CCSéries Dana Martins

The 100: a série que eu estava esperando e não sabia que existia

18.3.15Dana Martins



The 100 é como a adaptação em série de todas minhas histórias preferidas. É como ler os muitos livros YA estilo Jogos Vorazes (esse inclusive) e poder ver uma adaptação bem feita. Ainda com muito muito muito mais. Eu estou realmente grata que eu dei uma chance a essa série e estou me perguntando como vivi até aqui sem ela.

Eu indicando a série em 2013, um ano antes dela lançar e dois anos antes de eu assistir.

Às vezes o você do passado é muito mais inteligente.

Eu conheci The 100 assim que saiu o trailer e tava me perguntando o que aconteceu que eu acabei não assistindo. Vendo agora que o anúncio saiu um. ano. antes da série em si lançar explica muita coisa sobre por que eu não assisti. Enfim, eu só lembro que quando eu vi o trailer eu gostei muito.

A sinopse da história já era o bastante pra me chamar atenção: 100 jovens prisioneiros são mandados para Terra como uma segunda chance, se eles sobreviverem aqui. É que anos atrás houve uma guerra de bomba atômica que explodiu tudo obrigando o que restou da humanidade a fugir para essa nave gigante no espaço, chamada de Arca. Porém, nem tudo são flores e depois de 100 anos a vida no espaço começou a ficar precária e eles decidiram mandar os prisioneiros que seriam executados para a Terra. Quem sabe ela já está habitável?

Mas eu preciso acrescentar nisso o sentimento de urgência. Em tudo nessa série é uma questão de vida ou morte. Nesse caso específico, os 100 sobreviverem aqui é uma questão de manter a espécie humana viva. Basicamente, você está preso em uma nave no meio do espaço que a validade está prestes a vencer e a esperança é tentar a sorte com a radiação na Terra.

Por que eu não assisti a série?

Só que quando eu fiquei sabendo da série também fiquei sabendo que teria o livro e é claro que eu queria ler o livro antes.

Demorei pra conseguir comprar e ler, mas vamos agradecer a essa capa linda que me fez comprar independente de eu achar que não seria tão bom.


E não foi.

Esse é um livro com uma grande ideia muito mal executada. O contraste vida na nave vs. sobrevivência na Terra é muito legal, porque é como ter um livro de ficção científica distópica acoplado a um livro pós-apocalíptico de sobrevivência. A construção do mundo e os segredos por traz dos personagens são tipo ESSA É UMA HISTÓRIA DE FICÇÃO CIENTÍFICA FODA, mas quando a autora coloca no tabuleiro ela simplesmente não sabe mover as peças. Uma pena mesmo. Fiquei muito puta.

Aí nem dei atenção a série direito. Primeiro, porque parecia que ia ser diferente do livro (pra pior). Segundo, porque parecia estar pegando a modinha YA só pra ganhar dinheiro. Terceiro, porque eu jamais vou perdoar a cena do trailer com a Octavia na água estilo mulher gostosona que morre em filme de terror barato.


Calma, Octavia, não se desespera que a sorte está a seu favor e o futuro vai ser melhor. 

Aliás, ela é uma das poucas personagens que no livro e na série continua boa mesmo mudando parte da história.
Acabei de me dar conta de que muito passado de personagem que eles mudaram na série, colocaram de outra forma
na segunda temporada. 

E foi assim que eu não assisti a série. Continuei com a minha vidinha. Achando que tava tudo bem e eu tava completa.

Vamos fazer uma pausa para agradecer ao Tumblr por salvar a minha vida.

E uma cena que fez tudo o que eu pensava sobre a história mudar.

Não vou dar spoiler, mas pelo que eu li no livro aquilo era impossível acontecer. Tentei resistir ao vício, mas eu tava enganando quem? VOU ASSISTIR ESSA COISA.

E eu tava preparada pra uma história ruim guilty pleasure.

Foi o soco na cara mais bem dado que eu recebi.

Como eu vou dizer?

O que eu vi de bom na série?

omg tinha esquecido de um plot twist foda da primeira temporada
A série também é dividida entre nave e Terra. Aqui no chão nós ainda temos a história protagonizada por Clarke, que é a única que sabe por que eles foram mandados para a Terra e está disposta a fazer o certo acima de tudo. Se é que existe um certo. Enfim, no início ela tenta manter o grupo vivo enquanto Bellamy organiza uma revolta contra as pessoas da nave em nome da liberdade. 

Bellamy tenta ser mal mas é muito fofinho.  Não consigo olhar pra ele sem pensar: Tegan and Sara
Além disso, ele é irmão da Octavia

E Clarke e Bellamy formam o ship perfeito, mas: não. É aí que dá pra ver que a série tem algo mais.


