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Live Action: dando vida à Mulher-Maravilha

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A essa altura do campeonato, as pessoas mais atentas já devem ter percebido que os meus textos foram sendo afunilados na medida em que iam passando: enquanto o primeiro falava das adaptações e o segundo foi especificamente sobre super-heroínas, esse terceiro irá mostrar o esforço para levar a Mulher-Maravilha para as telas. Você já parou para contar quantas tentativas foram?

Em uma rápida viagem pela a história da Mulher-Maravilha, encontramos duas origens que se interligam em diversos aspectos, como o fato dela ser uma amazona, filha da rainha Hipólita e, portanto, uma princesa. Diana, seu nome de batismo, em sua fase adulta viaja da Ilha de Temiscira, sua casa, para o mundo dos homens, no qual vem a desenvolver o alter ego da Mulher Maravilha para salvar o dia, utilizando os super-poderes e artefatos que ganhou dos deuses de presente.

Mas tão turbulenta quando a viagem da princesa amazona ao mundo mortal é a que fez dos quadrinhos para outras mídias. Descubra o porquê aqui embaixo!

A PRIMEIRA ADAPTAÇÃO

Quem acompanham mais veemente o universo dos quadrinhos e tem um conhecimento além do unicamente cinéfilo/seriador, sabe que a Mulher-Maravilha é uma das personagens que mais sofreu durante os processos de transposição quadrinhos-TV ou quadrinhos-cinema.

Embora ela seja uma das personagens mais marcantes e mais conhecidas dos super-heróis, a única vez que Diana viu a luz do dia foi na série homônima, exibida entre 1975 e 1979 originalmente produzida pela ABC e exibida, após o cancelamento pelo canal, pela CBS.

Lynda Carter deu vida à amazona, que fora de seu alter ego adotava o nome de Diana Prince. A série rapidamente tornou-se um ícone da cultura televisiva e, claro, da cultura geek, durando 3 temporadas e 59 episódios, sendo, assim, o maior (e único) marco da Mulher-Maravilha em carne-e-osso.


Desde então, todas as novas tentativas de dar vida à Princesa de Temíscira foram falhas, sendo que a primeira delas é, curiosamente, datada de antes da série estrelada por Lynda Carter

TELEFILME

Em 1974, a ABC produziu um piloto que posteriormente foi exibido como um “filme para a TV”. A intenção era ver como a audiência iria receber a personagem e se os planos para uma futura série seriam ou não viáveis/lucrativos.

Para o espanto do público (e dos fãs!), o filme trazia uma Diana loira, com um uniforme completamente remodelado e suas raízes modificadas, o que acabou culminando numa Mulher-Maravilha sem poderes. Aí fica a pergunta: oi?

Consequentemente, o telefilme teve uma baixa audiência, e aquele projeto em particular foi engavetado, levando a ABC e a Warner remodelarem todo o formato e surgirem com a nova ideia da série que, no ano seguinte, colocaria Lynda no papel de Diana.



FILME DE 2005

Pelos 26 anos que seguiram o cancelamento/final de Mulher-Maravilha (série), a personagem não foi mais vista em nenhuma produção além dos quadrinhos e desenhos/filmes animados.

É então que, na primeira década do novo século, começam a surgir rumores do que viria a ser o primeiro filme live-action da/com a Liga da Justiça. O projeto, intitulado Justice League: Mortal, deveria ter sido lançado em 2005, mas sequer começou a ser produzido, sendo engavetado pouco após a pré-produção, com o seu roteiro vazado no começo desse ano.


O filme, que mostraria a Liga completa, faz parte dessa era que datamos como pré-Homem de Ferro. Nele, Megan Gale daria vida à Diana, contando também com a presença do Super Homem (D.J. Cotrona), Batman (Armie Hammer), Flash (Adam Brody!), Lanterna Verde (Commom), Aquaman (Santiago Cabrera) e Ajax, O Caçador de Marte (Hugh Keays-Byrne).

Embora nunca tenha saído do papel, o cast chegou a se reunir, como você pode ver aqui e aqui.

