clube de escrita Dana Martins

Clube de Escrita: Escrevendo a HACKER AU

8.1.16Dana Martins


Eu fui comemorar no Batdrama que eu terminei uma história, mas eu me empolguei tanto que saiu um post inteiro sobre a aventura de escreve-la! Aqui eu comento sobre como foi completar a minha hacker au, que recebeu o nome de Codes, e compartilho o processo de escrita (mais pra: todos os perrengues e inseguranças do caminho que eu superei). Espero que você goste e ajude no seu processo de escrita. <3

INFORMAÇÕES

"Hacker au" é como eu apelidei a história enquanto escrevia, "au" significa Universo Alternativo (alternative universe) e é uma história que se passa em universo alternativo onde os personagens são hackers. Ela é uma fanfic de The 100. Ou seja, eu basicamente escrevi uma história com os personagens de The 100 que se passa hoje em dia onde os personagens são hackers. 

Ela recebeu o nome de Codes e você pode ler no AO3, é só clicar aqui. Também adoro comentários e receber opinião é muito importante pra me ajudar a melhorar, então não pense 2 vezes se quiser me dizer algo. :)

obs: você não precisa ter assistido The 100 pra poder ler ou entender esse post. A Codes é basicamente é uma história sobre duas garotas hackers que acabam indo parar numa missão juntas. 

HACKER AU: a aventura

Capítulo 1: De onde surgiu a ideia

Então, em... setembro? Eu vi um desses posts aleatórios com gente imaginando coisas, tipo "imagina se 2 hackers invadem o mesmo site ao mesmo tempo". Era algo meio assim:

- Entrei!
- Entrei!
- Epa, desculpa, não sabia que você tava aí
- Tranquilo, bro
- Vou lá, vlw flw
- vlw

E só isso. Mas eu gostei tanto que decidi escrever uma fanfic baseada nisso. Eu literalmente abri o bloco de notas na hora e saí escrevendo o que viesse na cabeça. Logo as coisas começaram a se transformar - é uma fanfic de The 100, os hackers eram a Clarke e a Lexa, e você pode escolher a situação, mas os personagens é que decidem o que vai acontecer. E se tem uma coisa sobre elas: nenhuma das duas sairia com tanta facilidade assim se estivessem determinadas a hackear o site. Além do mais, eu precisava que aquilo criasse uma situação em que elas se encontrassem na vida real, né?

Na imagem: Foto de um hacker na frente de duas delas de computador, onde eu fiz uma montagem. Na primeira tela mostra um guaxinim, na segunda a página de entrada do Tumblr
é basicamente isso a fanfic HUAHUAHUAHAUH


Aí eu comecei meu NaNoWriMo fora de época, escrevendo entre 1600 - 3000 palavras por dia. Uns 17 arquivos depois e cheguei ao fim. Pensando agora, foi uma coisa muito do nada. Eu vi um post no tumblr e saí escrevendo sem pensar porque tava com vontade e boom. E é mais aleatório ainda se você pensar que eu tava escrevendo umas 3 fanfics na época. Rock band au, Punk Clexa, Las vegas au - nenhuma finalizada até agora.

Isso é uma das coisas sobre a minha escrita esse ano: eu meio que parei de me preocupar com as coisas. Se eu tava com vontade de escrever, eu escrevia. Eu tenho até um capítulo de uma história em que a Clarke trabalha na feira, porque sim. (Bellamy vende pastel com caldo de cana, Octavia faz tatuagem de henna e Raven vende aquelas bugigangas eletrônicas, tipo laser) E isso fez com que eu passasse quase o ano inteiro escrevendo histórias.

Escrever por prazer pelo simples fato de que eu queria ver a história acontecer. 

Capítulo 2: A escrita em si

Na verdade verdadeira nem sempre é possível manter a motivação por um tempo, pra isso a rotina (aka. senta o rabo todo dia e faz não importa o que aconteça). A Hacker au foi mais simples de terminar porque era pra ser pequena. Hackers se encontram, precisam viver uma missão e felizes para sempre, vlw flw. Não tem muito pra onde ir. 

