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CC entrevista: Chris Fuscaldo, autora de Discobiografia Legionária

15.4.17Taiany Araújo


Quando eu entrei para a equipe do ConversaCult trouxe algumas coisas comigo, dentre elas, meu  amor imensurável pela banda Legião Urbana com tudo que se tem direito. É um fato, aqueles que me conhecem lembram de mim quando Legião é citado, não existe nem grandes discussões, LEGIÃO É MINHA MORADA E EU SOU A ANFITRIÃ. Ou seja, todos e qualquer um aqui na equipe podem falar sobre a banda, mas eu sempre vou querer dar pitaco, estar junto, participar, e foi numa dessas que a Chris apareceu. 

A Carol conhece alguém que conhece a Chris Fuscaldo. Numa troca de mensagens, gritos e choros (da minha parte), a gente conseguiu uma entrevista (tá mais pra um bate papo) com a Chris sobre o lançamento do seu mais novo livro, Discobiografia Legionária.

Para quem não sabe, essa moça escreve sobre Legião há algum tempinho, já que ela foi a responsável por escrever os encartes dos álbuns a convite da gravadora EMI Music (em 2008), que relançou a obra da banda em 2010. Foi aí que ela decidiu transformar os textos em livro, incluindo os discos ao vivo, as coletâneas e os projetos solo de Renato Russo.

E o que fez esse livro diferente de todos os outros que já existem sobre a vida desses meninos de Brasília?

Simples.

Convencionalmente as biografias costumam perpassar a vida do artista até chegar a sua obra. Aqui acontece o contrário: a obra vai aos poucos costurando e nos apresentando aqueles que estão por detrás dela. É através desse caminho inverso que a jornalista e pesquisadora fluminense Chris Fuscaldo resolveu falar, traçando os artistas por meio dos 8 discos da Legião Urbana.

O livro percorre os processos da banda e da carreira solo de Renato Russo e traz depoimentos e entrevistas de pessoas que viveram próximas aos integrante da Legião. Transcrevendo na sua narração a complicada fase do ainda trio inicial (Renato Russo, Marcelo Bonfá e Dado Vila Lobos )quanto a adaptação a indústria da música da época que quase os fizeram desistir de gravar o seu primeiro álbum em 1984. 

Além disso, o livro expõe uma figura central no sucesso do grupo, e que pouco aparece, Mayrton Bahia. Ele foi quem produziu todos os discos da banda e passou por todas as fases dos meninos como grupo e também como artistas individuais.

É por essas e outras, que Discobiografia Legionária é um livro obrigatório para os legionários como eu, mas também, para aqueles que se interessam em saber como é o processo de criação de uma banda,  a relação com as gravadoras, a diferença entre estar em estúdio ou em um show, etc etc etc.



Essa pequena introdução só foi para situar você em relação as perguntas da entrevista.
Então vamo lá agora:

ConversaCult: Você como jornalista poderia ter ido para outras áreas. O que a fez se interessar por esse espaço específico?

Chris Fuscaldo: Na verdade, eu venho atuando em muitas áreas dentro da Comunicação e das Letras há anos. Sou formada em Jornalismo e em Letras, fiz um mestrado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade e agora estou no segundo ano do doutorado deste mesmo programa da Puc-Rio. Como jornalistas, passei por jornais (Extra e O Globo), sites e portais (O Globo, Extra, Globo Cidadania, Globo.com), colaborei e colaboro ainda com diversas revistas (entre elas Rolling Stone e UBC) e fui coordenadora de mídias sociais da Artplan (porque eu acabei vivenciando toda essa mudança do mercado jornalístico dentro das redações e como freelancer). Mas escrever livro biográfico sempre foi um sonho porque eu sempre amei ler biografias de personalidades e de movimentos musicais. Estou prestes a terminar uma biografia de Zé Ramalho que foi o primeiro livro que comecei a escrever, mas acabou que por uma série de fatores, esse projeto em que conto as histórias das gravações dos discos da Legião Urbana, o "Discobiografia Legionária", saiu antes. Agora, além de estar escrevendo, estou também dando aulas em MBAs de Marketing Digital, ainda colaborando para alguns veículos e fazendo ainda outras coisas. Sim, sou meio múltipla no meu dia a dia. ;) 

CC: Como é o processo de reunir materiais para a realização do livro?

ChrisF: Cada escritor tem seu método de trabalho e cada livro pede um tipo de dedicação. Eu gosto de começar sempre pela análise dos discos seguida da pesquisa em jornais e revistas da época em que meu biografado viveu ou atuou. Se houver livros que o citem, eles também entram na fila de leitura. Isso me alimenta e me fornece um vasto material que resolve muitas das histórias que quero contar ou me ajudam a preparar pautas de entrevistas e escolher as pessoas que acho necessário entrevistar. 

CC: Como é esse processo de entrevistar amigos e família para se escrever uma biografia? Quais são as maiores dificuldades?

