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Induzir alguém às práticas de uma religião, até mesmo como uma cura, é horrível.

19.8.17João Paulo Albuquerque



Eu venho acompanhando a vida de uma amiga minha que tempos atrás havia se assumido bissexual e por uma parte da família, tudo okay, pela outra, nem tanto - foi muito complicado. E nisso tudo ela entrou num lance de igreja e tals e ela vem evitando muito falar sobre a sexualidade. Eu respeito, mas ainda sim algo cutucou o meu cérebro, afinal, quantas dessas histórias já não escutamos?

Veja bem, não estou falando que tal pessoa entrar em algo religioso tem problema, estou falando que você ser forçado a isso tem problema. E muito. Você não pode ser forçado a fazer nada que não queira, afinal, você tem direitos e vontades próprias, então quando alguém tenta te fazer entrar em algo que você não quer, você tem o direito de falar: "epa, pera lá, eu não quero.". Mas nem sempre escutam a gente, não é mesmo?

Tem gente que acha que você ser alguma coisa (no caso de atração sexual ou romântica) pode ser curado - sim, isso ainda existe, mesmo a gente sabendo que ser LGBTQ+ não é doença - com religião normalmente voltada ao Deus Cristão/Evangélico. Tem também aqueles que acham que você ter Transtornos Psicológicos (como Ansiedade, Depressão, etc) é falta desse Deus. Bad news, baby: nada disso é falta ou adição de Deus ou alguma religião na sua vida. E era justamente à isso que me dirigi no título do post, porque você pegar alguém e forçar ela a uma religião como se aquilo fosse para curá-la, isso não é legal, seja se for Transtornos Psicológicos ou Atração Romântica/Sexual...

Se você quer seguir uma religião, tem que ser pela sua escolha/vontade, não pela pressão dos outros/família. Sei que é fácil dizer, mas colocar em prática é outra coisa (experiência própria).
Me tomando como exemplo: sempre tive familiares que são evangélicos, e teve uma época - quando criança - que eu realmente havia me interessado em pesquisar mais e saber sobre as histórias bíblicas e essas coisas. Por um tempo até investiram e compraram coisas para meu aniversário, depois disso, eu cansei, e nessa época eu tinha começado a ler Percy Jackson e me interessei imensamente pelas Mitologias do mundo afora. Sempre havia me questionado 'se Deus existe, por que os outros não?', e com isso comecei a pesquisar e cheguei numa conclusão básica: enquanto eu não me encaixasse ou se eu não sentisse vontade/não quisesse, eu não seguiria nenhuma religião, e talvez eu não iria ter uma religião...

E passei a estudar elas. Claro que para mim é diferente porque no meu círculo familiar mais próximo (mãe, pai, irmã) nunca houve essa pressão de ter uma religião. Meu pai é católico, minha mãe transita entre Umbanda e Espiritismo (ela estuda ambas), minha irmã não liga pra isso - é uma pré-adolescente, afinal (se eu falo criança ela me bate oksdkdslkdsdk). Porém, não foi muito fácil largar isso, porque às vezes as pessoas ficam tipo: "nossa, como assim?!" e tentam impor sua religião mais e mais, e assim vai...

O que eu quero dizer é: religião (assim como nada na vida) não é para pressão ou por obrigação que deve ser seguida. Se quer seguir tal, segue, não quer, ótimo. Claro que ainda estamos longe de estarmos numa visão assim de toda a sociedade, mas aos poucos a gente chega lá.


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