age of ultron Alice Souza

Sobre personagens femininas e filmes de herói

16.6.17Colaboradores ConversaCult



Os filmes da Dc (O Homem de Aço, Batman vs Superman, Mulher Maravilha) possuem bases muito fortes em relações maternas e do poder que o amor maternal possui em cima dos heróis (tridimensionais).

O enredo "Martha" em Batman vs Superman, apesar de ludibriado e caçoado intensamente, ajuda a dar leveza e sensibilidade aos dois maiores heróis de todos os tempos os unindo pelo amor. Batman não desiste de matar Superman porque suas mães possuem o mesmo nome e sim por ele perceber, naquele momento, que o amor de ambos por suas mães era igual. Essa profundidade dada ao Bruce é algo que os tão aclamados filmes da trilogia de The Dark Knight nem sonharam em fazer.


Até agora, filmes da Marvel nos apresentaram poucas mães (Thor, Homem de Ferro 3, Capitão América, Guardiões da Galáxia) e todas elas morreram pouco depois, servindo inteiramente para construir a Manpain™ e alavancar a narrativa dos heróis homens. As poucas conexões familiares nesses filmes ocorrem, em sua maioria, com pais.

Nos filmes da Marvel também abusam muito do arquétipo da Namorada do Herói, que parece não ter vida própria além de estar lá para seu homem (Pepper pots, Jane foster, Christine Palmer). Até suas próprias heroínas, Viúva Negra e Feiticeira Escarlate,  são reduzidas narrativamente a elemento para construir a já dita Manpain™ nos personagens Hulk e Visão, respectivamente. O oposto nunca ocorre.


A mulher é foda pra caralho, mas nããão, vamos
usar ela só como calmante pro Hulk mesmo.

O filme da Mulher Maravilha subverte completamente o ideal de um par romântico já habitual do "gênero" herói. Steve Trevor não é apenas um elo narrativo pra o crescimento de Diana, e sim uma pessoa "própria" com desejos e escolhas e ideais próprios. Steve não serve como acessório a Diana, e numa maestria de roteiro mostra a possibilidade de uma mulher heroína ser forte e amar ao mesmo tempo.


Uma das mais tridimensionais, intensas e profundas, com uma PUTA D'UMA backstory (na minha humilde opinião) da Marvel, Viúva Negra, foi negada um filme (apesar do desejo de fãs), pois de acordo com Kevin Feige, 'showrunner' do estúdio, "o filme não é necessário para a narrativa do universo e não venderia".

À própria Viúva Negra foi dada uma narrativa terrivelmente misógina, de maternidade compulsória, em A Era de Ultron. A única profundidade em uma personagem que o tempo todo se encontra na tênue linha do que é correto moralmente é a 'falta de capacidade' dela de ter filhos. É irreal e simplesmente desonesto associar narrativa tão moralista e redutiva a uma personagem tão complexa.


O filme da super heroína "Capitã Marvel" já foi adiado 3 vezes já pra abrir espaços na grade de lançamentos da Marvel para filmes que Obviamente Todo Mundo Quer Muito™, como Thor 3, Homem-Formiga E Vespa, mais um reboot de Homem Aranha.

A DC, Zack Snyder e Geoff Johns sempre tiveram como grande prioridade um filme solo da Mulher Maravilha. Eles viram a necessidade extrema da primeira heroína e um marco no mundo dos quadrinhos ter sua introdução cinematográfica antes mesmos de consagrados heróis como o Flash, Lanterna Verde (nesse texto estou levando em consideração apenas o novo universo DC no cinema) e até mesmo um solo do Batman.


Eu não sou boba nem ingênua e sei que empresas e companhias fazem o que fazem por lucro. A DC/Warner não são santas nem o epítome de Filmes Feministas. O movimento de igualdade está em alta e é um claro caminho de lucro para os estúdios.

O debate porém, não se apoia no grande pilar do sucesso econômico e sim nas nuances de narrativa e de posicionamento dos frontmen das empresas. São as pequenas coisas que fazem a diferença, tanto na vida quanto na ficção.

Vale a pena começar a questionar, como espectadores, até onde vale apoiar uma forma de entretenimento que não evolui com os tempos e que não se adapta ou representa uma parcela gigante de seu público: o feminino.



Sobre a autora:

Alice Souza é uma jovem adulta, estudante de cinema e audiovisual que ora deseja direção, ora produção, feminista radical e entusiasta de quadrinhos e derivados do universo geek. Se achava o ser mais inteligente do mundo até ter um gato e dorme mais do que devia. Você pode encontrá-la em seu facebook, twitter ou letterboxd.

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