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[Resenha Misturada] Walden ou A Vida nos Bosques, de Henry David Thoreau

13.11.13Elilyan Andrade

por elilyan e michelle


- Livro: "Walden ou A Vida nos Bosques"
- Autor: Henry David Thoreau
- Editora: L&PM Pocket/Abril/Global Editora
- Comprar: Estante Virtual, Saraiva, Cultura 
- No Skoob

* Esse livro faz parte do Charlie's Booklist [x]









Mini-crítica ~ Resumo:


Publicado em 1854, “Walden” ou “ A Vida nos Bosques” narra a experiência de dois anos, dois meses e dois dias de isolamento de Thoreau no lago Walden (Massachusetts, EUA). Cheio de referências a temas como economia, literatura, mitologia, história, poesia, vida no campo, fauna e flora o livro é quase um manual de filosofia prática. 

Retornando as resenhas misturadas do Charlie’s Booklist Elilyan e Michelle vêm contar o que acharam desse livro que é referência para o movimento beat e hippie.

Sinopse: Este livro, publicado pela primeira vez em 1854, levou a geração dos hippies a redescobrir a terra e a natureza, as árvores e os rios, os bichos e as estrelas. Estimulou e justificou a desobiediência civil contra o Estado guerreiro e tributário; ensinou o homem a ser solidário mesmo na solidão, identificando o seu semelhante e a comungar com o universo. A salvação do mundo e dos povos passa pela salvação do indivíduo, pelo respeito à liberdade individual e aos direitos à diferença e à diversidade. Esta é a lição maior deste livro.


>>> Elilyan

“Walden ou A Vida nos Bosques” é um livro que nunca antes ouvi falar e só achava que ele era uma espécie de empecilho entre eu e Hamlet, próxima leitura do Charlie’s Booklist, ou seja, tinha zero expectativa em relação a ele. 

Logo no começo do livro percebi que “Walden” é contraditório, pois ao mesmo tempo em que ele faz sua cabeça explodir com as ideias de Thoreau - desconfio que o escritor tem uma time machine, pois só isso
explica como ele consegue ser tão atual - ele cansa o leitor com seu estilo de escrita. Em alguns momentos o livro fica tão tedioso que é impossível impedir o bocejo. 

Mas “Walden” não é um livro que é referência para dois (eu disse DOIS!) movimentos de contracultura à toa. Como disse anteriormente, Thoreau tem ideias que hoje em dia são até comuns de tanto que são debatidas, mas que em 1854 gerou comoção por serem inovadoras. Questões como a vida em harmonia com a natureza, educação, economia e outras são analisadas e criticadas. Como homem prático que era H.D. Thoreau além de analisar e criticar também propôs novas perspetivas de vida, algumas que até hoje em dia podem chocar algumas pessoas, como quando ele escreve sobre a solidão:

“Acho saudável ficar sozinho a maior parte do tempo. Estar em companhia, mesmo a melhor delas, logo se torna enfadonho e dispersivo. Gosto de ficar sozinho. Nunca encontrei uma companhia mais companheira do que a solidão.” - pag. 132 

Como os capítulos do livro são escritos por temas fui atraída por aqueles que possuem mais relação com a minha vida: Economia, Leitura, Solidão, Visitas e Conclusão foram os que mais me agradaram e que renderam as melhores citações. No final "Walden" é uma leitura que vale a pena, pois ela, entre bocejos, me fez repensar meu estilo de vida.

"Por mais mesquinha que seja a sua vida, aceite-a e viva-a; não se esquive a ela nem a trate com termos duros. Ela não é tão ruim quanto você. Ela parece tanto mais pobre quanto mais rico você é. Quem vê defeito em tudo verá defeitos até no paraíso. Ame sua vida, por pobre que seja.” 


Nota: 3,5/5 conversinhas.


>>> Michelle

Ao contrário de algumas pessoas que estavam ansiosas para ler “Walden”, eu estava esperando que fosse chato. Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas só de ler a sinopse sobre um cara que vai morar no meio do mato e fica filosofando já foi o suficiente para me deixar com o pé atrás. Enfim... achei os assuntos abordados por Thoreau mais atuais que nunca e interessantes até certo ponto, mas o formato da narrativa é um tédio só. Foi bem difícil chegar ao final do livro.

Diferente do livro anterior (“Almoço Nu”), este não representou nenhum desafio no quesito estilo de escrita: é bem direto e simples. No entanto, o que me desagradou foi o tom excessivamente didático (vulgo manual de autoajuda) de algumas partes. Sem contar as descrições detalhadas das atividades do autor enquanto vivia no bosque. Cansativo até não poder mais.

Mas “Walden” não pode ser um clássico americano à toa, certo? E o motivo é fácil de perceber: a visão crítica de Thoreau sobre comportamentos que começaram a se intensificar com a revolução industrial, como o consumismo e a exploração capitalista desenfreada. Hoje em dia, os conceitos de sustentabilidade, consumo consciente e preservação de espécies/habitats já não são novidades para ninguém (embora, na prática, sejam pouquíssimo utilizados). Todavia, na época em que “Walden” foi lançado, as ideias inovadoras apresentadas por seu autor assustaram muita gente, ao mesmo tempo em que abriram um mundo novo de possibilidades para um outro tanto.

As duas partes que mais me interessaram e agradaram foram: aquela em que o autor fala sobre livros, sobre o poder dos clássicos e o emburrecimento dos alunos (e da população em geral) por causa da simplificação dos textos e da ausência de provocações/indagações; e uma outra em que fala de vegetarianismo.

"Somos subdesenvolvidos, atrofiados, iletrados; e neste aspecto confesso que não faço nenhuma grande diferença entre o analfabetismo do concidadão que não sabe ler uma letra e o analfabetismo daquele que aprendeu a ler apenas coisas para crianças e inteligências fracas." - pág. 110

Foi uma experiência válida (como 99% das leituras são), mas não posso dizer que tenha sido um prazer. 

Nota: 3,0/5 conversinhas


>>> Sobre a nota: Tanto a Elilyan, quanto a Michelle deram notas em torno de 3,0 o que permitindo-nos classificar "Walden ou A Vida nos Bosques" como um livro mediano.

Classificação final: 
(3,5/5 conversinhas)


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1 comentários

  1. Nossa, eu amei este livro!
    Concordo que ele não seja estimulante a ponto de não conseguirmos parar de le-lo, porém foi uma leitura que me fez enxergar o mundo atras da cortina. Influênciou como poucos a minha visão sobre as coisas e também me fez indentificar-me em várias citações. É um livro para ser lido com calma, a fim de entender o que o autor quer nos passar, e com um dicionário ao lado! Ao menos para mim houve diversos momentos em que precisei recorrer ao significado de alguma palavra para entendermos o todo da frase. Porém não considero isso um defeito e sim uma qualidade, afinal, o livro é, além de um prazer e um aprendizado, um meio de aprimorar nosso vocabulário. Coisa prezada por muita gente!
    Nota: 4,5
    Como sempre digo "nada é perfeito!" :p

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