Bloodlines CCSexta

CCsexta: Não consigo me sentir representada no universo ficcional

8.5.15Isabelle Fernandes

Aqui estou eu seguindo em diante com o nosso CCsexta do mês, que nos faz a pergunta: O que nos representa, seja nos livros, séries ou filmes? Só que eu não tenho uma resposta pra essa pergunta. Após muito pensar, cheguei à conclusão de que eu simplesmente não me sinto representada de verdade, ter aquela coisa de "Minha nossa, essa personagem sou eu!!" em nenhuma esfera ficcional. As personagem geralmente são ou idiotas demais, ou fodonas demais, ou estranhas demais. Ou então são tudo o que eu sempre quis ser, mas nunca consegui.

Calma, vou explicar isso melhor.

Tudo já começa complicado, porque bem sabemos que a representação feminina na ficção é precária. Normalmente as histórias são protagonizadas por homens, e quando há mulheres elas são extremamente estereotipadas. De uns tempos pra cá é que as coisas tem melhorado um pouco, mas não o suficiente. Daí nos romances temos outro problema: o que não falta é protagonista feminina, mas elas são distantes demais da realidade. Ou ela são virginais e/ou idiotas ou são um verdadeiro furacão, um poço de inteligência e esperteza. Gente, cadê o meio termo? E por que essa ideia de que virgens não sabem de nada? Existe uma coisa chamada >> internet <<, mas parece que isso sequer é lembrado na hora de construir um personagem.

CHEGA DISSO

Mas nem tudo está perdido e várias protagonistas incríveis surgiram pra dar um alento ao coração, como Rose Hathaway e Sydney Sage, das séries Academia de Vampiros e Bloodlines. Elas são inteligentes e fortes, mas também tem seus momentos de fraqueza, seus defeitos. Elas estão no meu top top, mas...não rola a identificação. Porque não me acho nem inteligente, nem forte e nem corajosa. Até nos defeitos delas eu não me identifico. Não fico racionalizando tudo a ponto de mal saber ser sociável e não sou chutadora de bundas.

Penso, penso e penso, mas não acho ninguém que me represente. Ninguém com quem eu tenha uma identificação forte o suficiente. E olha, isso vem desde a minha infância. Sempre que começava aquela clássica brincadeira de "quem sou eu no desenho tal", eu ficava pra trás porque as personagens mais legais eram escolhidas primeiro. Mas eu só as achava legais e queria ser como elas. Eu não me identificava realmente, enquanto minhas amigas sempre se sentiam representadas até na cor do cabelo. O único momento em que eu cheguei perto de uma representação foi em Harry Potter. Não com a Hermione, ou com a Gina, mas com o Harry. E sabem por quê? PORQUE ELE USA ÓCULOS!! Imaginem uma criança de uns 10 anos, que foi criada pelos avós por não ter os pais, que precisa usar óculos e sempre foi muito zoada por isso lendo um livro onde um garoto órfão se descobre bruxo, encara altas aventuras E USA ÓCULOS. Foi uma época de regojizo que só durou até o Prisioneiro de Azkaban, quando o Harry vira um adolescente chato.

Não há amor que resista a esses ataques de pelanca

Talvez a razão pra isso seja baixa auto-estima ou então minha definição de ser representada seja muito exigente. De qualquer forma, não consigo mesmo e não vou ficar me grilando com isso HUFDHGUIFDHGIDFHG até porque o mais importante eu tenho: aprendo muita coisa com os personagens. Nunca me acho à altura deles, mas eles me inspiram a tentar alcança-los. E também com eles aprendo a definitivamente não fazer certas coisas q.

E vocês? Tem o mesmo problema que eu ou tem uma lista de personagens que te representam?


- isabelle fernandes

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25 comentários

  1. Sinto que muitos destes enredos que não nos representam - senti isso com Crepúsculo e com Divergente, principalmente - é que eles são muito conservadores. Até Cinquenta Tons de Cinza é super conservador, envelopado numa roupagem de "libertino", quando não é.

    Esse conservadorismo já não retrata mais o mundo que passou por uma revolução sexual, por termos mulheres donas de si, que trabalham, estudam, criam filhos sozinhas, que têm o direito de escolher seus parceiros e que sabe que o mundo não é um comercial de margarina.

    Sinto que a ficção, apesar de ter todo o seu mérito de discussão e crítica social, ainda não alcançou a plenitude de seus personagens. A gente se identifica com alguns porque conseguiram contemplar o ser humano quase que na totalidade. Não sei se é pressa de escrever, se é orientação de editora, se é falta de criatividade. Mas algo está acontecendo pra termos tanta personagem problemática por aí.