É só seguir a to-do list: 
1) dá merda 
2) se prepara pra missão
3) faz missão
4) yeeey

Eu não tô nem achando aqui nenhum arquivo que indique que eu escrevi essa to-do list. Eu só sentava cada dia e continuava até bater a meta diária sabendo de cabeça que era isso. 

As coisas cresceram um pouquinho, principalmente porque o "yeey" se transformou em algo mais, mas ok. A versão final deve ter entre 30 e 40 mil palavras. 

Na foto: Cena de The 100 mostrando Bellamy (armado), Clarke, Octavia e Raven com mochilas desmontando uma cerca pra passar
Coloca a Lexa e isso é praticamente uma cena da fanfic.
Na ordem: Bellamy, Clarke, Octavia e Raven


OBS: Um problema que eu tive durante a escrita foi pra mudar de cena. Como eu começo uma cena? Não lembro de ter esse problema em outras histórias, mas nessa tava me matando. Foi aí que eu comecei a pegar livros que estavam por perto e ver como eles começam capítulos/cenas. (e foi bem legal, a Duda entrou na onda comigo e nós reunimos vários inícios de autores diferentes e eu "cataloguei" por tipos diferentes, eu tenho isso em algum lugar do meu computador) Se eu tava muito travada, eu literalmente abria numa página aleatória e começava imitando o autor. Normalmente era só um "Era noite quando..." e magicamente eu conseguia ir em frente. 

OBS2: Pode ser ou não que no fim dessa parte eu tenha tido um ataque porque o final parecia estar se desmanchando e precisei sair correndo pra pedir socorro pra o João. É por isso que você vai ver o nome dele escrito num cantinho de uma folha a seguir, eu fiz enquanto conversava com ele. 

Capítulo 3: Planejamento

Depois de terminar, é claro, eu ainda tinha a edição. Como eu escrevo muita merda na primeira versão e sem pensar no que eu to fazendo, quando eu vou começar a edição é bem um trabalho de olhar pra história e pensar "o que temos aqui?" Pensando agora, depois da escrita eu não começo a edição. Eu começo o planejamento.

A primeira etapa do planejamento é um trabalho braçal onde eu finjo que sei o que eu to fazendo. No caso da hacker au, dividi por capítulos, fiz uma lista da sequência de acontecimentos (se fosse uma história de 100 mil palavras eu não sei se daria pra fazer isso, mas aqui deu), começo a tentar entender o que eu quero dizer com a história e o desenvolvimento dos personagens. 

Foi aí que eu inventei esse troço. 

A qualidade é ruim, e a minha letra é pior ainda e nem o que tá escrito deve fazer muito sentido, mas o
que eu quero mostrar é só o geral mesmo

A primeira é só o encadeamento das coisas. Nessa parte eu procurei um pouco sobre jornada do herói e tentei adaptar o que cabia e descobrir um pouco melhor as motivações dos personagens. Talvez os 9 pontos sejam os 9 da jornada do herói??? Não sei.

Foi aí que eu percebi que o maior "inimigo" da Clarke era ela mesma!!! (toda a parte ilegível clarinha) (a sombra com ? eu desenhei enquanto pensava sobre o "oponente" e ABANDONO escrito atrás é mais por efeito dramático mesmo) E eu descobri que a confusão que ela se envolve hackeando não é realmente o principal da história, o que importa é o desenvolvimento dela em relação a um assunto que eu vou chamar de Negação. ENFIM. 

Eu não sei se consigo passar nada disso na versão final, mas entender isso me ajudou a ir em frente. 

Foi nessa etapa que eu comecei a pensar em coisas que eu queria fazer na história. 

Por exemplo, eu não queria que fosse uma história que parece final de novela com todo mundo feliz, casado, grávido. Tipo, eu queria que fosse jornada de superação dela sobre o problema em particular, a Negação, mas que resolver isso não solucionasse magicamente tudo na vida dela. 

No fim, os problemas com a mãe ainda existem, ela ainda não tem uma forma de se manter financeiramente, Octavia continua nas aulinhas de yoga (porque personagens secundários também tem vida)...

