Brenda Cordeiro Buscando o meu lugar

Buscando o meu lugar: Vou ser médica, e agora?

18.9.14Brenda Cordeiro



Olá queridos e queridas, leitores lindos do CC! Hoje, continuando a nossa linda coluna "Buscando o Meu Lugar", é a minha vez (Brenda /o/) de falar um pouco mais sobre minhas escolhas com vocês.

Acho que, entre todos os outros membros do CC, minha faculdade é a mais 'diferente'. Isso porque, enquanto a maioria faz ou quer fazer algum curso na área de humanas (Letras, Comunicação Social e afins), euzinha aqui faço Medicina. Whaaat? Sim, isso mesmo. Eu já falei um pouco sobre essa minha escolha no meu Top 5, mas hoje vou me aprofundar um pouco mais.

Quer saber porque eu escolhi essa vida e como ela é? Clica ai embaixo, vai! :D

Dizem que ser médico é um dom, que a escolha da profissão ocorre porque a pessoa sempre foi destinada a salvar vidas. Eu não sei se esse é o meu caso, mas sei que desde pequena essa sempre foi a profissão que eu sonhava ter. Eu cresci muito perto do meio médico, já que minha mãe trabalha em hospitais e consultórios, tendo muitos amigos médicos. Também sempre gostei muito de ver séries e filmes que falavam sobre Medicina: sou apaixonada por House, Grey's Anatomy, Body Of Proof... Ou seja, desde que entrei no ensino médio eu já sabia que, para conseguir entrar numa faculdade de medicina, eu teria que ralar.

Aquela foto vergonhosa durante o trote...
Dizem também que para ser médico você precisa gostar de estudar, o que é um problema para mim. Eu nunca gostei de verdade de estudar (me digam vocês, quem gosta?), o que se revelou quando, no final do terceiro ano, eu não consegui passar para nenhuma faculdade de medicina. E na época eu tinha aquele pensamento fechado e desenhado (não só) pelos diretores de colégios de que universidade boa é universidade pública. Por isso eu me peguei em uma depressão horrível, me sentindo a pessoa mais burra do mundo porque não havia passado de primeira nos vestibulares mais concorridos do Rio de Janeiro.

Bem, depois de uma longa conversa com uma amiga da minha mãe que é médica e que havia passado pela mesma coisa, eu percebi que não passar de primeira não era a pior coisa que poderia acontecer comigo. Quantas pessoas ficam anos no cursinho para conseguir a tão sonhada vaga? Lá fui eu, me matricular e começar o tão temido cursinho pré-vestibular.

E não é que só precisei de seis meses para conseguir minha vaga? Durante esse tempo, eu descobri que uma vaga de medicina continua sendo uma vaga de medicina sendo ela paga ou não, afinal, o que define o bom médico não é o nome da universidade que vem escrito no diploma dele.

Braaaainz! (Foto da aula prática de Neuroanatomia,
uma das matérias mais difíceis da faculdade!)
Depois de finalmente começar a faculdade, pensei que meus problemas tinham acabado. Mas é claro que eu estava errada. A faculdade é, sim, muito difícil, é preciso muito estudo e nem todas as matérias são super interessantes e legais, mas esse não foi o problema do qual estou falando. Um ano depois, quando eu já estava acostumada e já gostava de verdade do lugar, das pessoas e dos professores, minha universidade foi comprada por um grupo que só tinha um objetivo: acabar com a universidade e conseguir ganhar o máximo de dinheiro possível nesse processo. Após muitas greves de professores e paralisação das aulas, a solução escolhida pelo Ministério da Educação foi descredenciar a universidade, acabando com a faculdade de Medicina mais tradicional do Rio de Janeiro e alegando que um dos motivos era a baixa qualidade de ensino (algo que eu discordo completamente, mas tudo bem).

Enfim, isso aconteceu. Minha faculdade foi fechada e, como 'prometido', eu e meus colegas fomos transferidos para outra universidade. Dos males o menor, não é? Só perdi um período e conseguimos continuar juntos em uma faculdade que, teoricamente, também é muito boa. Só que essa transferência não ocorreu tão lindamente assim. A nova universidade parecia não estar nem um pouco preparada para receber os alunos, e ainda não parece. Esse período de 2014.1 foi com certeza o pior para mim. Eu espero de verdade que as coisas se encaixem e comecem a funcionar bem, que essa mudança tenha sido para o melhor.

"Saving babies, hunting things: the family business" what
(obs: não, eu não vou ser pediatra)
Todos esses problemas me fizeram pensar (várias vezes) se essa escolha que eu fiz era mesmo a certa para mim. Como eu disse lá no começo, eu sempre quis fazer Medicina e nunca nem pensei em um 'plano B', então a possibilidade de ter feito a escolha errada me dava muito medo. Acho que parte disso é pelo meu medo e ansiedade de fazer planos para um futuro distante (por exemplo, o que eu quero estar fazendo daqui a 10 anos? eu não faço ideia e nem quero pensar sobre isso, muito obrigada!). Eu sei que, no momento, eu estou feliz com a minha escolha. Atualmente eu estou no sexto período, ou seja, na metade da faculdade. Me formo em 3 anos e já estou morrendo de medo só de pensar em estar formada, em ser médica. E ainda tem a residência, que é mil vezes mais difícil que o vestibular e eu ainda nem sei o que quero fazer!

Falei demais sobre minha vida mas não expliquei nada sobre como a faculdade de Medicina funciona, né? Vou fazer isso agora.

"Selfie" no centro cirúrgico! ;)
Basicamente o curso é dividido em 3 partes: ciclo básico, ciclo clínico e o internato, cada um durando 2 anos.
No ciclo básico você tem as matérias 'base' da faculdade, como fisiologia, anatomia, farmacologia, semiologia e afins.
Já no clínico, as coisas começam a ser mais aprofundadas, com matérias focadas para áreas, como cardiologia, pediatria, endocrinologia, etc.
O internato são 2 anos de prática em hospitais, com um rodízio de alunos em cada serviço.
Se sobreviver a tudo isso, parabéns, você se forma e já é médico! Mas, caso queira se especializar em alguma área, você precisa entrar para uma Residência, que, dependendo da especialidade e do hospital, a relação candidato/vaga é extremamente pequena. Ou seja, é como o vestibular de medicina, só que pior.
Resumindo, quando falam que para ser um bom médico é preciso estudar muito, estão apenas falando verdades!

Tirando todos os problemas, o medo, a ansiedade e as indecisões, eu sou feliz com o que escolhi fazer. Cada matéria, cada prova e cada período é um novo obstáculo, cada vez com um nível de dificuldade maior. Até agora consegui vencer todos eles e espero que continue assim.

- Brenda Cordeiro

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4 comentários

  1. Imagino você maluca acompanhando aquele residência INSANA de Grey's Anatomy.

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    1. Nossa, Grey's é muito legal! E já me fez pensar em fazer cirurgia várias vezes!
      O mais legal é quando vejo um caso em aula, ou na prática, parecido com algum da série... Me sinto um gênio! Hahaha

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  2. Já escutei varias vezes que quem faz faculdade de medicina nao dorme, pois passa a estudar a noite. É verdade?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Isso depende muito da pessoa. Eu particularmente não consigo funcionar assim, se eu não durmo não funciono no dia seguinte. Então prefiro estudar de dia, até meia-noite no máximo (em época de provas).
      Mas tenho amigos da faculdade que viram várias noites estudando, alguns usam até Ritalina (estimulante do sistema nervoso, usado pra tratamento de déficit de atenção) pra conseguir manter o ritmo.

      Excluir

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