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Não existe policiamento de palavras

28.4.17Dana Martins


Sabe quando alguém diz "Não usa X palavra pra falar desse grupo, o certo é Y palavra"? Por exemplo, muita gente fala "assexuado" enquanto na verdade o certo é assexual e, de fato, quando alguém fala merda o pessoal vai avisar "ei, não fala desse jeito!" Às vezes parece muito difícil conseguir lembrar disso tudo. LGBTTIAP, que isso senhor? Tanta letra. Como eu vou lembrar disso tudo??? Como eu vou conseguir guardar o termo adequado, por que eu não posso falar só "seja mais homem!" sem me preocupar?? Aí eu descobri um segredo: não é questão de decorar.

Eu percebi que, quando você entende o que você tá falando, quando você vê as pessoas como, bem, pessoas reais, você faz a mudança naturalmente. O nosso vocabulário é um reflexo da forma como a gente pensa. A gente continua falando coisa tipo "precisa ser mais homem", porque continua achando que homem e masculinidade é sinônimo de coragem, de força, de poder. Então a gente pode até se esforçar a tomar cuidado e mudar o jeito de falar, mas o nosso pensamento continua o mesmo.

Ex: Você pode aprender a tomar cuidado na hora de usar a expressão "seja mais corajoso, porra!" "Se esforça mais!", mas se não entender por que a mudança, vai continuar tratando homem com mais poderoso em todo resto. 

Ex: Opção Sexual/Orientação Sexual, as palavras são tão parecidas!!! Como é que você vai guardar a diferença?? Quando você entende que sexualidade não é uma opção, não é algo que alguém escolhe, é mais uma parte de quem você é e isso de manifesta de uma forma, por isso tem uma "orientação". 

E quando você entende - não existe o menor esforço em tomar cuidado com o seu vocabulário, você muda sem nem ver. 

Você passa a nem querer usar o errado, porque sabe como isso desumaniza a pessoa de quem você tá falando. 

Então, tipo, se pra você "policiamento de palavra" é um esforço, algo que você faz por aparência, se é só "ser politicamente correto", é porque você não vê essas pessoas como pessoas. Pelo menos, não pessoas como você, não como pessoas que merecem os direitos básicos de serem reconhecidas pelo que são. 

Basicamente, tu não chama a sua mãe de vó, porque tu sabe a diferença. Se eu começar a chamar a sua mãe de sua vó, você vai me falar "não, ela é a minha mãe" e não faria o menor sentido eu dizer "nossa, mimiimi" ou "para de ser politicamente correto". É algo que a gente nem questiona, porque é normal respeitar a lógica. 





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