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O (feliz) futuro dos jogos, filmes, música...

14.7.12Dana Martins


Você conhece o Ouya? Console independente que quer dar mais liberdades aos gamers e que foi apoiado por mais de 30.000 pessoas dentro de 2 dias. Já falei do lado ruim aqui, agora vou apresentar o Ouya e mostrar como isso pode mudar a perspectiva para o nosso futuro. E, novamente, não é o futuro só dos games. 

Eu já estive aqui para comentar ações tipo a do novo jogo do Diablo que vão atando as mãos do consumidor e acabando com a liberdade da pessoa sobre o produto. Em muitos casos, estamos nos aproximando mais de pagar para ter algo emprestado do que para ser dono de um produto. Quer dizer, eu compro um Iphone e não posso ir abrindo pra fazer o que eu quiser? (veja comentário do Pedro para entender mais)

Mas esquecendo essa vibe de "não quero mais viver nesse planeta", nós às vezes também encontramos indícios de que o mundo tem salvação. Um deles é o financiamento colaborativo (em vez de uma empresa pagar, várias pessoas - tipo você - se juntam e investem em um projeto), mas não é exatamente disso que eu vou falar hoje.


Hoje eu vou falar da câmera tekpix do Ouya, um console independente e cheio de liberdade que foi apoiado financeiramente por mais de 30.000 pessoas e já arrecadou mais de 4 milhões de dólares. Basicamente, o Ouya é um console barato, de qualidade, para jogar na sua televisão, com jogos de graça (ou pelo menos um free trial) e aberto para qualquer um chamar de seu e fazer o que bem entender. A ideia é dar mesmo a liberdade de qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo ter acesso e aproveitar criativamente (jogando, criando jogos, desenvolvendo o console...). 

Esse post vai virar uma espécie de anúncio pró-Ouya, mas acho que vale mesmo a pena mostrar o que eles estão fazendo. Você pode ver a página do Kickstarter aqui com informações em inglês, ou continuar lendo e ver o resumo/tradução mais a minha linda opinião para ver como esse é o outro lado do nosso futuro.

Na página do Kickstarter, eles apresentam apenas duas pessoas envolvidas no projeto, mais ou menos assim:

"Julie Uhrman tem trabalhado com jogos há muito tempo, na Vivendi Universal, IGN, GameFly e outros lugares. Yves Behar é o premiado designer do Jambox, 'One Laptop per Child' e outros. Também há muitas outras pessoas que contribuíram, mas algumas delas seriam despedidas se a gente dissesse quem são."

Eu não sou toda inocente do tipo "oh, que projeto lindo, eles estão lutando contra as malignas empresas de games" (até porque nem acredito em vilão vs. mocinho), eu acho que esse texto foi pensado em cada detalhe buscando a melhor forma de apresentar o projeto e deve ter mais gente interessante escondida por trás da parte em negrito. Porém, ela também marca bem a situação, se você for pensar.

Durante o texto de apresentação do Ouya, parece que eles estão sempre lutando contra um pensamento contrário, algo que deviam entrar em choque constantemente enquanto tentavam dar vida ao projeto.

Eles dizem que agora com essa moda de tablets e smartphones alguns dos melhores e mais criativos criadores de jogos estão focados em fazer jogos para celular ou redes sociais. Enquanto os que continuam focado nos consoles não podem ser tão criativos quanto gostariam. Então, relembram que as melhores memórias dos gamers são aquelas no sofá em frente a TV (não com o celular na mão num canto qualquer).
"É horas trazer de volta inovação, experimentação e criatividade para a tela grande. Vamos fazer os games menos caros de se fazer, menos caros para comprar. Com todos os avanços tecnológicos, os custos não deveriam estar baixando? Jogar deveria ser barato!"
Resumindo: é um console para jogar na TV, com jogos de graça (ou pelo menos alguma parte dele) e que qualquer um pode fazer. Além disso, é barato e de qualidade, com design bem pensado. Se você suspeita que isso seja possível, o desenvolvimento dessa ideia pode não pertencer a um milionário viciado em games, mas também não é de um garotinho cheio de boa vontade no porão da Cochinchina (nada contra, também acho que esse garoto pode ter grandes ideias, mais até do que o milionário). O projeto é de gente envolvida com a indústria de games que discorda da maneira que tudo está sendo levado e decidiu fazer algo do próprio jeito, só precisou de um apoio ($$$). E olha que o objetivo era só 950,000, agora eles já conseguiram pelo menos 4 milhões e vão poder fazer muito mais.

