agender Bruce Jenner

Escrevendo sobre Caitlyn Jenner (e pessoas trans)...

17.6.15Dana Martins


Recentemente eu tive a oportunidade de ajudar o meu amigo Vics a escrever um texto sobre a Caitlyn Jenner. Ele queria falar sobre um episódio específico do reality show que ela participa, chamado "About Bruce", onde mostra a Caitlyn falando pra família que é uma mulher transgênero. E todo o processo da família tentar entender o que isso significa. "O meu pai agora é uma mulher?" Não. O seu pai sempre foi uma mulher, e é esse tipo de confusão que me trouxe até aqui.

Quando ele me mandou o texto, com o título de "Bruce Jenner", eu fiquei um pouco receosa. Quando eu abri... foi uma leitura atraente, informativa (eu não sabia direito sobre o reality show, nem detalhes do episódio), mas também é interessante porque ele deixa claro que não entende muito o assunto, enquanto se esforça pra abraçar a Caitlyn Jenner como ela é, o que a própria família tentava fazer no episódio. O que eu mais gostei é que o texto reflete esse ponto de confusão entre "Eu aceito e apoio as pessoas trans. Eu não sei nada sobre pessoas trans." que eu acho que é como muita gente se sente agora. Eu inclusive, até porque eu pensava que não sabia nada sobre pessoas transgênero.

Eu tava enganada. 


O texto tratava a Caitlyn como Bruce, misturava ser transgênero com orientação sexual, tinha comentários sobre a cirurgia que "faltava"... e mais um monte detalhes. Como você vai falar pra o seu amigo isso? Aqui o que eu disse: "Dá até pra dizer que o seu texto é transfóbico. Se não isso, é ofensivo, causa apagamento e reproduz ideias erradas sobre as pessoas transgêneros. E olha que eu nem sou autoridade no assunto (não poderia ser)." E ele ficou tipo COMO????

E aí começou a nossa jornada. Ele quis entender o que tava fazendo e o que mudar. Nós tivemos uma longa discussão, aprendemos muito sobre como tratar pessoas trans* e passamos o texto por várias revisões. Nisso ele até deu a ideia de fazer um post no CC sobre isso. Aqui estamos.

Eu vou compartilhar aqui algumas das minhas observações pra ter em mente quando você for falar de uma pessoa trans. E se você lendo isso ver qualquer forma de melhorar, por favor, me diga.

TORNOU-SE

Acho que o que eu mais editei no texto foram 9289829823 "tornou-se" usado pra dizer que a Caitlyn "virou" mulher. Acho que essa confusão vem do fato de que não tá claro o que é transgênero e que ninguém se transforma em outro gênero. Gênero é uma questão de identidade, quem você sente que é no mundo e como você quer ser. A questão é que nem sempre o gênero designado - o que dizem que você é quando nasce - é o seu gênero real. Essas pessoas são as transgênero. É tão simples assim: o seu gênero não é mesmo do seu sexo designado. Basta isso e apenas isso pra pessoa ser trans. Ela não precisa trocar órgão sexual, não precisa trocar de roupa, não precisa mudar de nome... não precisa de nada.

"Eu não estou dizendo adeus a mim... Porque isso é quem eu sempre fui."


A Caitlyn Jenner sempre foi mulher, só que foi criada como homem e, por muito tempo na vida, acabou se expressando da forma que diziam que ela deveria ser. Quando a gente conversa sobre isso é importante pensar que vivemos em um contexto específico e na nossa cultura não existe a inclusão das pessoas trans. Alguém alguma vez na sua vida já te perguntou como você escolheu o seu gênero? Já te mostrou as possibilidades de gênero? A nossa cultura é cis-normativa, o que significa que a gente pensa como se só existissem pessoas que se identificam com o gênero designado no nascimento. 