É uma fanfic de ship, então o meu ship já vai terminar junto (oh, viveram felizes para sempre!). Mas até nisso eu busquei usar a amizade como uma forma de subverter essa ideia de "minha vida é baseada no meu par". Acontece umas coisas na amizade entre Octavia e Clarke que eu gosto demais, mas não vou dizer pra não dar spoiler da minha própria história.

Qualquer semelhança é semelhança mesmo. É uma fanfic, gente

Outra coisa que acontece é que essa Clarke se afasta muito dos amigos. (wow, parece até alguém que eu conheço!!!) E em parte é por causa do tal problema de Negação, mas em parte é porque ela gosta. Eu não queria que essa Clarke Introvertida fosse "consertada". Normalmente essa é a história, né? A pessoa fica sozinha porque não tem com quem ficar. A pessoa fica sozinha porque tem uma vidinha merda. A pessoa fica sozinha porque tem um problema. No fim ela resolve tudo isso!!!! E isso às vezes é pura mentira. Clarke começa longe dos amigos e, sim, passa por um processo de reaproximação conforme lida com a Negação, mas no fim não deixa de ser quem ela é. 

Fora isso, eu também quis que a vida dela fosse mais complexa do que "tenho um problema". A história foca nessa questão da Negação, mas outras coisas estão acontecendo na vida da personagem. Pelo menos eu tentei. HAUHAUHA Mas a questão mesmo dela largar a faculdade de Medicina, o problema com a mãe, ou ela ter uma vida online, são umas coisinhas relacionadas a isso. 

E... representatividade! HAUHAAHA Eu me esforcei pra trazer personagens de fundo mulher. Com The 100 isso é fácil, porque tem muuuita personagem mulher pra criar uma dinâmica até sem homens. (com a S3, então, o Cage deve ser substituído pela Rainha do Gelo em termos de antagonismo) Mas sempre tem aqueles personagens sem rosto. Na história a Clarke conhece essa agência secreta, a Grounder, que tem vários agentes. Em certo ponto elas também enfrentam seguranças em Mount Weather. Aí eu escrevia "os agentes chegaram", "o agente...", "o homem", "os homens", "o segurança"... sério, eu tive que trocar quase todas as informações sobre pessoas genéricas pra colocar no feminino. Quero reprogramar o meu cérebro pra pensar em "mulheres" também quando eu penso em "aí uma pessoa apareceu".

Soldados quando você pesquisa no google e, aparentemente, no meu subconsciente


Eu quero reprogramar o meu cérebro pra pensar em mulheres como pessoas.

Enfim, todas essas são coisas que eu pensei só depois de terminar de escrever. Inclusive, com a lista de cenas eu pude ter uma visão geral dos acontecimentos, então eu reorganizei a ordem de alguns acontecimentos pra ficar melhor.


Se concentre na visão geral.
Olha o João ali no cantinho!!!!
Os pontos de 1 a 9 são os "momentos" da história (os mesmos do encadeamento anterior - eles não são capítulos, mas "etapas"). Considere a metade de cima da folha e de baixo partes diferentes.

Em cima eu media o desenvolvimento de cada "elemento" ao longo de cada ponto. Tipo o primeiro lá em cima que é sobre como a Clarke se sente em relação a situação. 1- Quer esquecer 2- Mesma coisa 3- Wtf eu escrevi? 4- Medo de perder os amigos...

Aí abaixo outros principais, como tá a relação dela com os amigos, a relação com a Octavia, a relação com a Lexa, a relação com "hackear" o site... 

Na parte da Lexa (vermelho) e Octavia (verde) tem o desenvolvimento interno de cada uma, como se a história fosse da perspectiva delas.

