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Pornoliterário: O Amor Natural, de Carlos Drummond de Andrade

28.8.15Elilyan Andrade


Conheça a faceta erótica do escritor considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX.

Desde o começo do Pornoliterário eu quis trazer poesia, pois o intuito da coluna é indicar, ou não, a leitura de literatura erótica e pornográfica em suas mais diversas formas. E, finalmente, a oportunidade chegou.

O Amor Natural reúne os poemas da faceta quase desconhecida do poeta Carlos Drummond de Andrade. Publicado cinco anos depois da morte do mineiro, é aquele típico livro semi desconhecido que merece ser lido, relido e comentado. 

QUANDO DESEJOS OUTROS É QUE FALAM

Quando desejos outros é que falam
e o rigor do apetite mais se aguça,
despetalam-se as pétalas do ânus
à lenta introdução do membro longo.
Ele avança, recua, e a via estreita
vai transformando em dúlcida paragem.

Mulher, dupla mulher, há no teu âmago
ocultas melodias ovidianas.

Sem a característica melancólica do poeta, os poemas de O Amor Natural são impregnados por versos intensos e despidos de qualquer pudor ou moralidade. Drummond descreve o sexo na sua forma mais primitiva, carnal e honesta, sem melindres e eufemismos. O autor não tem medo de desbravar, assim como um amante, o corpo. Sêmen, vulva, pênis, bunda, suor e o ato em si são expostos de forma natural (não é à toa que o livro se chama O Amor Natural).

O CHÃO É CAMA

O chão é cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.

Escrito em meados dos anos 70, é bastante perceptivo que o poeta não teve problema nenhum em transitar entre o erótico e o pornográfico (mesmo que esse fosse o maior medo do mineiro). Os poemas de Drummond são de tamanha magnitude que é possível, em alguns momentos durante a leitura, sentir o cheiro do suor e outros fluídos corporais. É fácil visualizar o coito entre os versos livres. 

A CARNE É TRISTE DEPOIS DA FELAÇÃO

A carne é triste depois da felação.
Depois do sessenta-e-nove a carne é triste.
É areia, o prazer? Não há mais nada
após esse tremor? Só esperar
outra convulsão, outro prazer
tão fundo na aparência mas tão raso
na eletricidade do minuto? Já se dilui o orgasmo na lembrança
e gosma
escorre lentamente de tua vida.

De modo geral, a poesia erótica de Drummond é um sopro de frescor por apresentar a cópula sem alegorias ou acessórios, mas apenas destacando os corpos e o ato sexual da forma mais crua possível. Os amantes, seus sentimentos e corpos são os objetos expostos brilhantemente em O Amor Natural

Para finalizar, quero lembrar que O Amor Natural faz parte da nova coleção de Drummond que foi lançada pela Companhia das Letras. Infelizmente o livro é o único da coleção que possui uma capa HORROROSA! Sério, Companhia?! Observo, olho, observo e olho para essa capa e não consigo gostar, por mais que ela me lembre, em alguns momentos, fotos de órgãos sexuais. Mesmo assim, não consigo enxergar o erotismo e a sexualidade da poesia. Essa capa é um desserviço à beleza da obra.

5 orgasmos!! Me peguei sorrindo maliciosamente durante a leitura ;D
***

Livro: O Amor Natural

Autor: Carlos Drummond de Andrade

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 112













Obrigada, Companhia das Letras, por ter cedido um exemplar do livro.

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1 comentários

  1. Elilyan, fiquei apaixonada. Amo poesia e não conhecia esse livro, preciso ler. Lendo só os treichinhos que vc citou, meu coração já palpitou. Realmente, preciso ler esse livro.
    Vinicius de Moraes tem uma pegada maos leva do que a exposta nesse Amor Natural, mas amo a sensualidade e duplo sentido em muitos dos seus poemas, tanto é que ele é meu poeta preferido.

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