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    1. Nunca tinha pensado em termos de conservadorismo e liberdade sexual, mas: concordo.

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    2. Acho hilário que não só a sociedade no nosso país como em vários no mundo todo ainda tem esse puritanismo hipócrita, e isso com certeza se reflete na literatura. Tanto que livros eróticos são considerados guilty pleasure, quem lê esconde isso.

      Por que, quando a maioria das pessoas transam e adoram? Bizarro q

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  2. Mas que caraio, vamos nos representar nós mesmos! heuehueheuh.
    Bjoooo.

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    1. Só que se sentir representado ajuda a conhecer a si mesmo. Daí vira um ciclo vicioso...HFUDIHGUIDFGIFDHGID

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  3. Concordo com você. O que temos na literatura são personagens Franksteins, cheios de pedacinhos de uns e de outros, mas nenhum que seja realmente a essência da gente que deu certo. O máximo que já consegui foi me identificar com personagens feios que nunca serão vistos como lindos pela alma gêmea, ou seja, nenhum. Pessoas saudáveis se identificando com personagens que estão passando pelo câncer. Meninas bobas se identificando com a Bella Swan, que mesmo chata e sem graça conseguiu um vampiro encantado, outras se intitulando fortes com Katniss, e por aí vai. Todo mundo ta nos livros, mas não passa de estratégia. E o bullying? Chega a ser glamouroso sofrer disso nós livros. No fim, só uma conclusão me parece mais sensata: nenhum personagem vai ser tão humano quanto aquele que interpretamos todos os dias ao levantar da cama...
    ssentrelivros.blogspot.com.br

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    1. Camilla, que admirável. Teu comentário melhorou meu dia.

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    2. eu não tenho uma visão tão dura, mas concordo na maior parte. Um livro que fala um pouco disso é O Teorema Katherine - que fala justamente sobre a gente se sentir essa pessoa especial (ou o complexo de especial do protagonista?). Muito obrigada por dizer isso <3

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    3. Li três vezes o comentário, mas não consegui pensar em nenhuma resposta à altura HGUDHGIDFHGIUDFGHFD

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  4. Sobre esse lance de representatividade, pode soar cru (el) o que vou dizer mas...
    Todo mundo precisa de um exemplo, e exemplos são reflexos da sociedade que vivemos.
    Tal como o Allan, acho que, na falta de, crie seu exemplo.

    Eu tive sorte, porque achei vários exemplos de personagens e caras que eu queria ser - e de alguns, tirei não só identificação como também tive o gosto de ver atitudes SUPER parecidas com as que tomaria na mesma situação.
    Citando alguns - e sim, é uma imagem caleidoscópica vista ao microscópio. Na real, nada é como parece - ou assusta pelo quanto parece.

    Constantine - ninguém nunca vai saber exatamente aonde acaba o dom e começa o blefe. Por isso, com ele é tudo no All In.
    Gambit - O sotaque. Deuses, o sotaque. E todo o resto. Mas... o sotaque.
    Oberyn Martell - o mais V1D4 L0CK4 do GRRM. Tyrion? Bleh. [/SPOILER] Os bons morrem jovens, infelizmente.
    E daí vem a série "quem eu queria ser se a genética me ajudasse a tal intento"
    Vida real: Chris Evans. Na boa, quem não né? Se bem que o Hugh Jackman também é top. O cara é um dos homens mais desejados do universo conhecido e ainda se mantém estável com a sua esposa. Nivel de amor verdadeiro: TOP.
    Anime: Mako. Sem mais. Mako é absurdo em sua humanidade. E eu sou Nação do Fogo declarado.

    Eu sinto bem essa coisa que a Camilla colocou, e não é uma sensação boa. Os heróis estão frágeis, lamentavelmente (Deuses, o que é aquela coisa BIZARRA que fizeram em Smallville? Superman Dawson's Creek? O.o e nem vou me pronunciar sobre o Spiderman. Que isso não ocorra com o Batman, mesmo eu não gostando dele, amém).
    E aí eu sinto o quanto é doentio se sentir mal para se sentir bem. Meus heróis - os citados aqui, e os que não estão, principalmente - vivem, morrem, adoecem, lutam, perdem, ganham. Mas não demonstram fraqueza, não são reconhecidos por elas. Acho doentio se identificar com fraqueza, a menos que seja esse o primeiro passo de uma superação.

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    1. Também tive muito essa sorte, mas eu pareço até meio maníaca, porque me vejo em mil lugares. Mas não é como se alguém fosse eu, são mais partes de mim mesmo. E conhecer as partes de quem eu sou me ajudam a me conhecer melhor (?)