Sobre a Octavia, ela só começou a ganhar mais destaque pra o fim da fase escrita, acho que foi por acaso e se transformou em algo mais. Eu também percebi que não queria que a Clarke fosse a Guerreira Matadora na missão, porque ela não é. Se eu tivesse que escolher entre a Clarke e a Octavia pra invadir um lugar, seria a Octavia. Então por mais que a história seja da perspectiva da Clarke, eu queria que a Octavia ainda agisse como se fosse a protagonista da própria história e não fosse limitada. (nossa, fazendo isso aprendi muito sobre o que aquela autora queria dizer sobre a Síndrome Trinity analisando personagens mulheres)



Um spoiler menor - Eu gostei muito da ideia de que, como essa é a história da Clarke, você espera que ela apareça fazendo heroísmo e lutando com geral, mas aí chega na hora H e alguém praticamente já lidou com tudo. 

Sobre a Lexa x Clarke, eu gosto como as duas de certo modo encaram o mesmo problema, mas agem de modos diferentes. As duas sofrem. Mas a Lexa é muito mais "eu sou o que eu sou e tenho que lidar com isso". Eu acho que essa dinâmica é uma das coisas que me atrai tanto em Clexa na série. A Lexa é montada como uma personagem vilã. A Lexa é um Grande Talvez da Clarke - já falei sobre isso aqui nesse post. Enfim, percebi que você precisaria entender o Grande Talvez pra isso fazer sentido, então não vou desenvolver muito. Mas o que importa é que mesmo com DNA de vilão, a Lexa tem um desenvolvimento que a leva pra junto da Clarke e faz com que as duas juntas se tornem uma solução melhor. (ou seja, fazer o certo não seria do modo do herói ou do modo do vilão, mas o que acontece quando o herói e o "vilão" se juntam)

E, a história é minha, mas vamos lembrar que ainda é uma fanfic. Então sou eu brincando com conceitos de The 100.


O último papel eu nem lembro o que significa. É a divisão em capítulos, em pontos de estrutura? O que é essa marcação em outra cor??? Não sei. Só sei que na hora foi importante pra me guiar. 

No computador eu também tenho arquivos com encadeamento, resumo de capítulos, lista de cenas de cada capítulo, fragmentos de ideias pra encaixar na edição (inclusive uma cena no armário que infelizmente não ficou na versão final). Parece organizado, mas a maior parte é uma bagunça e tem informações extras e anotações que eu coloco no meio do caminho. 

O que importa é que nesse planejamento eu meio que fiz um "mapa" do que eu tinha feito, outro "mapa" do que eu queria fazer e planejei como transformar o que eu tinha no que eu queria. Então começa a edição.

Capítulo 4: A edição

Acho que é interessante pensar que o que eu fiz no planejamento, nem o início da edição, são coisas categorizadas como Sentar e Escrever, mas não deixam se ser importantes pra construção da história. 

Na edição eu via as cenas que durante o planejamento eu reuni em "primeiro capítulo", colocava tudo num arquivo e começava a reescrever em cima pra ficar bom. Alguns trechos eu precisava cortar bastante coisa, reescrever, encaixar coisas novas. Outros me surpreendiam porque eu não precisava mudar quase nada. A edição é mais difícil do que escrever, porque é encontrar a forma certa de dizer a mesma coisa. Como eu ligo essa cena com a próxima? Como eu descrevo tal coisa? 

Às vezes eu ficava muito frustrada escrevendo 39283298 vezes a mesma linha.

-------------------------

As primeiras linhas da história que eu escrevi aquela noite depois de ver o post no tumblr, e como o primeiro parágrafo ficou alguns meses depois. 

1. Já era bem tarde e esse era exatamente o melhor horário. Sem ninguém para perturbar. Sem tantas pessoas para notarem uma falha no sistema. E ela vinha se sentindo como um lixo nos últimos desde que terminou com o namorado, quando ele mais precisava dela. Enfim, tudo para esquecer.  Primeira versão, 03/09/2015

2. Se Clarke Griffin estivesse acordada ela não teria atendido o celular, mas ela não estava. Clarke estava cochilando no sofá onde havia deitado com o notebook no colo depois do almoço e onde ficou até o celular começar a tocar. Então grogue de sono, ela pegou o aparelho e atendeu com a voz ainda rouca. Só percebeu que não deveria ter feito isso tarde demais. Versão final, 12/12/2015

