CCLivros Isabelle Fernandes

Romances de banca são realmente ruins?

17.7.14Isabelle Fernandes



Eu amo romances de banca.


É engraçado, mas toda vez que alguém pede para que eu escreva sobre romances de banca, minha primeira frase é essa. E quem diabo é você garota???, vocês devem estar se perguntando. Ok, ok vamos por partes.

Meu nome é Taiany, faço faculdade de psicologia, tenho 22 ou 21 anos (desde dos 17 não sei mais minha idade. Juro, fico sempre na dúvida. É só perguntar para quem me conhece). Uma das minhas melhores amigas faz parte do CC (Bells, olha como sou legal) e vez ou outra eu estou dando altas explicações a ela sobre romances de banca, um tipo de literatura que faz muita gente virar a cara. Ela sempre me diz que eu deveria explicar isso para outras pessoas, assim, um dia ela sugeriu que eu escrevesse aqui para o CC sobre este assunto um tanto polêmico (tão polêmico quanto mamilos). Então chega de enrolação e vamos lá.

Um dos motivos que me fizeram demorar a escrever esse post foi o fato de não saber como começá-lo. Eu não sabia se começava explicando o que é este bendito romance de banca (não consigo conceber isso, mas tem gente que não sabe) ou se falava como acabei caindo nesse mundo de histórias tão dicotômicas. No entanto, como muita gente não conhece que cargas de literatura é essa, resolvi dar uma de professora e explicar algo que todo mundo já viu mas não sabia o que era.

SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA

Romances de banca já foram chamados de romances florzinha, literatura de mulherzinha e entre outros, mas eu particularmente prefiro a nomenclatura romance de banca, pois exemplifica bem o eles são. Sabe aqueles livrinhos com capas pra lá de constrangedoras que vemos nas bancas de jornais e nos sebos? São esses. E não torça o nariz agora, porque você pode ter lido um romance de banca sem saber, ou gosta de algum autor que escreve justamente esses romances. Falarei mais sobre isso em outro post.

Voltando ao ponto, é bom saber que as histórias sempre seguem um modelo:

1) Ocorre o primeiro encontro entre uma jovem e um homem extremamente sedutor e geralmente milionário. Porém, ocorre uma reversão de expectativa, e neste primeiro momento, os personagens passam a se odiar; 
2) Na segunda parte, acontece o primeiro contato físico e sentimental que desencadeia uma série de emoções em ambos os lados; 
3) Então acontece o clímax, que é o momento onde algo os impede de ficar juntos, seja por motivos externos ou pessoais; 
4) Na quarta e última parte temos o casal firmando um compromisso e/ou casando e vivendo felizes para sempre. De forma geral, é nessa parte que os protagonista revelam se amar e blábláblá.

Há muito preconceito quanto aos romances de banca, livros que nossas tias, mães ou avós adoravam e talvez ainda adorem ler escondidas. Eu também tinha porque, né, venhamos e convenhamos: as capas são horrorosas e não há nenhum atrativo nem marketing que nos instigue a curiosidade em lê-los. Pior, tem muitos romances - e quanto digo muito é uma quantidade absurda - ruins, mas por outro lado, há joias inomináveis, e digo sem medo que alguns dos melhores romances que li faziam parte dessa categoria literária.

Como muitos fãs da categoria se sentem ao admitir sua paixão...

Eu posso dizer que cresci muito como leitora ao conhecer os romances de banca e, não só isso, formei outra opinião sobre livros. Quando digo livros, falo de qualquer tipo de livro, e você só pode falar se é ruim ou não depois de conhecê-lo. Há no meio literário preconceitos gigantescos com autores, “modinhas”, gêneros. E isso só afasta as pessoas das leituras. Não seria “dos livros” Taiany? Não. Para mim, o que faz de alguém um leitor não é o fato de ele ler livros, é ele ler e gostar do que lê, seja livros ou bulas de remédio. 

Mas deixa eu voltar para a questão do preconceito em torno dos livros chamados “leitura de mulherzinha”. Devo dizer que grande parte das pessoas que nunca leram um romance desse gênero acredita que essas obras são açucaradas, com baixo teor cultural e muitas cenas de sexo entre os protagonistas.

Bom, elas estão muito enganadas. Primeiro porque cultura é algo abrangente e diversificado, o que faz parte da cultura daqui pode não fazer em outro lugar. Dessa maneira, tudo pode ser classificado como cultural. E quanto às cenas de sexo, nós somos humanos e fazemos sexo. Além do mais, se os livros falam de relacionamentos, de amadurecimento e vida comum entre homens e mulheres, por que não deveriam tratar de maneira natural o dia a dia de uma relação à dois? Parafraseando outra blogueira: “Sexo é a consequência natural de um relacionamento adulto. Ou seja, se um livro conta a história de um romance entre dois adultos, como poderia não haver sexo?”.


...como as pessoas reagem ao ouvir falar sobre

É claro que todos têm direito às suas próprias opiniões e se você afirmar que leu um romance de banca e não gostou,  prontamente respeitarei. Ou ainda, se dizer que não gosta de romances, tudo bem. O problema é que a maioria das pessoas nunca nem mesmo virou a primeira página. Como você pode criticar um conteúdo que não consumiu?

