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Pornoliterário: Priest, de Sierra Simone

6.9.15Elilyan Andrade


Uma leitura quente como o pecado

Quando me indicaram o livro Priest, de Sierra Simone, fiquei com os dois pés atrás. O livro mexe com um tabu: sexo com um homem de Deus. Logo no primeiro momento julguei que o livro seria uma especie de O Crime do Padre Amaro com cenas de sexo mais explícitas. Ledo engano. Diferentemente do livro do escritor português Eça de Queirós, ao ler Priest, me vi torcendo pelo padre pecador. 

"Eu era um padre. Fui empossado por Deus a não reconhecer nenhum corpo enquanto eu viver - nem o meu próprio corpo, se vamos entrar nesse assunto. Então não estava bem em ter o tipo de pensamentos que eu tinha sobre Poppy. Eu deveria ser o pastor do rebanho, não o lobo”

Priest conta a história de Tyler Bell, que, após sofrer uma grande tragédia, se volta para Deus em vez de se revoltar com Ele, se tornando padre. Anos mais tarde, alegre e satisfeito com sua vida dedicada à obra do Senhor, padre Bell se depara com Poppy Danforth. Apesar de não ser religiosa (e muito menos católica), Poppy, por se sentir culpada, vai se confessar. A conexão entre eles é instantânea. 

Não posso comentar mais nada sobre a trama por causa dos SPOILERS, mas posso confessar (olha o trocadilho) que a história do padre Bell e da Poppy mexeu comigo de forma pessoal, pois assim como eles sei o que é pecar, ter ciência do meu pecado e continuar pecando porque a sensação do prazer é maior que a culpa. Sierra Simone brilhantemente não criou apenas literatura erótica de qualidade, mas também uma história sobre amor, fé e perdão que me ajudou a reafirmar minhas crenças na compaixão de Deus. 

“E então o que eu tinha feito hoje?... Traído todos eles. Mas não foi isso que fez as minhas mãos tremerem e minha garganta apertar. Não, foi à constatação de que eu tinha traído a Deus, talvez mais do que eu tinha traído as pessoas nesta sala.…E o pior era que eu sabia que Ele não estava com raiva de mim. Ele tinha me perdoado muito antes de acontecer, e eu não merecia isso.”

Um fato interessante de Priest é a preocupação da autora com o feminismo, em deixar claro que tudo que acontece entre os protagonistas é consensual e em criticar o senso de que existe “mulher pra casar” e “mulher pra foder”. Assim como Acesso aos Bastidores, Priest vem para criticar o slut shaming e tratar sobre a liberdade sexual feminina sem medo. Ao longo da história, Poppy deixa bastante claro que o fato dela gostar de sexo selvagem e de ser chamada de cadela e vadia na cama não significa que ela seja uma pessoa desequilibrada e que aceitará ser tratada de forma degradante fora do quarto. É muito bom ver que existem escritores contemporâneos de literatura erótica que sabem explorar a sexualidade de forma respeitosa. 

“Quase todas as variações do cristianismo tinham sido no negócio de suprimir o sexo e sua diversão, mas suprimir desejos não desaparece simplesmente. Elas inflamam. Eles criaram culpa e vergonha e, no pior dos casos, os desvios. Nós não tínhamos vergonha de desfrutar de comida e álcool com moderação - mas por que estávamos com tanto medo do sexo?”

Apesar de Priest estar bem cotado na Amazon (possui em média 4,5 estrelas) e de ter gostado do livro, vi alguns defeitos que precisam ser comentados: a capa é feia, não no nível “ai meus olhos!”, mas no nível “que capa sem graça. vou ler isso não, porque parece chato” (vou nem comentar que faltou criatividade para o título). E o livro é basicamente todo escrito dentro da visão do padre Bell (fora os momentos em que a Poppy tá se confessando e do capítulo final), o que me fez não ter grande empatia pela Poppy. 

Por último, e o mais importante motivo que quase me fez não indicar esse livro: algumas cenas de sexo são complicadas de ler considerando o teor religioso. Apesar de não ser mais católica, sou cristã, o que tornou Priest difícil de digerir em alguns momentos. Simone possui um grande talento em escrever cenas escaldantes, mas ao mesmo tempo em que me vi pegando fogo, bateu uma culpa enorme. Agora se você, diferentemente de mim, não tem problema nenhum com esse tabu, vai na fé e se jogue nos braços do padre Bell. 

“...E antes que eu pudesse me parar, pensei, eu quero meu pau nessa boca.
Eu quero essa boca chorando meu nome.
Eu quero...
Olhei para a frente da igreja, para o crucifixo.
Me ajuda, orei silenciosamente. Se trata de algum tipo de teste?”

3,5 orgasmos. Priest é um livro para quem procura bons personagens, cenas quentes e tabu 

***

Livro: Priest

Autora: Sierra Simone

Editora: Kindle Direct Publishing (autopublicação da Amazon)

Páginas: 273

Comprar: Amazon











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7 comentários

  1. Como eu já tinha te falado, ainda estou dívida entre ler e não ler, mas provavelmente lerei sim, se vou chegar até o fim é outros 500 hahahahahhahah.
    Adorei sua resenha, e acho q a história na visão do Bell foi uma sacada, é sempre a mulher q conta as histórias, mudar um pouco faz bem.

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    1. E eu que ainda não li aquele livro de época que você me indicou? AUHAUAHA Somos devedoras mesmo!!! Adoro livros com a perspectiva masculina (na verdade os meus preferido são aqueles que alternam entre os protagonistas).

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  2. Como eu já tinha te falado, ainda estou dívida entre ler e não ler, mas provavelmente lerei sim, se vou chegar até o fim é outros 500 hahahahahhahah.
    Adorei sua resenha, e acho q a história na visão do Bell foi uma sacada, é sempre a mulher q conta as histórias, mudar um pouco faz bem.

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  3. Estou doida pra ler esse livro, curto muito um livro erótico e mais ainda um tema tabu, sou católica e mesmo assim essa resenha me deixa ainda mais ansiosa em conferi essa história.

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    1. Milena, leia, leia sim! Você não vai se arrepender. Priest é um bom livro, que incomoda em algumas cenas, mas também tabu, né?

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  4. Li esse livro a não muito tempo e senti tudo isso que você falou. Você tirou as palavras da minha cabeça! Não tive muita dificuldade em ler as cenas de sexo, mas achei a maioria meio inconcebível como na cena em que eles fazem em frente do altar ou em outros cantos da igreja e, apesar de autora dizer que era bonito e etc, simplesmente não consegui ver isso só achei que era muita falta de respeito por mais que tentei ver da forma que a autora falou isso não me entrou. Mas de resto é um livro muito bom :)
    Estante de uma Fangirl

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    1. Verdade Daniele, era muita falta de respeito usar o óleo de consagração para sacanagem. No geral o livro é bom e extremamente quente.

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