Comentários: No início eu só saí escrevendo, sem nada em mente, já começa com ela invadindo o site e eu enfiando a razão aleatória dela fazer isso (terminar com o namorado). Na versão final já é diferente - em vez dela hackeando, começa com uma ligação pra Raven onde já apresenta um pouco os amigos e como ela tem ignorado (também tem a fagulhazinha da ~octavia estranha socorro~). A razão dela estar ignorando já não é tão jogada na cara TERMINOU COM O NAMORADO e nem tão simples assim. Pra mim, também é uma narração muito mais viva que coloca a personagem em um cenário, em uma situação, com pessoas ao redor e dilemas. Não que o primeiro parágrafo não tenha serivdo de nada. Se você ver, a essência da história que >eu< só fui descobrir LÁ NO PLANEJAMENTO já está aí escrita nele. Clarke está com um problema e decide fazer algo pra esquecer.

---------------------------------

E eu acabei levando bem mais tempo do que esperava, o que resultou novembro chegar e eu não estar nem na metade da edição. Ou seja, meu NaNoWriMo teve que começar mais tarde. Se você acompanhou o Clube de Escrita, você viu o sofrimento. 

Lembrei agora que no início de novembro eu ainda acabei escrevendo outra história pequenininha de uma vez só, que eu gostei tanto que quando eu voltei para editar a hacker au, eu fiquei cheia de insegurança. Poxa, se foi tão fácil escrever uma história, será que eu to fazendo certo em me esforçar tanto nessa? Eu não vou conseguir ser tão boa outra vez!!! (spoiler: consegui chegar ao fim e gostar bastante)

Talvez a pior parte da edição tenha sido o final. (curiosamente, é onde tem alguns dos momentos que eu mais gosto agora!!) Porque desde a fase da escrita o final não foi planejado (todas as minhas 3 folhas de planejamento não chegam direito até o final). Eu pensei que a história ia terminar depois da missão. Tipo, você tem a batalha final e tudo acaba, certo? Mas acho que como eu tomei esse caminho de batalha interna, a última "batalha" da Clarke não deveria ser lutando, mas... aprendendo. Se dando conta. Se perdoando... Ok, eu não sei se fiz isso direito, ou deixei isso claro, mas eu fiz o que eu consegui. E a relação dela com a Lexa é fundamental pra isso. Pensando agora, acho que eu fiz de uma maneira legal, sim.

Outra insegurança da edição foi mais sobre o planejamento. Caramba, será que eu fiquei maluca? Será que eu preciso disso tudo? Será que existe uma forma fácil que os Escritores De Verdade sabem e eu não? Eu tava com medo de estar sendo idiota por fazer um planejamento tão detalhado (não só fiz todas aquelas fichas como eu literalmente listei todas as cenas escritas), mas foi o que eu consegui fazer e agora estamos aqui. De quebra, um tempo depois minha amiga Duda me mandou umas imagens do planejamento da JK Rowling pra Harry Potter e eles são bem parecidos com o meu!!!

Enquanto os meus os capítulos ficam em cima e os momentos do lado, o dela é o contrário


Se isso aqui já não tivesse enorme, eu acho que ainda pesquisava mais um Antes x Depois pra mostrar como algumas coisas se transformaram na edição. Escrita é tipo uma batalha entre consciente e subconsciente. Pra mim é impossível saber TUDO o que tá acontecendo e todas as implicações de todos os detalhes, mas no fundo eu sei e às vezes parece que as coisas acontecem sozinhas. Eu acho que já falei isso num Clube de Escrita enquanto tava editando, mas: tem uns trechos da primeira vez que eu escrevi que é basicamente eu falando da personagem tipo "ela tá triste, ela não sabe o que fazer, ela blablabla", e tô eu lá editando de boa e, quando eu chegava nessa parte, via que tinha acabado de escrever uma cena que já dizia tudo isso sem eu ter que falar.

A moral aqui é: confie na sua história. 

Capítulo 5: Revisão

Depois de todo os paranuê e de finalmente conseguir chegar ao final, a história foi esquecida. Eu tinha que correr atrás do tempo perdido no NaNoWriMo, escrevendo mais 50 mil palavras, e ainda fui viajar...