FILME DE JOSS WHEDON: 2006

Curiosamente, me deparei na semana passada com uma segunda tentativa de levar a Amazona para o cinema, que não só iria contar a história de origem da personagem, como também traria um vilão inédito. O projeto era encabeçado por ninguém menos que Joss Whedon, diretor dos dois filmes d'Os Vingadores e um dos responsáveis pela construção do Universo Marvel no cinema.  

Infelizmente o filme acabou sendo abandonado no ano seguinte devido a demora da Warner em tomar uma decisão, o que acabou culminando na saída de Whedon da empresa, que foi buscar emprego na concorrente Marvel. Boo-hoo, what a lost!

Artes conceituais do filme de Whedon
Desde então, nesses quase 10 anos, tivemos outras duas tentativas, agora com séries:

WONDER WOMAN: SÉRIE DE 2011

Em 2011, Adrianne Palicki (que hoje é a Harpia, em Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D.) (TÁ TODO MUNDO INDO PRA MARVEL DEPOIS DE SAIR DA DC! Ê NEGADA!) daria vida à Diana, em um projeto encabeçado pela NBC. A série trabalharia com dois alter egos da Mulher-Maravilha, o que gerou uma confusão enorme que exige muita atenção pra ser compreendida.


Chamando-se Wonder Woman, a série mostrava a atriz no corpo da própria Mulher-Maravilha, como a famosa heroína e salvadora do dia. Havia também a identidade pública da personagem, exatamente como Diana Themyscira, uma mulher de negócios, dona da empresa Themyscira Enterprises, que na série todo mundo sabia ser a “identidade” da famosa Mulher-Maravilha. Algo que, particularmente, achei desnecessário e muito sem noção. Até porque, vamos combinar, se todo mundo conhecia essa identidade, o que impedia os vilões decidirem, por exemplo, explodir o prédio da TE com Diana lá dentro e, pronto, acabar de uma vez por todas com a Maravilha? É claro que a gente sabe que nas séries ninguém é inteligente suficiente para pensar nisso, mas ainda sim...

A produção ainda trazia um segundo alter ego, que era o escape de Diana (Mulher Maravilha e Mulher de Negócios) do mundo heroico, ego este que era utilizado quando a personagem precisava de um “time-out”.

Na série, a linha histórica da personagem foi mantida. Seu icônico uniforme (que mais parecia ser feito de plástico) estava todo completo, além dos braceletes, tiara, o laço e o jato invisível.

Durante o piloto, algumas coisas chamaram a atenção do telespectador, e, claro, a minha: a primeira foi a troca do shorts do uniforme por uma longa calça colada, que foi utilizada em grande parte do episódio, até que em um determinado momento, lá pro final, a peça de roupa é novamente trocada para o famoso shortinho, que se estende até a ultima aparição da amazona.

Há também o fato (trash) da cena inicial de Adrianne, que mostra a Maravilha correndo atrás de um bandido. Pondo a beleza natural da atriz à parte (que chama bastante atenção!), os efeitos deixaram muito a desejar, com uma Maravilha mostrando sua “super-velocidade” de forma deplorável e até mesmo irônica, motivo para piada para os que foram checar a produção. 

Em contrapartida, algumas coisas se destacaram positivamente, como mostrar o lado solitário da heroína no final do episódio, quando a personagem está checando sua página do Facebook, completamente sem amigos, forçando-a a criar uma página fake para Sylvestre, o seu gato.

Outro ponto muito interessante é quando a Diana Themyscira (a Mulher de Negócios) está avaliando a boneca do seu ego heroico, que em breve será comercializada. Ao ver a action-figure, a personagem mostra-se completamente contra o objeto, principalmente aos grandes implantes que ela recebeu na região mamária. Era uma “mulher perfeita; bunda perfeita, peito perfeito, perna perfeita”, algo contrário ao que ela queria passar para as pessoas, que precisavam acreditar que ela, assim como todos as mulheres, possuía suas imperfeições.


