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Clube de Escrita: A PRINCIPAL REGRA DE ESCRITA

3.6.15Dana Martins


Ok, eu quero falar que a principal regra da escrita é que não existe realmente uma regra. Você pode fazer o que quiser. Existem coisas que funcionam, isso sim. E essas mesmas coisas não funcionam para outras pessoas. É como se todas as dicas, inclusive esse texto, fossem ferramentas. Seguir qualquer dica de forma absoluta vai colocar você tentando martelar um prego com uma chavezinha de parafuso vagabunda. Pode ser que você consiga, mas pode ser que você machuque a mão toda e não faça nem risquinho na parede. ¯\_(ツ)_/¯

E por mais que seja simples dizer (não há regras! faça o que você quiser!) não é nada simples colocar em prática.



Não ter regras significa que você pode fazer qualquer coisa. Isso por si só é assustador - tem noção de que você pode passar a vida inteira fazendo "qualquer coisa" e ainda não encontrar a "coisa certa"?

Não ter regras significa também que ninguém pode te ajudar. No final do dia só você - e apenas você - vai poder dizer se o que está fazendo funciona de acordo com o que você quer.

Isso é Jornada do Herói ao máximo - por mais que você tenha mestres, armas e amigos na sua jornada, você é o único herói da própria história. (wow. wow. wow. isso me fez pensar em tantas coisas.) 

Aliás, The Legend of Korra é uma grande história sobre alguém tendo que lidar com a influência de "ídolos" do passado pra seguir o próprio caminho. O Livro 2 é ótimo. 


Então, novamente, não é exatamente fácil. É um trabalho de tentativa e erro. Uma busca pra se conhecer melhor. A parte mais difícil pra mim é que tem coisas que eu não tenho nem tanta consciência até fazer. Até participar pela primeira vez do NaNoWriMo eu nunca tinha levado a sério a ideia de que eu poderia terminar histórias. E depois disso eu só terminei a minha primeira história travando uma batalha mental sinistra. É louco. Tipo, tudo aconteceu em um dia, em silêncio, dentro da minha cabeça enquanto eu tentava escrever e por acaso lia um livro sobre escrita. Pra ser bem sincera - aconteceu enquanto eu estava deitada em uma rede. 

O livro que eu lia me disse: Sim, você pode. 
E eu : Naah.
O livro: Você pode.
Eu: Mas...
O livro: Você. pode.
Eu: Eu não sei o que fazer. TUDO PARECE TÃO RUIM. 
O livro: Levanta o rabo dessa rede e vai editar a porra do manuscrito. 

O que eu fiz foi acreditar. Levantei e fui brigar com um monte de palavras por horas (e mais alguns dias) até chegar em uma versão que eu gostei. 

Mas dizer é tão fácil. Por isso eu costumo pensar que dicas não funcionam até que você mesmo aprenda a lição. 

E como você aprende a lição?

Não sei. Minha resposta seria: tentando. Mas diga isso para a Dana de 5 anos atrás.




CADA UM FAZ DO PRÓPRIO JEITO 

Tem escritores incríveis que passaram grande parte da vida sem escrever. Ou fazendo outras coisas. Ou escrevendo aos poucos. Ou escrevendo de outras formas (ex: roteiros, posts). Ou escrevendo loucamente. Ou seguindo um procedimento padrão toda vez. ¯\_(ツ)_/¯

Um exemplo legal é o George R. R. Martin, que escreve As Crônicas de Gelo e Fogo (Game of Thrones) desde 1991. Essa história é um ano mais velha do que toda a minha existência e ainda não terminou. Isso porque o autor estava há alguns anos sem escrever livros e porque isso só foi publicado mesmo em 1996. Alguém vai dizer que ele como escritor falhou? E detalhe: ele tinha 43 anos quando teve a ideia dessa história. 

Curiosamente, o segundo autor que eu decidi pegar de exemplo foi a Meg Cabot, que em 1991 estava se formando da faculdade para trabalhar como ilustradora. Hoje ela tem uma lista de livros publicados tão grande que eu nem consegui contar. E o primeiro só saiu 6 anos depois disso, em 1998, quando a autora tinha 30 anos. 

Lembre-se:



Para desafiar o binarismo, essa semana recebi aqui em casa a nova edição do livro "O Sol é Para Todos", da Harper Lee. Um livro publicado em 1960 (quando a autora já tinha 34 anos) e basicamente o único livro publicado por ela a vida inteira. Um livro que se tornou clássico americano, é referência em diversas outras histórias recentes (tipo As Vantagens de Ser Invisível) e de acordo com uma análise do Diego: um dos livros que mais gente na equipe do CC já marcou como "minha leitura preferida do ano". E ela só publicou esse livro. E aí? Vou dizer que o certo é "ter escrita como profissão, fazer todo dia" ou qualquer coisa dessa? 