Então, pras pessoas trans, normalmente elas têm que se dar conta de que não é isso que tão dizendo que ela é. E é um processo complicado. Às vezes a pessoa não sabe nem que existe a possibilidade. Ou se tortura achando que tem algo errado com si mesma. Ou não mora em um lugar que ela pode ser quem é com segurança. Muita gente trans está fora do armário na internet, mas não em casa porque não é seguro. (continua sendo trans)


Eu não quero reforçar a parte ruim, eu não acho que eu tenho o direito de escolher qual narrativa sobre as pessoas trans mostrar, mas ela existe. E eu acredito que seja por isso que muitas pessoas levam anos para chegar ao ponto em que elas decidem mostrar pra o mundo quem realmente são.

Se você consegue entender o Super-Homem, você consegue entender uma pessoa trans.

Ela sempre foi Caitlyn, mesmo quando usava o nome de Bruce. Sei lá, imagina isso como um super-herói. Não é tão difícil pensar que o Super-Homem é o Super-Homem, mas durante o dia se veste como o tedioso Clark Kent para ninguém saber. É uma identidade falsa. Assumida pra poder ter uma vida comum. Quando o Clark abre a camisa e vai pra o céu, ninguém fica dizendo que ele "tornou-se" o Super-Homem ou virou um novo homem. O tempo inteiro ele é o Super-Homem.

"Eu vejo dessa forma: Bruce, sempre dizendo uma mentira. Ele vivia uma mentira sua vida inteira sobre quem ele era. Eu não posso fazer mais isso."

E já que estou usando essa metáfora aqui. Existe, sim, um momento específico na vida em que ele assume o manto do Super-Homem. Ele não nasceu usando capa vermelha e cueca por cima da roupa. Mesmo que ele sempre tivesse os super-poderes, ele foi criado em uma cultura comum com o nome de Clark Kent e controlava essa parte de si, não tinha certeza do que aconteceria se os humanos descobrissem ou até mesmo não sabia que era possível ser um alienígena. Então demora até ele ficar confortável com a própria identidade e sair do armário como seu verdadeiro eu - Super-Homem. Uma coisa parecida acho que acontece com as pessoas trans - elas são criadas como uma pessoa cis (cis = se identifica com o gênero designado) e acabando tendo que passar por um processo de assumir sua verdadeira identidade.

"Clark Kent era a "máscara" e Kal-El a pessoa" - texto do Wikipédia sobre Super-Homem

A TRANSIÇÃO

O processo que você vê uma pessoa passar de "transformação" entre gêneros, que é o que tá acontecendo agora publicamente com a Caitlyn Jenner, é chamado de transição. A pessoa não está mudando quem ela é, a pessoa está deixando as roupas falsas de Clark Kent para trás e readaptando a imagem pra mostrar quem realmente são. Um porém: a transição não é uma coisa padrão. Não é tirar o terno e colocar um vestido. Depende muito da pessoa trans e com o que ela se identifica. Algumas querem cirurgia, outras não. E tudo isso é ok. A pessoa não é menos nem mais trans pelo tipo de roupa que tá vestindo ou como seu corpo é.



O que dificulta a entender isso são outros conceitos errados espalhados pelo senso comum. O primeiro é de que órgão sexual determina gênero. Tipo, você tem um pênis, você é homem. (se você se identifica como homem, então precisa de um pênis! errado) É uma definição bem excludente e não é verdadeira (vou falar mais sobre gênero em breve no CC). O segundo é que tipo de roupa também determina gênero. Uma coisa que eu encontrei no texto do Vics é descrições tipo "roupa DE MULHER". Como se vestir uma saia mudasse quem você é. É ao contrário. A pessoa que usa a roupa é que determina o que a roupa é. Médicos usam um jaleco branco, que vira roupa "de médico". Mas você não começa a ser nem deixa de ser um médico por estar usando ou não jaleco. O que é um exemplo ruim, porque médicos são criados, pessoas trans não. Vamos voltar para o Super-Homem: ele continua sendo o Super-Homem usando ou não o uniforme de super-herói.

