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[Resenha] Your Name: Kimi no Na wa

18.8.17Dana Martins


Sabe, eu normalmente assisto as coisas por causa de uma coisa chamada: deu vontade. Mas não é só vontade, é tipo eu vivendo minha vida por aí e de repente eu bato os olhos em uma capa e sou atingida por um raio de ansiedade do tipo EU QUERO ISSO. Foi o que aconteceu com o filme Kimi no Na Wa, ou "Your Name".


Na hora eu nem sabia o que nem sobre o que era, o que é melhor ainda. Só que logo descobri um detalhe: não tinha lançado ainda. E daí até ser lançado, cruzar o mundo através da internet em qualidade e eu ter pra ver, levou SÉCULOS. Ou pelo menos mais de um ano no tempo real.


Your Name / Kimi no Na wa é um filme sobre um garoto e uma garota que durante a passagem de um cometa trocam de corpo. Ela, uma garota que vive numa cidadezinha de fim de mundo, realiza o seu sonho de ser um garoto em plena Tokyo. Ele tem a chance de conhecer mais sobre as tradições do povo e lenda.
Kimi no Na wa acompanha os dois tentando entender o que tá acontecendo, depois se ajudando e descobrindo o mundo até que... bem, você vai ter que assistir pra saber.

Curiosamente, eu não esqueci de Your Name ao longo desse ano. O que é curioso, já que a minha maior preocupação era justamente esquecer porque eu não acompanho nada que envolva anime ou sei lá, ou seja, não ia nem saber quando tava disponível.

MAS A SORTE ESTAVA A MEU FAVOR. Deus (ou a Rebeca) me indicou um site e por acaso quando eu estava lá procurando algo pra assistir, Your Name apareceu. Assim, de mãos beijadas, em qualidade, só me esperando.



Agora, a segunda coisa que você precisa saber é que eu tenho estado numa bad cultural, tá difícil encontrar coisas que realmente me animem. Existem filmes ok. Filmes como o da Mulher Maravilha que fazem a chorar por essa conquista. E em séries, recentemente eu assiste Westworld que eu gostei MUITO e The Bold Type está salvando minha vida semanalmente. Agora...

Ainda tá tendo muito espaço vazio pra preencher minhas necessidades culturais. HAUHA Ultimamente estou desenvolvendo a técnica de Assistir Fazendo Outra Coisa, porque tá tudo tão chato que eu fico entediada. Essa semana, por exemplo, eu cheguei a esquecer que tava assistindo a série no meio do episódio. Isso eu sozinha no quarto escuro em frente a TV. 

Não sei se vocês têm o costume de ser mal amado assim pelo que assistem, mas eu não. EU QUERO ME ENTREGAR, VIAJAR, ESQUECER DA REALIDADE, AMAR OU ODIAR OU SEJA LÁ O QUE FOR. Eu só quero uma história tão boa que me faça esquecer que é uma história e que alguma coisa além disso importa.

Entra Your Name.

Confesso que a ideia deles trocarem de corpo e umas coisas que eu ouvi falando de "drama triste" não me animaram muito, só que aquela faísca inicial que o pôster me deu era o suficiente pra me fazer ir em frente em um mar de "nope, nope, nope."

E acaba que é muito divertido. E não intencionalmente bem gay.

Eu não sei exatamente com discutir gênero e sexualidade quando envolve troca de corpo literalmente, eu fico assim só de pensar:



Só que eu ainda tô com preguiça de fazer os cálculos.

Agora, o que nós temos é uma garota que diz "Eu quero ser um garoto que vive em Tokyo na próxima vida!" e aí quando ela tá no corpo dele, ela conhece outra garota que se interessa por ele dizendo "eu não sabia que você tinha um lado feminino" - e fica claro que ela não tem o menor interesse por ele, tanto que as coisas desandam quando o garoto tá no próprio corpo. 

É tipo o filme Ela é o Cara (só que mais complexo, já que o corpo é trocado de fato), mas que você sabe que alguma coisa não é hétero só não dá pra dizer ao certo o quê, principalmente porque claramente não é intenção dos criadores. Pelo contrário, dá pra ver que eles são tão afundados nas lentes hétero que acabam sendo gays sem perceber.

De qualquer modo, essa primeira parte do filme é muito divertida e gay e dá pra gostar dos personagens, além da mitologia ser desenvolvida naturalmente. Além disso, foi legal o mistério de: o que vai acontecer?

Eles vão se encontrar? Vão ficar trocados? Vai acabar? 

Até que.

sem falar da arte que é linda


Eu não vou dizer o que acontece, mas me fez questionar quem eu era, como histórias são feitas e a própria existência. A partir de um momento eu só queria LOUCAMENTE DESCOBRIR O QUE IA ACONTECER. O filme fica mais sério, mais acelerado, mais eu sendo atropelada por um caminhão.

Chegou um ponto que eu nem me importava mais com o que eu achava de nada, porque não importava. 

Isso é o que eu gosto em Your Name: atingiu justamente numa corda emocional. Não importava mais o que o meu cérebro dizia (e ele dizia: heterossexualidade desnecessária) e sim o sentimento de devastação.

Eu nem sei mais de nada. Eu sei que quando o filme acabou eu tava morta e a vida não fazia mais sentido. Não de um jeito ruim. Do jeito que fica quando você assiste algo muito bom que muda você de maneiras que você nem sabe e no fim você só... você nada.

Me fez tão bem. 

Eu fiquei pensando: como eles fazem isso? Como eles fazem isso de uma forma que me atinge assim? Como alguém pode usar o cérebro pra escrever algo que tem esse efeito emocional em mim?

Por que eu tô chorando se eu nem to triste no meio da madrugada olhando pra o teto do meu quarto?

Eu só conseguia falar do que eu tava sentindo. Eu tava rindo, porque às vezes em vez de chorar eu rio demais. Na noite que a Lexa morreu eu gargalhei. Parecia errado, inapropriado falar de outra coisa. Eu tava meio que em luto pelo fim do filme. Levei um bom tempo pra me recuperar. E agora estou aqui querendo que todo mundo assista pra gritar junto. 

Só sei que eu estou feliz. Estou feliz de perceber que o problema não sou eu, que ainda tem histórias que me animam e mexem comigo. Estou feliz de ter assistido Kimi no Na wa.

AH. quero deixar aqui um comentário (spoiler leve), mas eu gosto que eles não fazem um relacionamento amoroso entre os protagonistas. Tipo, é, eles compartilharam algo importante e se dividiram, e são como partes um do outro, mas isso não precisa significar romântico. E acho que o filme mostra ela com o outro cara? Eu tava morrendo muito nessa parte pra ter certeza. Mas enfim, deixa em aberto o bastante.




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2 comentários

  1. A parte de ficar deitado na cama olhando pro teto foi bem eu depois de ver esse filme HAHAHAHAHH MARAVILHOSO <3

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  2. "Não sei se vocês têm o costume de ser mal amado assim pelo que assistem, mas eu não. EU QUERO ME ENTREGAR, VIAJAR, ESQUECER DA REALIDADE, AMAR OU ODIAR OU SEJA LÁ O QUE FOR."
    HAHAHA, exatamente isso aí. Se não for pra surtar, nem vou perder meu tempo. O ruim é que, mesmo com tanta coisa sendo lançada ultimamente, nada me parece realmente motivador...

    ResponderExcluir

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