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Clube de Escrita: O dia em que a poesia fez sentido

26.6.13Dana Martins


Naaaah, calmae! Esse não é um texto sobre musas e palavras bonitinhas, ou qualquer coisa relacionada a poesia hoje em dia. Na verdade, é bem diferente. Esse post é mais para uma surpresa: a minha surpresa ao entender poesia. Se você não sabe escrever poesia, se você não sabe ler poesia, se você... poesia. Tanto faz, esse texto é sobre como eu descobri que poesia também existe no mundo real - e até que pode fazer sentido.

Não vou negar, minha mãe me inspirou a escrever poesia desde pequena e eu já escrevi ilustres obras. A minha criação mais extraordinária ficou guardada na minha memória e é mais ou menos assim:


E provavelmente aí eu esqueci quais cores mais usar, ou acabou espaço no aquário. 

Depois que eu descobri que poesia não era só mais definir cor de peixe ou rimar, eu desencantei dessa vida e decidi virar desenhista de bois. Hoje tenho um caderno com mais de 500 bois desenhados, mas isso é história pra outro dia. O que importa aqui não é nada disso.

É que eu nunca tinha entendido a poesia. Palavras bonitinhas... tá. É claro que eu li poesias, quem tenta passar no vestibular sem ler poesia? Barroco, romantismo e outros nomes de escolas literárias que os professores de Literatura adoram citar - e os vestibulares adoram usar porque é mais rápido do que um livro inteiro. Também abusei da minha memória decorando listas de características antes das provas, com palavras tipo "ufanista", "bucólico" e "forma". 

Ah, e os poetas do romantismo gozando em cima de mulher branquela... (e se essa frase fosse de uma escola literária, seria do modernismo, certo?)

Eu era ótima em analisar esses textos e passei no vestibular, estou muito bem, obrigada. 

(minha poesia mais recente, em homenagem ao saudosismo da infância)
Os sinais de que algo estava errado começaram no post da Igra sobre poesia, começando por aquele "quedê?" do título que me lembra a uma velha com verruga na cara - também da infância - e me irrita profundamente. Depois que eu consegui ser forte e ignorar essa versão homicida de "cadê?" eu li o texto e... Tá, poesia.

Não ligo pra poesia. Não leio poesia. não me importo com poesia.

Fico meio mal por confessar algo assim, eu queria realmente gostar.

Então o Bruno (que eu conheci pelo Clube de Escrita \o/) começou a vir com umas poesias e perguntar "o que você acha?" Meu cérebro respondia mentalmente: "Como é que se acha alguma coisa de poesia?" Acho que é por isso que muita gente vira escritor de poesia, é só escrever sobre os sentimentos pela metade que o leitor se identifica e fala que tá lindo. Pronto. 

Até que num momento eureka da vida a coisa fez sentido. 

Eu meio que entendi minha visão sobre o que é poesia.

E eu, caro leitor, decidi dividir minhas conclusões com você. Poesia é com poucas palavras falar de imensidão. É se apropriar das palavras para transforma-las em sensações, emoções e significados. É a arte de usar o máximo das palavras com o mínimo delas. A prosa é algo grande, que desenvolve, que cria uma atmosfera e um mundo, a poesia faz quase o mesmo com o mínimo.

Sabe aquele livro que te faz chorar? Uma boa poesia pode fazer o mesmo. Sabe o livro 1984 que é uma puta discussão sobre política e sociedade? Uma boa poesia pode, ao menos, te causar a mesma quantidade de reflexão. 

Do mesmo jeito que dá pra se avaliar a prosa, dá pra avaliar a poesia. Acho que os critérios são coisas como saber usar bem as palavras (criar sentidos maiores com a combinação certa...), trabalhar a forma e estrutura, conseguir traduzir com poucas palavras os sentimentos e ideias. 

Eu posso falar da distopia assim:


Eu me apropriei do significado de cada palavra, combinando e criando um outro maior que pode ser entendido de mil maneiras. E se você estudar o que eu disse tendo alguma noção do que é distopia, pode chegar a conclusão do que eu to dizendo. E eu fiz tudo isso com três palavras. Como a gente estuda na escola, cada vertente tem maiores características. Alguns se preocupam mais com formas, outro com mais o que dizer, alguns são agarrados na métrica... e por aí vai. Não há uma regra essencial, depende do objetivo proposto. Assim como com histórias como em um romance, dá pra trabalhar melhor, usar técnicas, pensar. Essa é a diferença da poesia só pra rabiscar e a poesia como arte. 

Acho que eu diria que poesia é a arte das palavras. 

E eu gostei de descobrir isso.


Clique para ler mais poesias minhas! Mentira. Clique para ver outros posts do Clube de Escrita. (:

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1 comentários

  1. Nunca estudei poesia e nem fui de ficar lendo livros demais do tipo, ma sempre vi ela como vejo a música. Uma forma de contar histórias.

    E é uma atividade muito legal, porque na poesia você precisa dizer que ama sem usar a palavra "eu te amo", precisa exaltar um sentimento sem explicações. Captar e transmitir.

    Bom, não preciso falar demais, seu post disse tudo. Obrigado pela lembrança e parabens

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