adolescente bissexualidade

[Resenha] O beco do pânico, de Clovis Levi

26.10.13João Pedro Gomes

por João Pedro Gomes


- Livro: O beco do pânico
- Autor: Clovis Levi
- Editora: Globo
- Comprar: Submarino, Cultura
- No Skoob





Minicrítica ~ Resumo:

Caíque é um daqueles adolescentes que tem tudo o que alguém de sua idade poderia querer: boa aparência, dinheiro e a namorada mais desejável da escola. Mas sua vida aparentemente perfeita é abalada quando um súbito sentimento surge dentro de si. Afinal, o que aconteceria se, de repente, Caíque se visse apaixonado por alguém do mesmo sexo?

A abordagem da bissexualidade e dos diversos dramas da adolescência é o que move a trama de O Beco do Pânico, livro de um escritor brasileiro que proporcionou uma das leituras mais diferentes que já fiz. Apesar de alguns pequenos pontos fracos, com certeza vale pela originalidade da narrativa e pelas reflexões que proporciona ao leitor.

A princípio, eu não dava nada por esse livro. A proposta parecia comum demais, algo do tipo que a globo usaria em novela das nove com uma personagem secundária qualquer. Isso até eu pegá-lo em mãos e ler o diálogo impresso na contra-capa:
Caíque, de seis anos, entra correndo em casa, joga a mochila no sofá e, ansioso:
- Mãe! Mãe!
Eliana vê o filho feliz, saltitante. Sorri.
- Que foi, meu filho? Que alegria é essa?
- Mãe, dei hoje o meu primeiro beijo na boca, mãe! Na boca!
- É mesmo, filho? Conta como foi.
- Eu acho que estou apaixonado, mãe.
A mãe ri da frase do filho, tão apaixonado e tão pequeno.
- E como é o nome dela?
- É o Ricardo, mãe.
Silêncio total. 

O impacto que esse trecho causou em mim foi gigante. O modo direto com que o autor trata o assunto em tão poucas palavras me cativou de cara, e foi ótimo ver que essa característica prevalece durante todo o livro. Clovis Levi, com seu modo intenso de apresentar os fatos, consegue manipular o leitor, fazendo com que ele sinta profundamente cada cena, seja ela de piedade, paixão ou loucura.

Outro fator de destaque é o modo como o autor constrói suas personagens e as relações entre elas. Cada uma tem seus próprios conflitos e ideologias, e o contraste de personalidades é o que torna o livro tão real. Não me surpreende que o escritor tenha contribuído muito em mídias como o teatro e a TV, tão intenso é o jogo emocional que ele consegue criar.

Talvez o maior defeito de O beco do pânico seja o fato do livro ser curto demais, e não falo isso apenas por ter gostado muito da obra e querer que ela fosse maior. O pouco espaço reservado para desenvolver certos assuntos, como o bullying contra determinadas minorias, acabou deixando alguns elementos do livro meio superficiais, prejudicando um pouco a qualidade da trama. Mas as pequenas falhas de O beco do pânico passaram longe de estragar a leitura como um todo. Ao chegar ao final emocionante do livro, tudo de ruim fica pra trás, deixando apenas a doce sensação de que a leitura foi mais do que válida.

Sobre a nota: Esse é um daqueles livros pequenos em tamanho e grandes em conteúdo, que valem a pena o investimento. Totalmente indicado, principalmente para os que gostam de se envolver profundamente com situações fictícias.

Nota:

(4/5 conversinhas)

Aliás, fica a dica desse vídeo. Só pra ter uma noção melhor do que é o livro (e também pra ver como o autor é legal).

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