      Não li o livro, mas assistir a S4 essa semana e: gostei bastante do Oberyn. Bem, tirando aquele fim... HAUHAUHAUH mas ele foi um dos personagens mais em termos de representação pra mim, talvez porque o resto é muito sério?? (arya, daenerys..) e qual o problema do tyrion? o.õ

      Mako também me representa, apesar de que eu não ia querer ser ele HAUHAUH

      Algum motivo pra você não se identificar com nenhuma mulher?

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    2. Dana, tamo junto! o/
      Bem, você imagina que, quando o episódio foi ao ar, eu recebi em meu Facebook pêsames dos meus amigos, que queriam saber se eu estava bem. Por aí você faz ideia da minha relação com o Oberyn.
      Eu acho o Tyrion chato, só isso. Um modafocka sortudo porque o GRRM gosta dele. Ele já poderia ter morrido há muito tempo. Mas... MAS, existe uma teoria que jura que há um motivo MUITO LEGAL para ele estar vivo. E eu acho que aí eu vou passar a gostar dele.
      Oberyn, no entanto, fica no meu altar for ever. Até o GRRM arrependeu de matá-lo.
      Bem, o Mako tem um lance de ser certo e claro nas coisas, até mesmo quando erra, que eu admiro bastante.
      Puxa vida, motivo nenhum. Deixa eu me retratar nesse ponto!
      1. Princesa Kitana. Porque é absurda a história de vida dela (mãe raptada, memórias perdidas, clonada, de repente ela cai na real que não é só uma assassina e deve reconstruir Edenia e meu Deus Liu Kang tá apaixonado por ela e isso aí ela tem que matar o clone e o clone arranjou um marido tão monstruoso quanto ela e putz Liu Kang.) Acho curioso como uma mulher pode ter um background tão atípico em Mortal Kombat II (muito pouca coisa mudou no background dela, e estamos no Mortal Kombat X). Ah, sim, e alguém jura que ela não tinha um caso com a Jade? Duvido. Shippei 4EVER.
      2. Cammy. Same case. Um mega background escondido numa perda de memória.
      (pensando seriamente no motivo pelo qual me identifico com mulheres sem memória em jogos de luta).
      3. Korra. Deuses, a Korra. Acho que a cena que mais me marcou, e com a qual mais me identifiquei, foi quando ela conseguiu retirar todo o veneno do corpo. E claro, o final, quando ela descobre até onde consegue ir - ou melhor, tem uma ideia disso (algo bem próximo do Constantine, em minha identificação). Aquele "NO!" fez uma diferença na minha vida que olha.
      4. Rose DeWitt Bukater. Acreditar numa promessa é fácil. Cumprir? Tente outra vez. Titanic tem uma história sub-reptícia muito legal, que passou batido. É algo meio Fight Club: você assiste a primeira, tira uma casca da cebola. Assiste a segunda, outra casca.
      Eu assisti dezesseis vezes.

      Puxa vida, eu não lembro de mulheres Marvel ou DC que me representem. Sabe que isso tá mexendo com meus neurônios?
      Vou tentar me achar nesse desafio e te conto depois.

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    3. Preciso comentar que: a Korra também perde a memória. Acho que isso é crônico, hein HAUHAUHAUH

      E o 4 foi uma surpresa. Você já fez alguma análise de Titanic? Porque eu fiquei realmente curiosa.

      Marvel/DC: Já tentou Capitã Marvel/Jessica Drew/Ms. Marvel/Mulher Gato? Achei isso interessante também. Se descobrir, ou descobrir por que não te representam, por favor me diz!

      E apenas <3 <3 <3 por você compartilhar as mulheres que te representam.

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  5. VERDADE A KORRA PERDE A MEMÓRIA MELDELS HAHAHAHAHAHAHAHAH
    Taí, ponto crônico para mim!
    Pois é, eu passei a fase da relação afetiva entre a Rose e o Jack e fui um pouquinho mais a fundo. A Rose cumpriu TUDO o que ela prometeu para o Jack, inclusive se casar com outro homem, ter filhos e netos. Ela viveu após a tragédia não só porque continuou respirando, mas porque tinha motivo. Ela amou outro homem. Teve filhos. Mas aquele primeiro amor ficou ali, vivo, guiando os passos dela.
    E aí, ela morre quentinha, numa cama. Dever cumprido, amor verdadeiro. Reencontro. Quando acaba o filme com o elenco todo aplaudindo (e eu chorando copiosamente), eu lembro de uma verdade para mim. Eu acredito - e vai soar mega piegas, eu sei, mas para mim é devocional - que o amor move o mundo. Todas as vezes que eu deixei de acreditar nisso, a vida me trouxe de volta colocando algum exemplo para eu lembrar o motivo pelo qual essa frase faz sentido.
    E se há uma mulher no cinema que prova isso, ela é Rose DeWitt Bukater.
    Marvel/DC vai precisar de mais um tempinho.

