Carol Cardozo CCIndicação

Notas Brasileiras #36 - Fábio de Carvalho

19.10.17Carol Cardozo



Fábio de Carvalho é um cantor de Minas Gerais, da chamada Geração Perdida. Ele tem um cd (Tudo em Vão) e um lp (Sonho de Cachorro) lançados. Além da carreira solo, ele agora faz parte da formação nova da El Toro Fuerte.

Se você já leu algum post meu do Notas Brasileiras, sobre a playlist que eu conheci várias bandas, etc etc, ok, cê tá cansado de ler isso, né? Também conheci o Fàbio por lá, mas por algum motivo nunca tinha parado pra ouvir nada dele (A não ser a música na playlist, "Canto I", do seu cd Tudo em Vão).

Até que no mês passado, teve um show da El Toro Fuerte, gorduratrans e do Fábio de Carvalho aqui no Rio. Como acompanhava a El Toro há alguns meses e nunca tive oportunidade de ver um show deles, porque eles são de BH, fiquei animada e fui no show. Foi ótimo, maravilhoso, incrível, insira vários outros adjetivos desse tipo aqui. Depois que saí do show, no ônibus, bateu aquele sentimento bem no fundo...

right in the feels

No dia seguinte, de madrugada, naquele tempo em que você deita e pensa sobre várias coisas antes de pegar no sono de fato, me vi relembrando o show (que foi muito especial pra mim também por ter conseguido assistir o El Toro Fuerte ao vivo, que é, dessa leva de bandas novas que tenho escutado, provavelmente a minha favorita). E, se eu pudesse escolher só uma palavra pra resumir o que foi o show do Fábio, eu definitivamente usaria "catártico".

Algumas pessoas podem dizer "esse cara é doido", mas ao ver seus gritos, seus versos cantados de olhos fechados (alguns momentos com seus olhos rolando pra trás), mas quem gosta de música sabe que ali está alguém que verdadeiramente ama o que faz. Ele no meio das pessoas, antes do show, pode até passar despercebido. Um cara baixo, de óculos. Mas quando ele sobe no palco, fica gigante, todo mundo presta atenção nele (e essa metáfora combinando com a foto de capa da matéria é super acidental, juro).

Depois do show eu perguntei se ele toparia ser entrevistado pro Notas, e ele aceitou, yay! Aqui vão as respostas dele:

1 - Como você definiria sua música para alguém que nunca ouviu?
Minha música parte de referências ao meu cotidiano, mistura experiências pessoais com as de outras pessoas, e inventa situações também. Tem muitas rupturas nas musicas, de uma passagem sonora pra outra, uma coisa de colagem mesmo. Devo muito a referências do punk, no descompromisso com uma única sonoridade, foi daí que puxei essa liberdade de atirar pra todos os lados.

2 - Dentre as suas músicas, qual sua favorita? 
"Sobre uma festa" é uma das minhas favoritas pela pura energia de tocar ela, é uma coisa muito gratificante. Gosto muito de "Ver e Ser Visto" também, amo o que eu, Bones e Sentidor fizemos nela. A letra também é muito especial pra mim, foi um experimento muito feliz.


3 - Como você começou/ se descobriu como cantor?
Eu me descobri como cantor a partir do momento que eu precisei cantar pra gravar meu disco. Muitas das musicas do Tudo em Vão não haviam sido cantadas por inteiro até a hora específica de gravar os vocais. Depois disso eu comecei a explorar outras possibilidades, e hoje em dia voz é uma das coisas que mais me chama atenção na musica. 

4- Como acontece o contato para as parcerias/participações especiais? 
Eu chego pra fulano e digo: e aí, bora fazer isso junto? Aí se a pessoa se interessar tá perfeito. Eu gosto de conversar um pouco sobre as ideias por trás da participação, e até hoje todas rolaram muito naturalmente na hora da gravação.

5 - Como foi o processo de definir a sua identidade sonora? 
 É um processo que nunca vai acabar, aí eu tô sempre passando por dúvidas sobre o que eu quero fazer. Daí talvez minha vontade de demorar um pouco mais pra lançar meu terceiro disco, pra ver quanto as coisas podem mudar. Eu fico muito animado com a possibilidade de surpreender as pessoas com um próximo lançamento, em termos de temáticas e sonoridades. Não acho que isso rolou tanto do Tudo em Vão pro Sonho de Cachorro. Espero que no próximo eu consiga.


6 - Uma lembrança querida da carreira? 
Quando estava numa praia em Natal, voltando depois de um dos dias mais felizes da minha vida. Conversando com amigos ali mesmo a gente decidiu o título do segundo disco da El Toro Fuerte. Eu soltei o nome assim despretensiosamente e acabou colando. Foi uma coisa linda aquela viagem toda, mas esse momento eu vou guardar pra sempre

7 - Qual você acha que é a maior dificuldade do cenário musical brasileiro atualmente?
Dinheiro/empresariado/delírios de cena/todos querem se fazer ouvir e ninguém quer escutar/orgulho. Cada uma dessas coisas aí pode ser um eixo interessante pra discussão da musica brasileira atual.

8 - Uma banda nacional que você acha que todos deveriam ouvir?
Negro Leo. Lançou um dos melhores desse ano pra mim!


***

Você pode acompanhar mais o Fábio de Carvalho pelo Facebook e Twitter, e ouvir as músicas dele no Bandcamp e Spotify.

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