Buscando o meu lugar Pam Fardin

Buscando o meu lugar: os altos e baixos da psicologia

4.10.14Pâmela F.


Queria dizer que eu amo e sou fã de carteirinha dessa série do CC sobre a decisão de profissões e "sobre o que fazer da vida". Fiquei mais feliz ainda quando a Dana me deu bandeira branca para escrever sobre a minha carreira em início ainda. Deixo claro que ainda estou no 4º período na data deste post e a estrada ainda é bem longa pela frente, mas queria deixar meu ponto de vista e a minha experiência de escolha desse curso até agora.

Vamos lá:

Desde o primeiro ano do ensino médio eu já tinha colocado na cabeça que eu deveria me centrar em algumas escolhas, pelo menos ter algo em mente, para que lá na frente eu não tivesse dificuldade. Isso ajudou? Sim. Diminuiu a dificuldade? Não. Minha família é repleta de contadores, engenheiros, advogados e até gente com empreendimento próprio. Quando eu toquei na palavra "psicologia", logo foi uma maré de comentários. Aqui vai alguns dos selecionados:

"Você vai ser pobre e vai andar de havaianas brancas para sempre."
"Você vai cuidar de doidos."
"Você vai ficar maluca."
"É um curso de ler demais."
"Eu prefiro matemática."



Ainda por cima, não só psicologia era vítima desses comentários, mas também os meus outros cursos de escolha: jornalismo e Letras Inglês. Por fim, no terceiro ano do ensino médio, a escolha foi feita, mesmo com tudo que ouvi e opiniões que eu tive que combater. Psicologia combinava comigo, eu gostava de tudo que aprendi sobre o curso. E foi isso. O governo do ES tem um projeto semelhante ao ProUni, chamado Nossa Bolsa, e eu consegui uma bolsa integral em uma faculdade particular. Graças à Deus a parte 1 tinha dado certo.

Já dentro da faculdade, comecei a reparar inicialmente a dinâmica de um curso superior. Isso não serve só para a psicologia, mas para todos os cursos. Dentro da faculdade, me senti mais livre para sentar na biblioteca e ler sobre qualquer assunto, coisa que na escola regular, isso era praticamente inaceitável. Se eu quisesse saber sobre as propriedades das folhas de uma briófita em biologia, ou qualquer assunto bem específico, seria uma perda de tempo. O ensino era totalmente voltado para tirar uma nota boa no ENEM e tudo que estivesse fora disso era desnecessário. Já nessa realidade, tudo o que você puder ler vai te dar o sentimento que isso está te ajudando. O que eu quero dizer, é que na faculdade eu me senti mais livre para aprender.

O curso de psicologia tem um modo de ser todo próprio. Até formar, nós temos que tomar uma espécie de "partido" dentro das abordagens teóricas, sendo que essa escolha então ditará o modo de atender um paciente e pensar na pessoa em sua totalidade. Como a Isabelle também explicou no post dela aqui no CC, todo mundo acha que Freud é o grande mestre e às vezes nem sabem do que a psicanálise realmente se trata (eu penso que se soubessem a verdade, não pensariam do mesmo jeito, psicanálise é bem mamilos, haha). E também como a Isabelle, eu não suporto Freud! (High five). Vou confessar que essa escolha teórica me assusta um pouco, mas pelo menos eu tenho certeza que a psicanálise já está fora de cogitação. Mas quando parei para analisar minha grade curricular, percebi que o meu curso não tem um enfoque somente em Freud, mas sim também nas outras "escolas teóricas". Isso foi um alívio para mim. Às vezes isso se torna um problemão dentro da própria psicologia, pois isso torna os profissionais bem fechados à sua própria opinião, sendo que a proposta de fazer psicologia não é bem assim.

Como a Isabelle, é assim que eu também reajo ao ouvir "psicanálise"

Quanto a mim, confesso que tive bastante dificuldade nas matérias bem biológicas do curso, como neuroanatomia e psicofisiologia, mas não consigo deixar de me encantar com alguns conceitos e análises do homem, como ele se comporta e age perante o ambiente. É claro que existem coisas que a gente ouve em sala que vão diretamente contra todos os valores que você aprendeu durante toda sua vida com sua família. Mas faz parte do curso aprender a encarar isso como parte de um processo, e isso está me ajudando a amadurecer. A encarar meus problemas com outro olhar. Tive algumas experiências práticas, mas nada como um estágio ou a oportunidade de encarar um paciente real na minha frente na clínica. Mas hoje quando escrevo esse post, digo que não consigo me enxergar em outra profissão e/ou carreira. Sou muito feliz com tudo que aprendi e espero que possa ajudar várias pessoas no que eu fizer.

Eu tive que colocar essa imagem em algum lugar do post, sorry.

Como vários autores falam, também dá para se aplicar à psicologia: ela depende da história de vida do sujeito, do ambiente, da hereditariedade e de múltiplos fatores para que tudo funcione. :)

Espero que dê tudo certo!
Pam Fardin

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1 comentários

  1. Pam, tb faço psi, e amei esse seu comentário "todo mundo acha que Freud é o grande mestre e às vezes nem sabem do que a psicanálise realmente se trata (eu penso que se soubessem a verdade, não pensariam do mesmo jeito, psicanálise é bem mamilos, haha). " É bem isso que vc falou, e tb não gosto do titio Freud.

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