Clarke e Bellamy discordam muito ao longo da série, mas eles acabam se unindo pelo fato de que querem proteger aquelas 100 pessoas ali. É muito legal ver o desenvolvimento da relação dos dois e como um acaba sendo o apoio pra o outro, no sentido de que estão sozinhos no papel de líder e precisam trabalhar juntos se querem sobreviver. Algumas horas, apesar de todas as diferenças, eles escutam um ao outro de verdade. É libertador ver uma relação de respeito e ajuda mútua entre um homem em uma mulher (sem meter romance no meio). 

Não que romance seja ruim, ele tem na série. Bastante. Mas é um diferencial ver dois protagonistas da série (homem e mulher) que trabalham juntos sem romance. 

Além disso, a história também se passa na nave, onde eles ainda correm risco de morrer e por causa de algumas confusões não conseguem saber se a Terra é segura para viver. Novamente, vemos a dificuldade da liderança e decidir o que custa menos para manter a humanidade viva. Para Abby, mãe de Clarke, custou a família. Ela é uma médica e membro do conselho que está fazendo de tudo para salvar a nossa espécie. Na verdade, o conselho inteiro, mas qual é a melhor opção?

Abby me faz imaginar uma versão velha da Katniss (porque a imaginação é minha e eu faço o que quiser com ela) e traz pra série uma das personagens mais fodas: a Raven. 

Octavia, Clarke, Abby, Raven... tá contando? Ainda tem mais mulher foda. 

Eles trabalham com muito conceito interessante do que significa ser líder, até que ponto as pessoas vão pra sobreviver, confiança... é MUITO e merecia um livro inteiro de análises.

E queria dizer que a Clarke parece o clássico herói (quer dizer, seria se ela não fosse mulher), só que tem umas coisas bem bizarras. Apenas digo que eu torceria pra ela me ver como amiga.

Bem, em série você já sabe que costuma ter vários personagens. Ontem eu fiz uma lista dos meus personagens cruciais QUE NÃO PODIAM MORRER DE JEITO NENHUM SE NÃO EU MORRIA e tem 9 nomes. E quando eu falo crucial, é crucial mesmo porque tem vários outros que eu não queria que morressem e ficaria triste. Então tem muita gente legal bem desenvolvida tentando sobreviver nessa história. Escreveria um livro aqui se eu fosse apresentar todos. :(



E por que não podem morrer? Que história é essa? A questão é que The 100 é uma história de sobrevivência pura. Eu lembro que logo nos primeiros episódios já parecia final de temporada porque os personagens estão sob pressão o tempo inteiro. É basicamente: não há tempo de sobra, ou eles fazem algo ou eles morrem. O resultado não é bonito.

Imagina Jogos Vorazes sem censura.

Isso é uma das coisas mais legais pra mim, eu vejo a adaptação de várias histórias que eu pensei que nunca veria. É realizador. Às vezes parece que eu to assistindo Battle Royale (ok, esse tem uma adaptação sangrenta que eu não vou assistir), Jogos Vorazes, Divergente e Maze Runner. Tem uma pegada forte de "Never Sky - Sob o Céu do Nunca" (que título ruim, cruzes) e outros vários livros YA entre distopia e pós-apocalipse. E quando você acha que já viu tudo, começa a segunda temporada E TEM MAIS AINDA. Ah, não só YA, colocaria aqui A Passagem e Apocalipse Z também, por exemplo. Sem falar que é como uma versão futurista de ficção científica de livros da fantasia (pode ter certeza de que você tem elfos e anões scifi) e até sobrenatural (vampiros???). Também me lembra muito ao último jogo da Tomb Raider, The Last of Us, Resident Evil...

Isso poderia ser uma cena de Jogos Vorazes.
Octavia é toda trabalhada no rolamento morro abaixo igual a Katniss... HUAHUAHA

Sabe, uma das vantagens de The 100 sobre todos esses tipos de história é que é uma série, então eles podem expandir muito o mundo, os conceitos, trabalhar cenas para parecer outros estilos. Não tem a limitação de um filme que é tipo PRECISA RESUMIR CENSURAR PRA TODO MUNDO VER, então pode explorar bem os personagens e história. Não tem a limitação de pov e, bem, de ser só em palavras de um livro. Não tem a limitação de um jogo que precisa focar mais na ação do que na história. 

Mas o principal é que no centro disso os personagens são humanos. Eles são diferentes entre si, você gosta deles, você vê eles sendo testados diante das situações e se transformando.

você sabe que o negócio tá tenso quando a protagonista tá parecendo o gollum

Isso, aliás, é uma das coisas mais legais. Se tiver um momento que você não virar pra o seu personagem preferido e chamar de babaca é porque você está sendo muito cego. A série se esforça bastante pra mostrar como tudo é muito relativo. E não de um modo vilões e mocinhos, dá pra realmente entender os personagens. Você vê eles sofrendo e agindo mesmo assim, porque o contrário é morrer.

REPRESENTATIVIDADE!!!