Eu to sendo óbvia? Eu não sei, porque parece óbvio e as pessoas continuam confundindo e dizendo "de mulher" ou "de homem". Eu mesma, em um post antigo, fiz uma análise sobre umas imagens de princesas da Disney usando terno e escrevi "princesas vestidas de homem". Elas não viraram homem trocando de roupa! Isso nem faz sentido.


Isso me fez pensar na personagem Nomi Marks (acima) - uma mulher trans interpretada por uma mulher trans - que usa umas roupas bem neutras. Camisa quadriculada, calça jeans. Passar pela transição não significa virar o estereótipo de feminino ou masculino que vem na sua cabeça.

O que tá acontecendo é remodelar a parte visual (expressão de identidade). A Bells fez um post sobre como roupa reflete a identidade. E a pessoa trans na transição tá adaptando a identidade - encontrando um super-uniforme  que a represente, seja lá qual for. 

Vale lembrar: A nossa sociedade não é adaptada pra lidar com pessoas trans. As cirurgias são caras. Então não é, tipo, Cinderela.

Tyler Ford se identifica como agender, aqui um texto em inglês sobre transição


Até porque esses não são os únicos gêneros que existem. Gênero é uma ideia construída pela nossa cultura e, em outras culturas, existem outras noções de gênero. Assim como há pessoas que se identificam de outras formas (mais comuns: não-binário, genderfluid). Ou seja, a transição de alguém pode ser de qualquer forma. Pode ser um simples "o meu nome verdadeiro é X e quero ser chamado por esses outros pronomes". Ver alguém que você não consegue definir o gênero, ou que parece "mudar", não significa que a pessoa tá em alguma "transformação". Ela pode estar muito bem e confortável com quem ela é, não "falta" nada para ser seu gênero de verdade. 

Aliás, nunca falta nada. Mesmo quando estamos escondendo quem nós realmente somos, nós já somos isso. (?)

VALIDADE TRANS? 

Eu acho que to reforçando isso, porque no texto do Vics eu vi várias demarcações que indicavam a necessidade de um "selo de qualidade trans". Coisa mais ou menos como "para completar só fazer X coisa!" e "depois de ver que era legítimo". Curioso é que no próprio texto o Vics fala que a Caitlyn já fazia tratamento de hormônio há um tempo e conta a história de uma filha que a encontrou usando roupas consideradas femininas. Já indícios de que ela buscava lidar com a própria identidade.



Uma coisa que eu tava refletindo e dividi com a Bells:

Já parou pra pensar que a única forma de uma pessoa trans ser respeitada atualmente é se ela fizer toda uma mudança pra parecer 100% com o gênero que ela se identifica, abandonar toda a própria vida e ir viver em outro lugar onde não vão saber que ela é trans? E isso nem engloba todas as pessoas trans, porque algumas não querem fazer cirurgias plásticas pra adaptar o corpo, a maioria não tem nem dinheiro pra fazer isso de uma forma segura e as pessoas não-binárias ou genderfluid não têm nem essa opção. Isso sem falar de todo o processo pra chegar até lá. 

Imagina ter que pedir pra alterar o nome. Mas tem certeza de que o seu nome é Isabelle? Você foi no médico perguntar se é Isabelle mesmo? Há quantos anos você usa o nome Isabelle? Pediu pra o juíz se você pode ser Isabelle? Os seus pais aceitam que você seja Isabelle? 

Então escrever com esses indícios de dúvida de que a pessoa tá "no caminho certo" mesmo, de que ela confirmou, não só é uma repressão, como desvalida a identidade da pessoa trans. Vamos apenas não fazer isso. 

O QUE SÃO PRONOMES?