No final, o lado ruim pesou mais do que o lado bom e o piloto não passou pela a aprovação do canal, fazendo com que a série fosse cancelada antes mesmo de ir ao ar e o seu piloto nunca foi exibido na televisão. Porém, marcado como Unaired, a produção vazou pouco tempo depois na internet, e dando uma olhada aqui, você pode assistir ao episódio (sem legendas).

* A título de curiosidade: a vilã do episódio piloto era ninguém menos que Elizabeth Hurley, no papel da vilã Veronica Cale. Se o nome da atriz não acende uma luizinha no seu cérebro, aqui a resposta: ela fez a personagem Diana Payne em Gossip Girl, a namorada de Nate Archibald (Chace Crawford) e dona da revista Spectator, lá na quinta temporada.
** Revendo uma parte do episódio percebi que uma das vítimas dos planos de Veronica Cale era o ator B.J. Britt, que faz o personagem Antoine Triplett em, adivinhe só!, AGENTS OF SHIELDS!!!!!!!!!

AMAZON: SÉRIE DE 2013

Com a série cancelada, dois anos se passaram sem nenhum interesse em tentar, mais uma vez, adaptar a Mulher-Maravilha. Mas é em 2013 que os ânimos voltam a correr.

A The CW (nota mental: o canal exibia Smallville após a fusão da Time Warner e da UPN – United Paramount Network), que recentemente havia começado a se engajar nas adaptações quadrinho-TV com Arrow, revelou ao público que estava a procura de um script para o episódio piloto da série, que viria a se chamar Amazon. Pouco sabia-se sobre, mas acreditava-se que seria focado na vida da Mulher Maravilha com as Amazonas, logo depois sendo inserido a viagem da personagem ao Mundo dos Homens, onde viria a se chocar e criar esse alter-ego heroico.

O projeto acabou não ganhando muita força, ficando apenas no imaginário da CW, que pouco depois adaptou e estreou a série The Flash. Sem nenhum nome entrelaçado à produção, a “série” foi engavetada pelo canal.

Com todas essas tentativas falhas desde Lynda Carter, a primeira e única Mulher-Maravilha, um enorme frenesi cresceu em volta da personagem, culminando em um enorme medo da transposição da amazona dar errado se algum dia viesse a acontecer. É então que o mundo é atingido pelo o anúncio de que, finalmente, Diana veria a luz do dia novamente, e dessa vez era pra valer!

O FUTURO

Batman e Superman: Alvorecer da Justiça será a continuação de O Homem de Aço, filme de 2013 estrelado por Henry Cavill, que não só trará um novo Batman, vivido por Ben Affleck, como também introduzirá a Liga da Justiça, contando, é claro, com a Mulher-Maravilha

Para o papel, o estúdio contratou a israelense Gal Gadot, conhecida pela personagem Gisele Yashar na franquia Velozes & Furiosos. A felicidade aumentou quando outro anúncio confirmou que a atriz não só estará em Batman e Superman, mas também irá estrelar o seu próprio filme na pele de Diana Prince, marcado para 2017, um ano após Alvorecer da Justiça.

Gal Gadot (à esq.) e a atriz no corpo de Diana, na primeira (e única) imagem oficial da personagem





Com esse anúncio firmado e a confirmação inegável que tal fato irá acontecer, muito foi-se questionado, sendo que a principal pergunta em torno desse boom é o que vamos discutir na próxima semana: Estaria o mundo pronto para a Mulher Maravilha?



Esse é o mês das Super-Heroínas no CC! Leia os outros posts aqui.



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O autor desse texto é o VICS, o moço simpático da foto ao lado, e, sim, vics tem um blog! Sou blogueiro há mais de cinco anos, e já passei por diversos projetos até chegar aqui. Me deparei com a Dana há alguns anos e esse é o meu primeiro "projeto colaborativo" desde que nos conhecemos (na verdade, é o meu primeiro, ponto). Estarei por aqui por mais uma sextas, postando um projeto de quatro partes sobre... quadrinhos? Quadrinhos.
Não quer perder? Então chega mais e fica de olho que a coisa tá bacana!

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2 comentários

  1. Muito boa sua visão da personagem, gostei muito.

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  2. Muito boa sua visão da personagem, gostei muito.

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