Não sei vocês, mas a ideia pareceu ótima para mim (e mais umas 30 mil pessoas, no mínimo). O mais legal é que eles acrescentaram na página do projeto: "Até essa semana, um monte de gente achava a gente louco. Alguns ainda acham." Sinceramente, acho que ser louco é perder a chance de fazer algo assim.

O que algo assim significa? 


Bem, quem leu "Jogador Número 1", do Ernest Cline, sabe que o grande James Halliday, criador da plataforma de realidade virtual OASIS onde a maior parte da história acontece, começou na década de 80 enfiado dentro de um quarto naqueles super-computadores de antigamente. Eu sei que é um livro e eu sei que não é fácil (caso contrário, teríamos 9849384 James Hallidays por aí), mas sei que é possível. Quanto mais complica para alguém criar o próprio jogo, para ter um lugar onde ele possa divulgar e as pessoas possam usar, mais difícil é alguém ir em frente e mais difícil é surgir novidade. 

Não digo nem para aquela pessoa no porão de casa, encare por outro ângulo: aqui no Brasil, por exemplo. Quantas pessoas podem realmente trabalhar com games? Existe muita gente criativa e que poderia fazer grandes mudaças, só que não tem para onde ir. Aqueles que tem um emprego na área estão ocupados em criar o novo jogo online bobinho da Luiza que não tá nem mais no Canadá para divulgar uma marca qualquer. Eu sei que tem gente por aí que entre o emprego "de verdade" e o descanso, encontra uma chance de investir em algo legal. Só que depois o projeto ainda dá de cara com as enrolações que eu citei no parágrafo anterior.

Só para dar uma ideia: imagine antes da internet que você tem a ideia ótima para uma notícia/post/texto e até consegue escrever, mas como é que você vai fazer para publicar? No máximo colocar no jornalzinho do bairro para a mamãe guardar com orgulho e mostrar para as tias. Ou, quem sabe, dá para virar um jornalista e abaixar a cabeça para empresa que você trabalha. 

Moral da história:

Mesmo que ainda existam tendências a controlar o que estamos consumindo e se esconder atrás de "direitos autorais" para lucrar, ainda existe meios da gente encontrar um equilíbrio. E não pense que estamos falando só de videogame! Pode ser que depois o Ouya mostre que não é nada disso, mas pelo menos já está servindo para deixar claro que as pessoas têm força de fazer acontecer e encontrar um caminho alternativo. Se você quiser mais, o financiamento colaborativo mesmo, tem ajudado a realizar vários projetos que as pessoas querem que aconteça. Existem sites, tipo o Noisetrade, que os artistas podem dar o download de graça (aliás, independente do site, muitos artistas estão dando de graça pelo menos uma música). O próprio Youtube facilita para quem quer divulgar um vídeo. A gente ainda consegue ir desviando e fazendo tudo do próprio jeito...
até alguém cortar a internet. 


"Ouya é o nome do console criado por Julie Uhrman que roda jogos independentes e gratuítos construído na plataforma open source do Android, na sua televisão. O melhor é que qualquer programador de games do mundo possa criar um jogo, adicionando muita criatividade e inovação para esse mercado controlado por grandes empresas, como aconteceu com a App Store da Apple.
Para financiar o projeto Julie pediu ajuda dos investidores do Kick Starter e em poucos dias já recebeu mais de 3 milhões de dólares de investimento. Ouya terá o preço final de 99 dólares e com todos os jogos gratuítos ou no mínimo algumas fases de cada jogo. Team Fortress 2, League of Legendse Triple Town são alguns jogos que rodarão na plataforma." via

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1 comentários

  1. Realmente espero que o projeto "Ouya" dê certo... estamos mesmo precisando de uma revolução, por assim dizer, no mundo dos games. Sinto falta do tempo em que sentava na frente da TV e jogava video game o dia todo, dfklhkdlfh. Seria bom se isso retornasse de forma mais acessível e moderna.
    E Dana, continue escrevendo dessa forma super divertida e descontraída que vemos em todos os seus posts. Sério, é demais, kk'.

    Abraços.

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