Se você é tão ruim em detalhes de português quanto eu: quando se fala em pronome numa conversa sobre pessoas trans, é como você vai usar a marcação de gênero falando da pessoa. Se vai usar o feminino, o masculino, se tanto faz, se a pessoa quer um pronome neutro. Se você vai chamar o Super-Homem de o Super-Homem, ou de a Super-Homem. Na língua portuguesa nós não temos muito uma forma neutra de falar, então é complicado para as pessoas não-binárias, mas há línguas que não tem essa demarcação. Em inglês mesmo eles usam o "they" em vez de "she" (ela) e "he" (ele). 

Respeitar o pronome é importante. Por dois motivos. O primeiro é que é uma forma de validar a existência - reconhecer que uma mulher trans é ela e não "ele". O segundo porque é a lógica. Como você fala de mulher? Usando "ela". Como você fala de homem? Usando "ele". Ninguém erra isso. Se você tem dificuldade em acertar o pronome, provavelmente é porque você ainda não entendeu qual é o gênero verdadeiro da pessoa trans e tá sendo cis-normativo (mentalidade de que só pessoas cis existem).

Quando uma mulher trans é chamada de homem; isso é um ato de violência

No texto inicial o Vics falava da Caitlyn usando "ele" ou "o Bruce". Aí rolou uma dúvida entre a gente sobre como desenvolver, porque é um caso específico. Diferente da Laverne Cox ou da Jamie Clayton, a Caitlyn era uma figura pública conhecida quando usava o nome Bruce. Inclusive, meu amigo a conhecia nesse reality show e o próprio episódio se chama "About Bruce" (se eu não me engano, ela só passou a usar o nome Caitlyn publicamente depois). Então, tipo, como explicar a história de transição dela para um público que não a conhece? E mais: pra mostrar ao público a posição da família em perceber que a pessoa que viam como homem e pai é uma mulher? 

Normalmente, a minha solução é simples: vai na fonte. Quem deve dar a última palavra sobre como prefere ser chamada é a pessoa. Ser você não sabe como se referir a uma pessoa trans, pergunte para ela. Ou se for alguém famoso, procure pra saber. Só que não basta a Caitlyn ser reconhecida desde a época de que usava o nome Bruce, a afirmação de sua identidade na mídia tá acontecendo agora. Em uma semana a gente teve a entrevista em que "Bruce Jenner fala sobre ser uma mulher trans" e que aceita os pronomes masculinos, logo depois ela aparece na capa da Vanity Fair anunciando o nome Caitlyn. Então eu não tenho certeza se são momentos diferentes dela, ou se o que ela disse antes ainda é válido.


Eu decidi usar os pronomes femininos porque ela é uma mulher. (repare como no twitter ela fala de si usando "ela") Eu pesquisei alguns textos em inglês sobre a Caitlyn, escritos por pessoas trans, e vi como eles se referiam a como ela era conhecida antes.

Aí que no meio da última frase eu tenho a ideia genial de procurar um texto de uma pessoa trans pra exemplificar e, basicamente, encontro um manual de como se referir à Caitlyn Jenner (é no feminino). Veja aqui (em inglês) Não só isso, como o GLAAD tem um "guia de mídia" que ensina as pessoas os termos básicos e como se referir de maneira apropriada. Li rápido, mas depois quero reler e pensar pra ver se eu to deixando escapar algo.

Enfim, na versão final o Vics decidiu usar no masculino até a parte que contasse sobre a entrevista em que ela se diz mulher e depois disso usar o certo. Eu ainda preferia que usasse tudo no feminino, mas eu não posso escrever o texto por ele e percebi que era uma questão de como enxergar as coisas.