Há muito o que se falar sobre esses romances. Há as histórias certas para se começar a ler, as que se deve fugir, há a indagação sobre por que esses livros vêm com nome de mulheres na capa - como Jéssica, Bianca e outros (só não tem Taiany, triste isso) - e muitas outras questões que não lembro agora. Tem muita pauta para outras postagens sobre o tema.

Por fim, toda vez que vocês se depararem com um romance que fale sobre um homem e uma mulher que lutam pra ficar juntos, mesmo tendo falhas e percalços ao longo do caminho, comece a desconfiar que seja um romance florzinha. Aí é sua escolha virar a cara ou se aventurar e se surpreender, para o bem ou para o mal.


- taiany araujo

[saiba mais sobre o especial!]

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9 comentários

  1. As histórias seguem SEMPRE esse padrão 1-2-3-4? É porque são tantos... o.o

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    1. 1-2-3-4 me lembra guitarra, porque é um exercício pra coordenação dos dedos da mão esquerda. hehe
      Enfim... acredito eu que sim. Pelo menos os livrinhos que minha mãe tem são todos iguais, só muda o nome dos personagens

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  2. eu li muitos na adolescência... hoje em dia não leio mais porque esses novos não me prendem tanto como os publicados nos anos 80/90... mas qnd tenho algum em mãos, leio sem problema. Eu gosto ^^
    http://torporniilista.blogspot.com.br/

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  3. Felipe Fagundes, há exceções, mas no geral é esse padrão mesmo. Principalmente se for um livro contemporâneo, nos livros de época geralmente as histórias ganham um enredo mais elaborado, mas nos contemporâneos o 1-2-3-4 é bem comum de se ver. Tem tb as características de cada autora, tem autoras que vc já sabe mais ou menos o que esperar. A Nora Roberts por exemplo, não usa muito esse padrão, os personagens dela no geral, tem uma vida mais comum.

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  4. O post me fez lembrar que eu tenho uns quatro romances de banca pra ler. Como você mencionou, o enredo segue em sua maioria a mesma linha; mas eu gosto quando estou em busca de algo descomplicado. São livros rápidos e práticos. Funciona como um bom entretenimento. :)

    Estou amando essa semana literária, pessoal!

    Bjs ;)

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  5. Vamos ressuscitar posts antigos porque sim! \o/

    Então, eu posso dizer que comecei minha vida de leitora com os livros de banca e não há vergonhas nisso! Lembro de esperar ansiosamente pelo dia de ir ao centro de BH comprar e trocar livros usados (quem nunca, né? As bancas tinham a frente entulhada de pilhas e pilhas de livros antigos).

    Hahaha, sim, até hoje rola um constrangimento com a maioria das capas destes livros, mas eu nunca deixei de ler por isso. Eu tinha até os modelos preferidos. E como eu gostava e lia mais os históricos, repetia bastante quem ilustrava a história. Uma coisa que me estressa até hoje era quando os modelos não condiziam com os personagens (modelo loiro = personagem moreno).

    Quanto ao preconceito, o legal é ver gente metendo o pau no gênero e que ama Nora Roberts ou que lê muito desses romances e nem sabe que alguns são livros de bancam nas que aqui saíram como brochura (e mais caros!). Ou seja, é preconceito mesmo.

    Eu tive meio que uma decepção com os históricos porque comecei a questionar muito das situações (mesmo que sejam em outra época, é ficção, não precisa ser """real"""), mas de vez em quando eu acho uns livros tão bons que me fazem voltar a ter fé na ~literatura romântica. Entender um pouco de inglês abriu um mundo ainda maior e já li bastante coisa que provavelmente nunca serão traduzidas por aqui. E a gente segue firme na procura de mais coisas impactante. (Vamos voltar pra Mary Balogh e ler toda a série, sim?)

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    Respostas
    1. Primeiro, estou batendo palmas pelo seu comentário.
      Os modelos que não condizem com os personagens HAHAHAHAHAHAHAH Eu ai até fazer um post só disso, tem cada coisa bizarra, já li um livro que a capa era um caminha de bombeiro, mas não tinha nenhum bombeiro na história. Vai entender, acho que quem fez a capa nem sabia o enredo, mas isso tá melhorando graças a Deus.

      E sobre os romances de banca sendo vendidos na livraria...É ISSO MESMO. E o povo passar a amar a história, então tá na hora de parar com o mimimi preconceituoso.

      Sobre os histórias, eu tenho muiiiiiito medo de me decepcionar com eles, então esses eu escolho a dedo. Atéhoje tive experiencias maravilhosas. Posso te recomendar alguns que sou meus amores supremos.

      E simmmmmmmmmmmmmmmm, volte para a Mary e depois de diga o que achou, adoro surtar como meus romances favoritos.

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    2. Pois faça sim um post sobre isso porque a coisa me incomoda até hoje! Você imagina a minha decepção quando eu compro um livro que tem um cara loiro na capa e ele não é loiro na história?! Eu deveria processar as editoras?

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  6. Não sei como acontece nos romances de "livraria", mas o baixo orçamento que caracterizam os romances de banca é o que permite esses erros grotescos. No entanto, vemos muito menos isso últimamente, a editora Nova Cultura e a Halequim passaram a investir em divulgação e preparação. Isso é ótimo, e agora com eles sendo vendidos para grandes editoras, tão mais fé em uma diagramação decente.

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