Autores diferentes, histórias diferentes, formas de lidar diferentes... E tudo funciona. Meio que é um esforço desnecessário julgar sua evolução com base nos outros e se esforçar para seguir a ideia de outra pessoa do que é certo. 

PODE SER QUE FUNCIONE PRA VOCÊ FAZENDO ISSO. 

OU TENTA NÃO FAZER ISSO. 

Uma dica muito comum que eu vejo é essa aqui:

Continue escrevendo. Enfia a cara. Escreve qualquer coisa. Uma página em branco não pode ser resolvida. Apenas escreva. 

Outra dica que eu vejo bastante é:

Saia do computador. Dê um tempo. Não faça nada. Vá passear no parque. Tire a história da sua cabeça.

Provavelmente pra toda dica de escrita existe uma oposta, outra meio-termo, uma que não tem nada a ver (...). A questão não é o que é certo, é o que funciona agora. Normalmente minha escrita funciona muito com base na porrada. *sai derrubando paredes forçando o caminho* No momento, eu tenho conseguido escrever todos os dias, minha história atual tá avançando, tenho outra pela metade e uma terceira esperando edição. Eu to feliz e indo a algum lugar.

 Só que eu não posso dizer por você como você se sente.


Se você está aqui, provavelmente é porque você está nesse caminho de se descobrir. Vá em frente. Não tenha medo de testar. Ou de não seguir as próprias regras, sabe. Se tem algo que o CC me ensinou: uma ideia que é a salvação em uma época pode se transformar no que nos oprime em outra.

Eu acho que o máximo que eu posso fazer, além de escrever esses textos pra mostrar que você não tá sozinho nessa jornada (e, ei, eu também tô nas redes sociais!), é dar a ideia de você mudar a perspectiva. Pense em todas as "regras" como dicas. Às vezes símbolos de motivação mesmo. Algo para se agarrar quando você está inseguro. Mas também pense no que você quer. Por que você tá escrevendo? O que você quer conseguir com isso? Como chegar lá?

A resposta não realmente importa.

O que importa é como você se sente.

Está satisfeito?



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4 comentários

  1. Dana, você coloca as coisas como se elas fossem fáceis.
    E são.
    Ou não.

    Adorei o texto. :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. HUAHUAHUAHA de uma coisa eu tenho certeza: não são.

      Excluir
  2. As regras existem para serem quebradas, desde que você as conheça bem.
    Então, mesmo que as quebrando, você ainda precisa de estratégia e método.
    A única constante entre todos os escritores, é que eles tratam o ofício como um emprego. E a gente não trabalha quando está inspirado (infelizmente). A gente trabalha todo dia.
    Outro fato comum é que todo mundo precisa mudar de ares para ter novas histórias. Ficar em casa deitado no sofá não produz muitos best sellers.
    No mais, gostei dos textos aqui do blog. Vou continuar minha leitura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. mas aí: será? você pega tipo a harper lee, com um livro só. ou o próprio george r. r. martin que acabou começando a escrever nas férias (esse livro específico). ou a debbie millman que só escreveu muuito depois entre outros empregos. ou até a anne frank, que definitivamente não estava escrevendo um livro. há até livros de escritores que, na verdade, são um bando de cartas que eles escreveram.

      é uma questão pessoal como você se relaciona com a escrita e lida com o seu fluxo criativo. acho importante entender que pra escrever, você não precisa seguir um modelo fixo de escrita. talvez não seja pra você, talvez a vida que você queira é conseguir um outro emprego e uma vez por ano fazer um nanowrimo com os amigos. talvez no momento você nem possa se dedicar assim, porque precisa se sustentar, manter o emprego, lidar com dificuldades pessoais, etc. e se obrigar a seguir um modelo "do que é ser o escritor" só vai ser um estresse e fonte de frustração. pior: pode acabar esgotando a sua vontade de escrever, porque transforma algo que deveria ser uma expressão em opressão. então é importante ter essa ligação com o que você quer e pra onde vai em vez de seguir modelo


      fora isso, eu concordo totalmente com você. escritores que escolhem lidar com a escrita como emprego, é importante ter a disciplina de um emprego. e eu sou totalmente do lado: escreva, escreva sempre, que se dane a inspiração. faça o trabalho.

      e muito obrigada por comentar e dizer isso. :)

      Excluir

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