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Notas Brasileiras #34 - My Magical Glowing Lens

18.7.17Carol Cardozo





My Magical Glowing Lens vem de Vitória, no ES. Um projeto artístico da Gabriela Deptulski (que toca guitarra, baixo, bateria, sintetizador e canta, além de produzir as músicas também! Cansei só de escrever), que passou por algumas formações e atualmente conta com Henrique Paoli na bateria e Pedro Moscardino no sintetizador.

A banda surgiu em 2013, com o EP My Magical Glowing Lens, gravado e mixado pela Gabriela. O MMGL passou a se apresentar como banda só em 2015 (antes disso os shows eram Gabriela com uma guitarra e seu notebook). Em 2017 lançou seu primeiro cd, Cosmos (que contou também com Gil Mello no baixo), com distribuição pelos selos Honey Bomb Records, PWR Records e Subtrópico.

A Gabriela respondeu nossas já conhecidas perguntas, vem conferir!

1 - Como você definiria sua música para alguém que nunca ouviu?

O tipo de música que componho e arranjo eu chamo de 'pop místico'. Foi um termo que inventei, pois muita gente me pergunta que estilo é o MMGL e eu nunca sei falar, daí inventei esse termo. Isso porque meus arranjos e composições têm influência desde Beyoncé (uma das cantoras pop mais conhecidas da atualidade) até Faine Jade (banda muito desconhecida dos anos 60), e também de tem influência de misticismos de diversas culturas. Não gosto de falar que som do MMGL é rock, porque o rock está muito ligado a algo elitista, que dá lugar pra galera inflar o próprio ego dizendo: 'ah, eu ouço rock, então sou melhor do que os outros'. Prefiro chamar de 'pop', porque 'pop' pode dançar, rebolar, fazer o que quiser e ser alguém normal, igual a todo mundo. Além disso, 'pop' tem a palavra 'popular' escondida, ou seja, uma palavra que, em um de seus sentidos, remete a algo que é direcionado para todo mundo. Faço um som popular, mas ele é místico; popular e ao mesmo tempo esotérico. Isso é uma contradição, mas é isso mesmo, o som do MMGL é uma contradição: são assuntos muito complexos da interioridade humana que foram mantidos durante muito tempo na mão só de algumas pessoas e que tento escancarar pra todo mundo de modo acessível e ingênuo. Eu penso, por exemplo, que meditação deveria ser ensinada nas escolas.


2 - Dentre as suas músicas, qual sua favorita? 

Não tenho favorita, gosto de todas!



3 - Como a banda se juntou? 

Essa é a quarta formação da nave MMGL e provavelmente não será a última. O MMGL não é exatamente uma banda, é um projeto meu que decidi gravar com banda no álbum Cosmos. Eu tocava todos os instrumentos e gravava tudo sozinha antes. No Cosmos, apesar de eu não tocar todos os instrumentos, compus todas as músicas (exceto Tente Entender, que compus junto de meu amigo Rayman Aluy Juk da Trem Fantasma; a letra de Noite Estrelada quem fez foi meu amigo Caramurú Baumgartner do Tagore e Caramurú e Julião). Eu arranjei 10 das músicas do Cosmos e participei ativamente na grande maior parte do arranjo da outra que sobrou, dando a direção de tudo o que se fazia. As jams, nós arranjamos em conjunto, mas com direção minha também. Colocar o MMGL pra funcionar como banda gerou diversos problemas e meus planos são voltar a gravar tudo sozinha.


4 - Como foi o processo de definir a sua identidade sonora?

As músicas vão surgindo, tudo o que ouço influencia. O Cosmo foi muito influenciado pelo Alceu Valença e pela banda Pond, por exemplo. São as principais que me lembro agora. Cada hora que me perguntam lembro de influencias completamente diferentes. A identidade pra mim não é anterior à criação, ela vai aparecendo no processo de criação das músicas, naturalmente. Não me preocupo com a identidade do som, apenas deixo fluir. Ultimamente o que mais tem me influenciado é o álbum novo do Toro y Moi, o Boo Boo.

5 - Uma lembrança querida da carreira? 

Conhecer o Steve Shelley do Sonic Youth. 

6 - Qual você acha que é a maior dificuldade do cenário musical brasileiro atualmente?

Artistas querendo ser rock stars e não percebendo que o músico é um trabalhador como qualquer outro.


7 - Qual banda nacional você indicaria?

The Muddy Brothers, Catavento, Finger Fingerrr, Katze Sound, Papisa, Cora, Hiereofante Púrpura, Tagore, Bike, Boogarins, O Terno, Bonifrate...


Se você quiser ouvir mais MMGL, você pode acompanhar pelo Facebook, Twitter, Bandcamp, canal no Youtube e tem também no Spotify, ou seja, sem desculpa, tem em tudo que é canto.

***

A produtora Magrela Filmes tem feito uma série de lives gravados em plano sequência. Já passaram por lá bandas como Peixefantes, Kastelijins e Lutre (banda essa que já passou aqui pelo Notas também). Vocês podem ver os lives já lançados nesse link (e acompanhar mais do trabalho da produtora no canal deles no Youtube).

Hoje eles vêm em conjunto com o CC pra lançar o mais novo vídeo dessa série, com o MMGL. Com vocês, o live de "Raio de Sol", música do cd Cosmos.

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