CCMúsica Coming Home

Para quem gosta de música: Leon Bridges

18.8.15Colaboradores ConversaCult


Não sei vocês, gente, mas eu curto pra caramba me aventurar pelas coisas novas que conheço, seja por meio de alguma pessoa ou da Internet (que super facilita), principalmente no que diz respeito a uma das minhas maiores paixões: a música.


Todo dia, eu tô lá, estudando, arrumando o quarto, comendo, sempre tô com uma música – na cabeça ou no pc, no celular, tocando. Nesses dias, muitas vezes já me aconteceu de cair a ficha e perceber uma coisa péssima: enjoei das minhas playlists todas. Não tenho mais nenhuma música nova! E agora? O que eu faço? Sim, vou no YouTube e procuro por vídeos que tão fazendo sucesso lá, ou que aparecem por acaso. 

Quando você já curte um gênero específico, beleza, já vai lá, dá meia dúzia de cliques e mais ou menos aparece um círculo de intérpretes, com características em comum, enfim, essas coisas. Mas e quando você vai do tecnobrega à ópera sem preconceitos, como eu? O que ouvir? O que não ouvir? É tenso! 

Tive uma sorte, um dia desses, de conhecer alguém que faz uma música boa e que foge por completo do comum ou do que a gente tem ouvido por aí – ingredientes indispensáveis para a degustação da música ser mais satisfatória, pelo menos pra mim. 

Então, eu conheci um cantor super jovem (ele tem 26 anos) chamado Leon Bridges, que acabou de lançar seu primeiro disco no fim de junho, chamado Coming Home, que você pode ouvir na íntegra e de graça (o que é ainda melhor) aqui:


(se preferir, o disco também está disponível no Spotify.)

O disco saiu pela Columbia Records, uma importante gravadora dos EUA que tem no catálogo só gente biscoito fino tipo a deusa Queen B (a.k.a. Beyoncé), a Barbra Streisand, o AC/DC... Enfim, só a galerinha que a gente ouve, chora, se inspira e admira. 

Esse é o Leon Bridges.

Mas o fera da história é que ele foi sondado por quarenta (sim, 40!) gravadoras americanas após ter finalizado o trabalho, o que foge do comum desde aí, porque o lance é que depois de ter um contrato devidamente assinado é que o artista constrói o conceito do álbum, recebe as demos pra um futuro CD (nossa, alguém ainda fala isso? “Gravou um CD”? Estranho...), enfim. Ele fez tudo e ficaram de olho no trabalho dele, que foi gravado à moda antiga: sem muitos artifícios e com a banda tocando junto com ele enquanto ele tocava. Massa demais!!!

O grande diferencial de Leon é que ele faz a gente voltar uns cinquenta anos no tempo com uma pegada super James Brown (aquele do I feel good *tanananan* [sic] do Professor Aloprado, lembra? Tenho certeza que sim!), um pouco dos mestres Sam Cooke e Stevie Wonder, e até mesmo um pouquinho das divas Aretha Franklin e Mariah Carey (essa principalmente no início da carreira, que à época era da mesma gravadora que ele, olha que legal), com todas aquelas canções que falam de amor, de religião, de paixão, enfim, sem dispensar uma boa banda, que esteja bem sincronizada, em sintonia e passando emoção pra gente. Já ouvia essas coisas há um tempo, então foi paixão à primeira vista. 

Sem muita dificuldade, consigo definir a alavancada na carreira dele como uma surpresa mais que agradável aos nossos ouvidos, entrando num profundo contraste com o que a gente ouve com mais frequência hoje em dia, que é tudo mais eletrônico e menos genuíno, principalmente no quesito ouvir a um disco todo e não só baixar as músicas que a gente gosta. É um disco que apresenta um “corpo indivisível” tal como um átomo. Particularmente não vejo motivo para pular uma faixa que seja desse disco. Mas enfim, a questão de não ouvirmos mais a um disco todo como antigamente tornaria essa discussão longa demais, talvez chata demais para agora e mereça, quiçá, um post próprio. Voltando ao Coming Home (em tradução literal “Voltando para casa”), vamos falar um pouco sobre sua estrutura e faixas que mais curti.

