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A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

9.10.14Isabelle Fernandes


"O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher)."

Não sei se é pela minha tendência de ver romance em tudo, mas tenho a impressão que Kundera quis falar de amor nesse livro. Não um amor utópico, platônico, lírico, não. Durante a leitura a sensação que temos é que Kundera quis falar sobre o amor que dói, que machuca, um amor vicioso. Sabe aquela frase “ruim com ele, pior sem ele”? Essa é a relação de Tereza com Tomas. Para saber mais, continue lendo!

Esse é o primeiro livro que leio de Milan Kundera e posso dizer que me apaixonei por sua escrita, pela forma em que ele se intromete no meio da história para dar sua opinião, para nos fazer questionar sobre onde começa o personagem e termina o escritor, para fazer pontuações que nos fazem pensar, pensar e pensar. É preciso ler com toda a atenção, senão pode-se perder a sutiliza do que é dito, pois apesar de ser uma leitura fluida, engana-se quem pensa ser uma leitura fácil e superficial.

Sabrina e o emblemático chapéu côco

A história do livro gira em torno de 4 personagens (Tereza: a esposa apaixonada; Tomas: o marido infiel; Sabrina: a amante; Franz: o amante da amante), tendo como pano de fundo a cidade de Praga das décadas de 60 e 70. Durante a história, nos é feito indagações a respeito da vida, das nossas escolhas, da influência do passado em nosso presente, indagações essas permeadas pela dicotomia leveza e peso.


“Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”

Cada personagem é permeado por essa indagação e ao longo da história vamos percebendo que cada um escolheu sua carga ou aceitou a carga que a vida lhes deu. Mesmo quando fazem questionamentos sobre a própria vida vemos que esses questionamentos estão orientados pela carga que o personagem sustenta.

Tereza, Tomas e Karenin

É difícil fazer um resumo dessa história, pois, a complexidade é tamanha, e talvez uma leitura não seja capaz de absorver. A insustentável leveza do ser é um daqueles livros que precisam ser lidos várias e várias vezes, onde  cada leitura apresentará diferentes interpretações.

Não posso acabar esse texto sem citar uma das passagens mais lindas da história, na minha opinião. Há uma cachorrinha que representa toda a ligação entre uma pessoa e outra, e é no capítulo sobre ela que Kundera exemplifica o amor realmente puro.


“É um amor desinteressado: Tereza não quer nada de Karenin. Nem mesmo amor ela exige. Nunca precisou fazer as perguntas que atormentam os casais humanos: será que ela me ama? será que gosta mais de mim do que eu dela? Terá gostado de alguém mais do que de mim? Todas essas perguntas que interrogam o amor, avaliam-no, investigam-no, examinam-no, talvez o destruam no instante em que nascem. Se somos incapazes de amar, talvez seja porque desejamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença.”

Sinto que Kundera é aquele autor que você precisa ler pelo menos uma vez na vida, e fico feliz de ter tido essa oportunidade.


                                                                                                                         - taiany araujo

- Nome: A Insustentável Leveza do Ser

- Autor: Milan Kundera

- Editora: Nova Fronteira (e várias outras)


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