses 3 episódios foram bastante introdução, eu tô esperando pra ver como vai ser mesmo. Acho que pegar o ritmo foi o que eu mais senti falta. Foi legal de assistir, e hoje tô com o coração quentinho pensando e querendo mais. Só que também não foi AQUELA SÉRIE QUE ME DEIXOU LOUCA - mas como eu disse, são só 3 eps até agora. Amo Little Witch Academia e no ínico nem tava gostando. 

Além disso, uma parte maravilhosa foi ver o quão parecido com os quadrinhos ficou, chega a ser chocante. Tô feliz com isso. Ao mesmo tempo, meu cérebro tá meio confuso porque eu li faz mais de 6 anos esse quadrinho, então é uma mistura de: coisa que eu lembro, coisa que eu não lembro, coisa que tá diferente mesmo.

Uma das mudanças mais marcantes pra mim foi com os pais. Enquanto nos quadrinhos eram casais certinhos onde cada casal tinha os poderes, na série Runaways parece que eles escolherem um dos pais pra carregar a família. A mãe da Nico é quem tem os poderes, o pai do Chase que é lá um gênio. Os dois pais da Gert é que são lá os cientistas. (e pareceu que eles deram o poder dos pais da Gert pra o pai do Chase??? Não sei, a série ainda não deixou claro o que tá acontecendo, mas deu essa impressão) Confesso que não gostei dessa divisão, mas entendo a razão da mudança: a série tá aprofundando muito mais os pais. 

A gente tá recebendo um contexto maior, eles tão criando base pra intrigas no futuro e humanizando. Não lembro de nenhum pai ter drama nos quadrinhos. (posso ter esquecido né, mas acho que não) De qualquer modo, isso faz sentido porque quem os pais são é o que cada uma vai herdar, então é uma forma de conhecer os próprios personagens. E as possibilidades dramáticas que isso vai causar quando os filhos precisarem enfrentar são bem mais interessantes.

Então de um lado, os pais vilões tentando manter um negócio sinistro, do outro, os filhos tentando descobrir enquanto eles mesmos descobrem os próprios poderes. Eu imagino que a S1 deve terminar com eles quebrando de uma vez por todas o laço com os pais e, de fato, se tornando os Fugitivos.


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partezinha com spoiler

E teve aquele quase estupro que rolou?? Eu achei legal porque mostrou como é pra reagir se fazem isso, mas sei lá. Ainda mais disso ter acontecido com a Karolina. Não gostei, não. 

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A série Runaways (Fugitivos) é uma história de super-heróis com alienígenas, viagem no tempo, gênios, dinossauros ao mesmo tempo que é um high school com jovens tentando achar seu lugar no mundo, lidando com traumas, romances e outros conflitos próprios. Um pouco a pegada que o filme recente do Power Rangers teve. 

Estou cansada de ver o Gregg Sulkin em cima das garotas gays, mas nessa série eu sei que a Karolina não tá nem aí e que a sexualidade dela é canon, vai ser desenvolvida e eles não vão ficar juntos. Acho que esse é o mais relaxante sobre Runaways: não é uma representatividade "encaixada" ali agora e a gente não sabe se vão ter a "boa vontade" fazer assim, nos quadrinhos já era tudo assim. Em Runaways a diversidade já era canon.

achei um post que me descreve assistindo Runaways


Então recomendo assistir. Quero que essa série vá bem. Espero que fique ainda melhor. Não vejo a hora de ver os personagens mais juntos, vivendo e fazendo as coisas. 

Runaways é uma série do Hulu (tipo Netflix) e sai episódio às terças. Também indico ler os quadrinhos - tanto os primeiros, lá de 2003, quanto os novos que começaram a sair esse ano (2017) escritos pela Rainbow Rowell (sim, ela mesma!) e desenhados pelo Kris Anka. Essa já mostra eles na faculdade. 



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