VOCÊ MUDA PALAVRAS, MAS NÃO O PENSAMENTO

Uma coisa parecida aconteceu com o meu irmão em uma newsletter da Hora da Conversa dele que eu revisei. Eu falei que era problemático o uso de uma palavra, ele trocou por um sinônimo. (shrug)

A gente pode decorar os jeitos certos de falar, corrigir, mas o que faz a diferença é mudar a forma de pensar. Eu só aprendi que o certo é "orientação sexual" quando entendi que você não escolhe por quem se sente atraído sexualmente, então coisas como "opção sexual" e "preferência sexual" não fazem sentido. Você não chama o fogo de "gelado", porque você sabe o que isso significa. O mesmo serve aqui. Não é decorar, é entender.



A forma mais fácil de fazer isso é entrando em contato e/ou assistindo histórias com essas pessoas, tipo Sense8 e Orange Is The New Black. 

ORIENTAÇÃO SEXUAL VS. GÊNERO

Uma coisa forte no texto é que eu vi uma confusão entre gênero e orientação sexual. Nem que o Vics confundisse os dois necessariamente, mas o assunto orientação sexual era trazido diversas vezes no texto e colocado como uma curiosidade. (A pessoa trans muda a orientação sexual?) E não só ele, essa é a maior confusão que eu vejo quando se fala de pessoa trans. Transgênero diz respeito a gênero. A não se identificar com o gênero designado no nascimento. Orientação sexual (bissexual, heterossexual, assexual...) é sobre atração sexual. Todo mundo tem uma relação com gênero e uma relação com sexualidade, mas são coisas diferentes.


A pessoa tem uma orientação sexual voltada para sentir atração para o gênero feminino, depois que ela revelar pra você que é trans, ela vai continuar se sentindo atraída pelo gênero feminino.

O Vics dizia no texto dele que a Caitlyn é uma mulher heterossexual que sente atração por mulheres (curioso é que ele precisou dizer que ela era hétero e que ela se sente atraída por mulheres). Eu não sei qual é o erro de pensamento aqui. Ver a Caitlyn como um homem, para defini-la como hétero, ou não saber o que é heterossexual.

Obs: Assim como o pronome, a orientação sexual é algo que só a própria pessoa pode afirmar. Então de preferência não vamos ficar afirmando o que a outra pessoa é ou não é. Até porque... o que a orientação sexual da Caitlyn tem a ver com tudo isso? Nada.

Homens trans podem ser gays, assim como homens cis, uma coisa não está relacionada a outra. A não ser pelo fato de que culturalmente não consideramos a existência, por isso todos se juntam sob a mesma bandeira LGBT+ para ter alguma força.


ATENÇÃO PARA AS PALAVRAS

Palavras transmitem muito da forma como a gente pensa e fomos treinados para não pensar nas pessoas trans. Lendo o texto do Vics a principal coisa que eu fiz foi passar um filtro nas palavras - e eram tantos detalhes que eu nem sei se consegui ver tudo. Mas aqui algumas observações que eu reuni.



O principal era a ideia constante de "tá virando outra coisa", com expressões que indicam mudança tipo “agora é", “tornou-se", “virou" e “mais nova integrante da família". Caitlyn Jenner não está se tornando nada, ela é uma mulher e sempre foi, o que ela está fazendo agora é compartilhar isso com o mundo. 

A ideia de que "falta" algo para ela concluir a sua "jornada" trans ou até mesmo para sua existência ser válida, com expressões tipo “certeza da legitimidade", "falta uma cirurgia" e "mas para todos e qualquer efeito".

Palavras que mostram de forma negativa ser trans, fazendo referência aos momentos de autoafirmação usando "escândalo" e "problemas".



A separação entre a parte em que ela vivia como Bruce Jenner e agora que ela é como "seu eu feminino" e "seu eu masculino", que dá a ideia de que ela tem esses dois eu, enquanto é mais como uma fantasia que ela usou até descobrir que podia viver da forma que queria.

Essas são só algumas coisas, a nossa língua é um campo minado. 

NÃO IMPORTA O QUE HÁ POR BAIXO DA ROUPA

Pensa só se alguém te perguntasse uma coisas dessas. Por que seria permitido fazer isso com as pessoas trans?