    Tamo junto. o/

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    1. Fiquei extremamente perdida na conversa de vocês porque não assisto essas coisas HFUISHFUIDHFIDSHIHFSHDIFS mas eu AMEI o que você, Emanuel, falou sobre o amor. Sabe, teve uma época em que eu tava procurando por uma crença pra me sustentar e tals e não conseguia me ligar a nenhuma, daí lembrei do amor.

      Como diriam os beatles: love is all you need xD

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    2. Isso me fez pensar sobre sacrifício. Ela cumpriu porque... o sacrifício dele não podia ser pra nada, né? Ainda não sei o que achar dessa ideia de sacrifício, mas o amor... eu concordo :)

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    3. Isabelle, esses dias eu estava dando uma aula sobre Petit Lenormand e citei Titanic. Tinha gente na sala que nunca tinha ouvido falar O.o
      Afinal de contas, os referidos NASCERAM em 1998! #Deuses
      O Amor move o mundo. De um jeito caótico mas sim, move. Só ler direito as entrelinhas e marginálias.
      Tipo o que Racoon (banda boa, viu?) diz...

      "I can laugh about it,
      or I can cry about it,
      I should ignore the words you say.
      'Cause they can hurt,
      but won't kill me
      They can hurt,
      but won't kill me."

      Sacrifício... Tipo, veja só o ponto de vista. Nunca tinha pensado por esse lado. Me parece uma coisa meio lógica se, na iminência de morrer, você tiver que fazer uma escolha, que seja para que alguém viva.

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    4. Eu estava aqui quietinha acompanhando a conversa de vocês e foi demais!

      e a historia de Titanic que não era algo que me tocava (nasci em 1998, a proposito hahah), passou a ser outra coisa. A Dana falando sobre sacrifícios me fez pensar que ele se sacrificou para que ela vivesse, depois de ter ensinado a ela como viver ,que a vida dela podia ser diferente do que tinha sido até aquele momento. Não tem uma parte que ela reclama sobre bailes e gente vazia?
      E o sacrificio dele valeu a pena, ela cumpriu a promessa, e viveu por ela, não por ele. Por ela. Isso também é importante.

      E sobre o amor mover o mundo, me fez lembrar de um vídeo que vi uma vez, uma garota respondendo uma pergunta sobre o que ela achava que precisava no fundo para ele ser melhor, ela respondeu amor e depois explicou se tivéssemos mais amor com outros, pelos outros, pela natureza... estaríamos melhor, sem tantas guerras, conflitos, miséria, preconceitos... E não tem como discordar, tem?

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    5. Helena <3 Adorei essa comparação com a vida dela antes e dele ter ensinado ela a viver. E a vida do Jack é tipo uma relação com o Titanic, né? Glorioso, mas curto, só que ele não deixou de aproveitar de qualquer forma.

      Não tem mesmo. :)

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    6. Helena, FATAÇO. Olha que curioso: Jack é o bonus stage da vida da Rose. Ela chega no limite, no final, na saturação plena do que acreditava ser possível... Daí vem o Jack e mostra que existe um (sub) mundo a ser descoberto, algo que estava ali e ela não tinha acesso porque a vida dela era completa demais.
      Ele abriu a porta da gaiola. E ela ainda podia sobreviver fora dela.
      Agora, falemos um pouco sobre a morte dele... Ele poderia não ter morrido. Ela poderia ter salvo a vida dele. Fora as questões de enredo - vamos pensar que fosse possível um final diferente - eu tenho para mim (e tiro isso de Brida, do Paulo Coelho, que é um daqueles Pequenos Príncipes que eu leio quando preciso retomar o rumo) que existem amores que tem prazo de validade. A gente encontra, ama como se a vida dependesse disso (e na real, depende) e se separa, ou é separado.
      E a vida, essa sacana, passa, ou volta, a fazer sentido.

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  6. Acho que a única vez que me identifiquei ~um pouquinho~ com uma personagem foi com a Charmain de A Casa dos Muitos Caminhos, que só comia e lia! Hahahah :D

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    1. Não sei quem é, porém i know the feeling GUDFHGFUIHGFIDHGID

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    2. Também me identifico com a Charmain! Ela é ruim nas tarefas domésticas que nem eu, haha

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