ChrisF: Essa é a parte do processo que mais amo. Entrevistar sempre foi um grande prazer para mim. As dificuldades surgem quando uma pessoa que julgo importante para algum episódio que quero contar não aceita falar. Mas eu sou tão insistente que, normalmente, eu consigo ou convencê-la ou capturar a história através de outras fontes. 

CC: Como é ser mulher e biógrafa? Você encontra muita resistência?

ChrisF: Não é fácil, não. Há, sim, muita resistência. Muitas vezes os próprios biografados, mesmo estando a par e concordando com o projeto, querem influenciar na escolha de histórias. Mas isso eu acho a parte menos complicada, pois acredito que basta uma boa conversa para mostrar a importância desse resgate da memória. O pior é quando personagens coadjuvantes que são peças-chave da história não querem colaborar ou porque acham que precisam ser recompensados financeiramente por isso ou porque guardam alguma mágoa de algum episódio. Mas, como falei anteriormente, sempre se dá um jeito, costurando a história de alguma outra forma.

CC: A Legião Urbana é uma banda que já foi muito discutida, e com diversos materiais sobre ela. Você acredita que ainda há o que se falar deles?

ChrisF: Eu tive essa dúvida quando pensei em transformar em livro esse trabalho que eu tinha feito para a gravadora EMI Music entre 2008 e 2009, quando escrevi textos sobre os discos da Legião Urbana para os encartes dos LPs reeditados lançados em 2010. Mas quando comecei a pesquisar e entrevistar, achei que esse era um recorte inédito e pouco explorado da história da banda. Ainda assim, fiquei insegura, pois com fã de Legião Urbana não se brinca: eles conhecem tudo! No entanto, fui surpreendida por uma ótima recepção e por uma onda gigante de agradecimentos que me mostraram que, sim, eu fiz algo diferente. 

CC: Normalmente estamos acostumados a biografias sobre a vida de um artista. O que a fez resolver falar sobre a obra de uma banda?

ChrisF: A ideia surgiu depois que eu fiz esse trabalho de escrever sobre os discos para as reedições de 2010. Eu vi que o material que eu coletei tinha potencial para um livro com um recorte inédito. A Legião Urbana foi uma banda que fez poucos shows se comparada com outras bandas da mesma época. No entanto, a vivência deles dentro dos estúdios foi longa e riquíssima, cheia de histórias que ficaram na memória de todos que acompanharam as (e trabalhando nas) gravações dos discos. Também me interessava muito jogar luz sobre os personagens que sempre foram tratados como coadjuvantes, mas que foram essenciais para o sucesso de cada gravação, entre eles diretores artísticos, produtores, engenheiros de som, músicos acompanhantes, roadie etc.  

CC: Como você chegou ao título do livro?

ChrisF: Desde que a ideia surgiu, eu não conseguia não chamar o livro de "Discobiografia". Porque ele não é nada além de uma biografia dos discos da Legião Urbana e de Renato Russo. Eu amo a palavra "biografia", porque é o que adoro ler, é o que eu estudo na pós-graduação e é o que escolhi fazer nesse momento da minha vida. E amo a palavra "disco", porque é algo do meu tempo, algo que sempre amei escutar e que lamento muito estar em franca desvalorização atualmente. "Legionária" tem tudo a ver com os fãs da Legião Urbana, que se auto-denominam "legionários". E esse livro foi feito para eles, que na época do lançamento do discos me pediram tanto pelo fato de ser muito caro completar a coleção. 

CC: Agora, uma pergunta de fã da Legião. Você tem uma música ou álbum preferidos?

ChrisF: Tenho vários. Rsrsrs... Em uma das entrevistas, cheguei a fazer um Top 5 de álbuns. Música, então, impossível escolher uma. Mas gosto de contar que "Faroeste Caboclo" foi a primeira a me pegar de jeito quando eu era criança. Hoje entendo que o que mais gostei nela foi o fato de Renato Russo narrar uma biografia, a história de vida de João de Santo Cristo.

quem quiser conhecer mais o trabalho da Chris, aqui o face dela

Acho que todo mundo já percebeu que a gente aqui do ConversaCult ama música e livros, vira e mexe estamos falando sobre, e quando surge um livro sobre música TODO MUNDO quer escrever, quer participar, quer dividir. Com esse livro não foi diferente, a Carol tava se coçando de vontade de escrever, mas cedeu a vez pra mim. OBRIGADA. Isso não quer dizer que ela não participou de todo o processo de montagem desse post, muito pelo contario, ela quem trouxe a Chris pra gente, então eu só queria agradecer outra vez. OBRIGADA.

Ahhh, e a Chris tá escrevendo uma biografia sobre o Zé Ramalho. Gente, como não querer abraçar essa mulher?

Bom, é isso, espero que essa entrevista tenha despertado em vocês o interesse em ler o livro. Abraços, e até a próxima.



Autor: Chris Fuscaldo
- Editora: Leya
- À venda em: Livraria CulturaSubmarino, Saraiva














EM BREVE, TALVEZ NÃO TÃO BREVE ASSIM, RESENHA DO LIVRO AQUI NO BLOG

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