Tem muito mais coisas, mas vou encerrar com a minha preferida: empoderamento.

O post é meu e vai ter tantas Octavias quanto eu quiser u.u

Pra começo de conversa, a população de habitantes da nave é formada por vários países. O melhor amigo da protagonista é negro, o chefe de tudo é negro, você tem latinos, orientais. Não vou dizer que é perfeito não, mas é um diferencial. Acho que Orange Is The New Black é a única série que eu vejo que tem personagens assim em cena. Só que The 100 faz isso de uma forma mais... rotineira. Estão todos ali misturados.

Aliás, minha amiga tava falando que quase ninguém do elenco é americano.

Na segunda temporada tem uma cena que mostra as pessoas indo pra guerra e a câmera foca em 4 pessoas, todas elas mulheres. Naquele momento fica claro que a história é delas, que elas é que estão movendo a guerra e, mais do que tudo, que elas são poderosas cada uma da própria forma. É lindo.


E não to dizendo que é uma série que só tem mulheres, ela é cheia de homens principais (a história vai se dividindo em várias linhas narrativas pra cobrir todos os cantos que tem gente) e guerreiros, mas ela TAMBÉM é cheia de mulheres. Isso é diferencial porque é muito comum fazerem "igualdade" do tipo: ok, coloca essa mulher aí sentada no trono YAY REPRESENTATIVIDADE e agora vamos focar nos nossos protagonistas homens. Não. A série é cheia de mulheres. Mulheres médicas, mulheres indefesas, mulheres guerreiras, mulheres líderes, mulheres astronautas, mulheres cientistas, mulheres mães, mulheres crianças.

É muita mulher. Eles cambaleiam levemente no filtro feminino na primeira temporada, mas passam com tudo por cima dele na segunda. A série, aliás, é um exemplo de história que desenvolve bem as 5 camadas de representatividade (inclusive ser escrito por mulheres).

Eu assistindo a série. É UM ALÍVIO TÃO GRANDE VER QUE ESSA HISTÓRIA EXISTE É REAL É POSSÍVEL
(e mais octavia...) (e ela nem é minha preferida, não sei como invadiu esse post assim)


Eu assistindo a primeira temporada e comentando com a minha amiga:

POR QUE NINGUÉM ASSISTE ISSO?

Porque ninguém conhece.

Tenho certeza de que se fosse outro mundo (onde não existe preconceito com YA), que se fosse um livro bom, a série teria o mesmo tratamento de The Walking Dead e Game of Thrones. Tanto na questão de recepção do público quanto na questão de orçamento mesmo, dá pra ver que eles não têm um orçamento bom (a série só ganhou abertura na segunda temporada!). Tirando um efeito porcaria aqui e ali, o resto é muito bom. O FIGURINO É A COISA MAIS MARAVILHOSA QUE TEM.

Tá, vou parar por aqui.

Eu to muito muito muito feliz de assistir essa série.

E muito morta também, porque vou sofrer muito agora que to em dia.



The 100 tem duas temporadas completas (a primeira 13 episódios, a segunda 16) e a terceira confirmada para lançar no fim de 2015 (espero que com 50 episódios e meus personagens vivos).

-dana martins


Conheça Orphan Black



TAGS: , , , , , , ,

Mostre para o autor o que você achou Recomende:

MAIS CONVERSAS QUE VOCÊ VAI GOSTAR

5 comentários

  1. AHAHA gostei muito dos 50 episódios e todos vivos! Mas em The 100 sabemos bem que isso vai ser quase impossível :'(

    Por acaso vi esta série logo no início pela dica de uma amiga e gostei muito. Dá um tapa na cara quanto à previsibilidade e agora tbem estou triste por ter já visto tudo :| Ainda bem que "já" vem no fim de 2015 :D

    Já agora, não sabia que o livro era assim tão foleirinho. Já pensei em lê-lo mas não resisti à série primeiro :)

    Bem, ainda bem que alguém gosta de The 100!

    ResponderExcluir
  2. Aee! Que post incrível! <3 Eu vi The 100 por causa de uma indicação e ainda enrolei quase um mês para ver, mas quando vi foi durante três dias seguidos. Ainda bem que eu estava de férias...
    Nossa, os finais das temporadas são sempre destruidores. A segunda temporada acabou com uma mistura de coração parada com um choque.
    Mais divulgação para The 100! <3
    P.S. Octadiva

    ResponderExcluir
  3. Eu ja conhecia a serie ants de post, alias, Sou muito fã mesmo shajsda
    Mas tipo vc definiu tão bem tudo, que estou usando esse post para influênciar meus amuigos a verem, e ta dando certo ;) thx

    ResponderExcluir
  4. A série até que começou legalzinha, mais ficou uma porcaria agora.

    ResponderExcluir

Posts Populares

INSTAGRAM


Instagram

FALE COM A GENTE!

Nome

E-mail *

Mensagem *