"A preocupação com a transição e com cirurgia objetifica as pessoas trans." - Laverne Cox


Não pergunte, não comente. É falta de respeito. É feio. É absurdo. É abusivo. 

E eu sei que rola "curiosidade", porque diariamente é como se isso nem fosse possível existir, então quando surge é algo tipo "mas e...?" Você pode saciar as suas dúvidas com posts como esse e outros textos educativos sobre o que é uma pessoa trans. E quanto mais você entende, menos importa.



Enfim, quanto mais a gente aprende, mais natural é. Um ano atrás eu não saberia nada disso, cheguei a escrever um texto sobre 10 coisas que me fizeram rever o mundo desde que fizemos o mês LGBT+ aqui no CC. E os meus textos do mês LGBT+ que você pode ver aqui são cheio de problemas. Acho que o importante é estar aberto a aprender.

Muito obrigada ao Vics por me dar a chance de conversar sobre pessoas trans* por se abrir pra discutir o assunto. Desculpa se qualquer coisa nesse texto te magoar (você pode me avisar!). Na verdade, eu quero ressaltar que o Vics não está errado, ele é um exemplo a ser seguido. Ele abordou um assunto que não teve conhecimento e, diante de comentário negativo, foi atrás pra aprender. Resultado? Todos nós aprendemos. Obrigada

E não tenha medo de perguntar. Esses dias mesmo depois de finalizar esse texto fui escrever uma nota no post do Diego que faz referência à mulher trans que usou a metáfora da crucificação na Parada Gay de São Paulo, mas não sabia se era melhor usar "mulher trans" ou "mulher". Dizer apenas "mulher" seria apagamento ou inclusão? 

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2 comentários

  1. ce falar que o super homem saiu do armario nesse texto especifico nem me incomoda porque ce ta fazendo todo um paralelo e tal então não acho problematico nesse contexto, mas sair do armario não é só revelar alguma coisa, o termo existe e se refere a narrativas de pessoas lgbt, entao recomendo cuidado na hora de usar.

    sobre a nossa sociedade não ser adaptada para pessoas trans recomendo muito esse video aqui https://www.youtube.com/watch?v=9zACyYDp_fg (e os outros dois com a dani também, mas esse fala de saúde de pessoas trans no brasil etc)

    sobre linguagem neutra em portugues: no final desse texto tem umas dicas de como usar. é de costume mesmo, pode parecer estranho no início mas é possivel usar linguagem neutra em pt sim https://naobinario.wordpress.com/2014/11/01/deixando-o-x-para-tras-na-linguagem-neutra-de-genero/

    ta show o texto

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "cadê os dados, esses dados não existem" HAUHAUHAUHAUHAUH MUITO BOM. acho super interessante isso, é mais um exemplo da diferença entre voz. de como as minorias têm menos valor - literalmente. "nós somos iguais" nós não somos iguais. porque a pessoa é tão vista valendo menos que a opinião não é considerada. você tem dados e coisas >reais< comprovando a necessidade das pessoas trans, mas: não. vamos não fazer por causa de hipóteses imaginária. (e aí você compara com a religião, que é baseada em livros de 92382398 anos atrás e, basicamente, crença - ou seja, a base da religião é acreditar em coisa inexplicável - e aí tudo bem. é a crença. é permitido fazer essas coisas.) (proposta: começar uma religião LGBT+) E eu não to nem falando que tem que tirar o direito das religiões e tal. Não é uma questõa de julgar aqui, mas é de ver que você tem duas situações iguais, mas que são tratadas de maneira diferente. E por que? Porque tem valor diferente. E a partir do momento que a gente percebe isso, tem que perceber que a forma como nós tratamos também não pode ser igual - se o interesse for igualdade/justiça, etc.

      ok, só precisava guardar o pensamento

      gostei muito do vídeo e o link. obrigada por compartilhar <3

      Excluir

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