Capa do Coming Home. Não parece de vinil, gente?!
Como muita gente diz, um bom álbum começa ou se reconhece pela capa. Isso me aconteceu com a capa do single que dá nome a ele, e foi assim que o conheci, ainda antes do disco todo sair. Sua imagem me remete a uma era vinil, rádio e microfones grandes e redondos, além de uma plateia extasiada. Acho que o motivo da minha paixão foi a falta de pretensão da sua música (que talvez tenha sido proposital, não sei) e a interação positiva com o que ele tem a oferecer: soul music. Leon não é uma celebridade, ele faz música e não tenta passar outra imagem que não a de alguém que faz – e muito bem feito, diga-se de passagem – aquilo que gosta. É contagiante. 

Coming Home tem 10 faixas (um bom pretexto para ouvi-lo por inteiro. É curtinho. Mal começo a arrumar o guarda-roupa e já terminou... #tenso), e nessa tracklist tem umas músicas que, na minha humilde opinião, merecem um super destaque, que são:

  • Coming Home: dá uma sensação de que a gente já ouviu antes por conta da sua fórmula, que parece não falhar nunca. É romântica e tem aquela pegada “namora comigo?” que todo mundo gosta (até você, não mente pra mim!!!). Lembra bastante a fórmula de My Girl dos The Temptations, tema daquela lindeza de filme que tinha o Macaulay Culkin, Meu Primeiro Amor, que todo mundo já viu e chora quando (re-) descobre que ele morreu atacado pelas vespas (vespas?). Uma graça <3. Assista ao clipe:



  • Better Man: sabe o seriado "Orange is the new black"? Então, parafraseando o título, “BETTER MAN” IS THE NEW “POR VOCÊ”. Não entendeu? Vou explicar. Ainda falando de amor, parece uma sequência, porque enquanto uma parece falar de começo de alguma coisa, essa parece um pedido de reconciliação (quem não erra, né? #tamojunto), e em determinado ponto, ele diz “O que eu posso fazer/para voltar ao seu coração?/Eu atravessaria o rio Mississipi/se você me desse mais uma chance, garota”! É ou não é algo tipo “Por você eu iria a pé do Rio a Salvador”??? Fala sério!!! E, oh, pesquisei sobre o Mississipi e não é lá um riacho, não, pelo contrário! Ele tá mesmo disposto a se tornar um “homem melhor”! Olha só que bacana o vídeo:


  • Shine: o elemento mais próximo do gospel. De forma linear, pontua a sua vulnerabilidade diante de Deus, sem soar necessariamente como uma música religiosa. É uma faixa curta, mas que nos lembra o quão falhos podemos ser, às vezes. Recomendada independente de crença. Essa você pode ouvir na playlist, láááá em cima. :3

Bom, esse foi um pequeno resumo sobre o que achei das faixas desse álbum que já tá no meu celular e figura a lista dos meus favoritos ever. Leon já tem clipes gravados e recomendo que assistam. Basta jogar no YT e ser teletransportado para a era do rádio. Se curtir o post, ouve aí e me diz o que achou, tá? 

Beijos
Jhonatan Zati

Sobre o autor: bom, meu nome é Jhonatan (mas não é Johnny), estudo Letras desde 2013, tenho 20 anos e sou um apaixonado por artes, principalmente por música e literatura. Entrei pra facul com um propósito, mas agora eu acho que quero ser crítico, daqueles que assistem e leem as coisas pra dar nota, saca? No mais, sou viciado em tentar perceber um contexto histórico-social por trás de tudo. Arrisco uns poemas e é por meio deles que tento alçar voos antes inimagináveis. É isso, acho. Indeciso, questionador e um pouco blasé. Prazer! :-)

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