Comecei a Revisão em dezembro só, que foi usada mais pra 1) ajustar detalhes e 2) teste de fluxo de leitura. Os detalhes eram tipo, confirmar se eu usava os mesmos termos ao longo da história (na história existe o Weather, que é tipo uma versão do tumblr nesse universo, e eles têm asks, timeline, repostam... e na escrita/edição eu usei termos diferentes pras mesmas coisas tipo, reblog e repost, então eu ajustei pra um só). Na história eles também falam muito "você tem 3 dias pra fazer isso", só que eu nunca contei realmente quantos dias se passaram e cada hora falava uma coisa "2 dias", "3 dias", "4 dias", então eu fiz a contagem exata e arrumei (durante a edição deixei toda vez que acontecia marcado em vermelho, foi só um trabalho de substituir). 

Tô dizendo isso porque às vezes isso é algo que prende as pessoas. Você tá lá de boa escrevendo e acha que tem que parar tuuudo pra contar. O João mesmo conversando sobre o conto dele enquanto escrevia disse que tava preocupado com alguns detalhes que não batiam. Minha forma de lidar é: faz uma anotação e vai em frente, você sempre pode melhorar depois.

Na imagem: só uns rabiscos anotados no papel contando os dias e o que aconteceu em cada
Papel que tava do meu lado enquanto eu revisava. Depois eu mesma me perdi nos dias, mas ok
Ali também marcação pra me lembrar que juntei os capítulos 3 e 4 em um só
(as carinhas não tem nada a ver)

Acho que as 2 maiores mudanças durante a edição foram 1- Tinha um dia gigante na história, então pra ser plausível eu precisava fazer algum ajuste. Considerei dividir o dia em 2, mas isso seria muito prejudicial pra narrativa. (tipo, MUITO. o que acontece no final tinha que ser o mesmo dia do que acontece no início) Então o que eu fiz foi começar o dia já na madrugada e terminar na outra madrugada. Um dia que dura mais de 24 horas! 

2- A divisão de capítulos. No fim da edição eu tinha 13, na versão final eu tenho 11. Eu não lembro nem quando ou quais capítulos se misturaram, mas fez mais sentido (eu não cortei nenhum capítulo, não). Ainda mais que isso fez todos terem mais ou menos o mesmo tamanho, umas 12 páginas. 

Foi quando eu defini os títulos finais dos capítulos. Depois da edição eu já tinha escolhido, mas os únicos que ficaram foram os 2 últimos: Destrua os seus demônios (subtítulo acrescentado: Terapia Blake), e é baseado no "slay your demons" que o Bellamy e a mãe do Bellamy usam na série! (slay é uma palavra muito melhor que destrua pf) e Stop Talking in Codes, que saiu da música da Ellie Goulding e também é de onde saiu o título da história: Codes.



A fanfic Codes não foi baseada na música Codes, até porque quando eu comecei a escrever o cd da Ellie Goulding não tinha saído, mas acho que se encaixa bem e ainda tem tudo a ver com o clima de "hacker au". Elas se conhecem no meio de códigos, certo? 

Pra ter ideia, o capítulo mais rápido que eu REVISEI levou uma hora. E eu devo ter amnésia, porque eu sempre esquecia que era só a revisão! Toda vez que eu abria um novo capítulo pra revisar e via tudo já escrito ficava aliviada por lembrar que não era nenhum trabalho grandioso. Só ler, ajustar os trechos que eu tropeçava na leitura, e ir em frente. 

Capítulo 6: Revisão Final

Depois de terminar eu fazia uma última leitura, a Revisão Final, que é só uma última verificação e tentando pegar erros de digitação ou qualquer coisa que poderia te escapado. Pronto. Salvava, colocava uma cópia na pastinha com as minhas amigas e avisava que saiu. 

Uma regra que eu tô me segurando pra não quebrar é: assim que eu colocava na pastinha das minhas amigas, considerava publicado. Não posso mudar mais. Acabou. Adeus. Fim. Salvo pra sempre. 

Acho que é importante dizer chega e ir em frente. 


OBS: Uma coisa importante é que essa é uma ~hacker au~, então as personagens sabem invadir sites e fazem uma invasão durante a história. Teoricamente, eu deveria pesquisar melhor sobre as possibilidades. Como invadir uma um lugar com sistema de segurança? Como invadir o site? Até que ponto uma pessoa comum de boa pode ~hackear~ uma rede social? Hackers de verdade se chamam de hacker ou é só um nome inventado por gente que não conhece??? Essa é toda a parte de pesquisa, que aqui poderia ter entrado ali na fase de Planejamento ou até na Revisão pra ver se tudo é plausível mesmo. Mas eu sinceramente não tava com vontade e, no caso, é só uma fanfic. Pode ser um daqueles casos em que a pessoa que sabe das coisas lê e fala "wtf, isso não é possível". Mas foda-se. Tipo, eu acho que a gente tem que buscar fazer algo plausível, pesquisar detalhes se puder. Mas não deixar de escrever por causa disso. Inúmeras histórias eu parei/deixei de escrever porque "ah, eu não sei o bastante pra escrever isso". Ainda mais pra quem tá começando tipo eu, que me esforço muito pra conseguir completar uma história e escrever algo que ao menos possa ser lido, achar que TEM QUE ser uma maneira pode ser um empecilho enorme. Pra que adianta se preocupar em pesquisar se no fim você não tem história nenhuma? Ou: é melhor uma história com uns dados estranhos do que nenhuma história.

Capítulo 7: Considerações finais

As minhas amigas foram muito importantes. Elas são basicamente o público-alvo a história, elas não estão me fazendo nenhum favor lendo. Elas leram porque era uma história que elas queriam ler. (ASSIM ESPERO) E quando termino de escrever não tenho ideia. Eu não tenho senso crítico quanto às minhas histórias. É um ato de fé mesmo, porque não faço ideia do que tá acontecendo HUAHUAHUAHAUH Agora que eu tô recebendo alguns comentários sobre a história, tô surpresa que as pessoas tenham achado engraçada!! Nem passou pela minha cabeça, "oh, vou fazer uma escrita divertida aqui", foi mais "vou fazer o melhor que eu posso" segura na mão de deus e vai.



E descobri que sou MUITO insegura com as histórias que eu escrevo. Minha amiga passa 1 dia sem responder já acho que é porque ela achou uma merda e tá me evitando HUAHAUHAUH Então é bom ter um feedback positivo de pessoas em quem eu confio. Até agora ninguém disse exatamente o que eu posso melhorar, parte de mim acha que está rolando uma conspiração pra não me contar os ruins. Ou que as pessoas vão olhar minha história "coitadinha escrevendo história de romancezinho de the 100, pobre alma" ou "que bobeira isso de hacker, você tem o quê? 7 anos? você REALMENTE acha isso legal?" Eu fiquei até com vergonha de postar no twitter. Como eu posso postar falando sério sobre ISSO? 

Acho que isso é o que a Amanda Palmer de polícia da fraude e eu me esforço pra cortar logo esses pensamentos toda vez que eles aparecem. Eu lembro que eu gostei de escrever a história, que eu aprendi, eu tem momentos que são muito amorzinhos e que tem gente pra quem isso tem valor. Hoje eu recebi um comentário que dizia "Devo dizer que eu li a parte da corrida pelo menos três vezes" e isso faz as coisas valerem tanto a pena. (e quando fui pegar esse trecho tinha mais 2 comentários novos!!!) 

O João também foi muito importante. Primeiro, porque eu podia dar spoiler pra ele HUAHAUH E ele me aguentou falando sozinha desesperada enquanto escrevia, porque eu não sabia como fazer um final e nada fazia sentido. E depois só o fato dele estar ali escrevendo o conto dele determinado a entregar a tempo (antes do fim do ano), me deu a força que eu precisava pra terminar a hacker au antes do fim do ano como eu queria. Eu literalmente terminei uns 2 minutos antes do fim do ano. Foi legal terminar e começar um monte de fogos. Vamos fazer isso mais vezes. HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHA



(acho que tem algo mágico sobre virar o ano fazendo algo que você gosta muito)

Escrever essa história foi meio que uma aventura. Essa é a maior história que eu finalizo, e talvez uma das histórias mais recompensadoras. Tem uns momentinhos que eu gosto MUITO - pf todo Octavia/Clarke e irmãos Blake e eu me derreto, tô nem aí que fui eu mesma que escrevi. E eu gosto dessa versão da Lexa, que eu descreveria como o Paul descreve a Sarah em Orphan Black: “punk rock ho”. (se eu escrevesse em inglês teria usado isso) Mas também adorei que ela me lembra um pouco à Lisbeth de Millennium (hacker?). Isso me fez imaginar a Alycia Debnam-Carey vestida como a Rooney Mara no filme... BABY LISBETH. E o principal: eu consegui integrar bastante redes sociais e cultura de fandom na história. Uma coisa que me irrita muito em história contemporânea é que parece que internet nem existe e, para além das fanfics, quando eu for escrever histórias que se sejam de hoje em dia eu não quero apagar essa realidade. Então essa hacker au me ensinou bastante sobre como fazer essa integração.

A ilustração linda da capa é do Pascal Campion


Vou deixar aqui também o resumo das etapas:
1- Escrever até o fim
2- Planejar
3- Editar
4- Revisar
5- Revisãozinha final

Até fazer esse post eu não tinha nem considerado o planejar como uma etapa real, mas é. E normalmente as pessoas começam já planejando e fazendo fichas de personagens e blablabla, mas isso não funciona comigo. Eu não sei nem o que eu to fazendo ainda! Mas eu definitivamente faço depois.

Espero que você tenha gostado desse meu mini-diário de como foi escrever (alguém leu???) e foi legal pensar nessas coisas. Até revisando esse texto eu me diverti! Eu espero que isso te ajude a escrever as próprias histórias. <3

Link para ler Codes

TAGS: , , , , , , , , , ,

Mostre para o autor o que você achou Recomende:

MAIS CONVERSAS QUE VOCÊ VAI GOSTAR

1 comentários

  1. Foi muito bom você contando como foi seu processo! Esse negócio de escrever primeiro planejar depois: MARAVILHOSO. Eu fazia isso quando escrevia, quando tento fazer o contrário não escrevo (?) SOCORR

    Eu meio que editei um conto esses dias, igual comentei no twitter, mas não sei se você entendeu o que eu tava falando AHAHAH... Enfim, a edição foi muito frustrante e cansativa. E não porque as coisas não tavam se encachando ou algo assim, porque ler de novo e de novo, cansa. E chegou um momento que eu tava lendo, mas meu cérebro tava em outro lugar, ai quando vi, eu já tinha cansado e decidi que não ia mais mexer naquilo...
    Eu quero te mostrar esse conto, porque sua opinião é importante, mas parte de mim quer mudar ainda, então não sei quando vou fazer isso, pode ser hoje ou mês que vem ajdgagdafda


    Eu adorei esse negócio de como cada elemento se desenvolve em cada cena. tipo, MUITOO. Preciso anotar isso, porque pode ser útil e salvador de vidas no futuro!

    Eu sempre lembro de você falando que a mulher pode ser qualquer coisa, a mocinha, a vilã, a figurante lá no fundo... mas ainda difícil fazer isso na prática. Pelo menos, dá para mudar na edição :)

    Acho que uma pessoa pra qual você pode dar spoiler é muito MUITO importante. Porque é necessário alguém pra ajudar a gente a desembaralhar a confusão na nossa cabeça, se não...

    Vou ligar meu sensor critico no máximo só pra tentar achar algo pra dizer em que você pode melhorar jagdadgad Insegurança pior coisa, mas Parabéns por ter acabado, e mostrado pro mundo!! <3

    Queria ter lido esse post ontem quando eu não tava toda cheia de sono, vdd.

    achei sua nova bio ótima também!

    ResponderExcluir

Posts Populares

INSTAGRAM


Instagram

FALE COM A GENTE!

Nome

E-mail *

Mensagem *