autobio autobiografias

Autobiografias em quadrinhos!

26.6.12Paulo V.


Recentemente li duas graphic novels (em tradução literal, ‘romances gráficos’) e quando eu estava pensando se faria resenha delas ou não percebi que ambas eram do mesmo estilo, autobiografias. Resolvi, então, fazer um post falando sobre cada uma e comparando-as.

Acho que o nome “graphic novel autobiográfica” já diz tudo sobre o que elas são, mas eu explico da mesma forma: são livros em que o autor conta graficamente a sua própria vida, muitas vezes escolhendo um certo lado ou assunto no qual foca. Esse é um estilo de graphic novel que eu desconhecia completamente até pouco tempo atrás, muito provavelmente por que não são muitas publicadas no Brasil e também porque as graphic novels no geral são pouco divulgadas.

Bom, as duas que eu li e que eu vou comentar hoje, “Persépolis” (imagem) e “Retalhos” foram publicadas pela Companhia das Letras, editora que também tem outros livros do estilo publicados. Para ler sobre esses dois livro clique em “Continue Lendo”. ;)


Persérpolis, de Marjane Satrapi
“Persépolis” traz, obviamente, a vida de Marjane. A graphic novel conta a vida da Marjane desde a sua infância, ainda vivendo no Irã, até ela já adulta, quando vai embora de vez do seu país natal. Marjane nasceu na época antes da Revolução Iraniana, então conviveu com muitos conflitos sociais e até mesmo a Guerra Irã-Iraque.

A família dela era de esquerdada, portanto, vemos a influência dos ideais modernos na Marjane e o humor negro é um elemento muito usado pela autora para deixar isso explícito, principalmente na infância dela. Chega um momento em sua adolescência em que ela vai estudar no Liceu Francês em Viena, onde passa quatro anos, e ao voltar ela se depara com as mudanças sofridas pelo país.

A Marjane começa a estudar artes e na faculdade vemos bastante do conservadorismo, como, por exemplo, os alunos terem que desenhar uma modelo com o corpo coberto da cabeça aos pés, impedindo-os de ver as formas. E a faculdade é também o local onde ela conhece um homem por quem se apaixona, se casa e logo depois se separa. 


Os traços de “Persépolis” são bonitos e também bem simples, quase sem detalhes - o que funcionou para o que é o livro. Originalmente foi publicado aqui no Brasil em quatro volumes, mas já há um volume único. A Marjane tem também outros dois livros publicados, “Frango com Ameixas” e “Bordados”. Eles não são histórias especificamente da vida dela e sim de familiares. O primeiro, por exemplo, conta a história de um tio avó dela. Eu já o li e confesso que gostei mais até do que de Persépolis, entrando para os meus favoritos. Ele é bem fininho e como diz a quarta capa é “uma história de morte, vida e muita reflexão”. Já o segundo eu ainda não tive a oportunidade de ler, mas de acordo com a sinopse são histórias de grupos de mulheres do Irã e suas “fofocas”, os chamados “bordados”.

Há uma adaptação cinematográfica de Persépolis e ela é em desenho mesmo, com o mesmo traço do livro. Eu ainda não tive a oportunidade de assistir, mas ouvi dizer que tem até cenas que não estão no livro. O filme parece ser realmente bom porque ele foi até indicado como melhor filme de animação do Oscar 2008, perdendo para o divertido “Ratattouille”. “Frango com ameixas” também teve uma adaptação cinematográfica em live-action, lançada no ano passado.


Classificação:
  (4/5 conversinhas)


“Retalhos”, de Craig Thompson
Primeiramente tenho que dizer que “Retalhos” é completamente diferente de “Persépolis”. Não que isso seja ruim, cada um é bom da sua maneira. Primeiro porque a vida o Craig é bem diferente da Marjane, principalmente por viverem em países distantes e culturas beeem diferentes. E também porque “Retalhos” tem muito mais um lado filosófico e nos faz refletir bem mais que o livro da Marjane.

“Retalhos” traz, sim, a vida do Craig, mas de forma diferente de “Persépolis”, até porque acredito que a intenção dos autores é diferente. A intenção da Marjane, como ela disse e eu li em uma entrevista (eu acho que foi uma entrevista, não lembro exatamente onde eu li isso), era contar a vida dela, tudo o que ela passou e explicar a situação política e social do Irã pros seus amigos franceses, e a melhor forma de fazer isso era através dos seus desenhos. Já a de Craig dá para perceber que era mais contar uma fase da vida e, dando um pouquinho de spoiler, do seu afastamento de Deus.

Craig nasceu em uma região rural do Michigan, Estados Unidos. A família dele era bem pobre e no livro vemos um pouco da influência disso em sua vida. Ele era bem magrinho e usava roupas velhas, o contrário dos outros alunos, que tinham condição financeira melhor e eram mais corpulentos, e por isso* sofreu bullying durante toda a sua vida escolar.
*como se algo justificasse o fato de alguém sofrer bullying...

A família dele era muito religiosa e foi durante a sua adolescência, em um acampamento de férias da igreja, que ele conheceu Rania, uma menina linda por quem logo se encantou. Ela, porém, vivia no estado vizinho e isso impediu o contato dos dois, que recorreram a cartas e telefonemas. Sem revelar muita coisa sobre o enredo, em certo momento ele vai para a casa de Raina e passa duas semanas lá, onde conhece mais sobre a vida dela, etc. Na sua voltar para casa vemos o Craig passar por um momento difícil da sua vida, quando ele passa a ler cada vez mais a Bíblia e passa a se questionar sobre as coisas escritas no livro. Isso representou um afastamento não exatamente de Deus, mas sim da religião em sua vida, de certa forma o amadurecimento do rapaz.

Como vocês devem ter percebido, o traço de “Retalhos” é bem mais detalhado do que o de “Persépolis” e isso permite que o autor faça desenhos mais subjetivos e mais bonitos até.

“Retalhos” desde o começo carrega essa coisa mais filosófica e para reflexão. Confesso que até metade eu não sabia se estava gostando ou não do livro. Mais para o final eu percebi que estava gostando, sim, e eu aprendi muita coisa dele. É um daqueles livros que eu sei que se pegar daqui a alguns anos para reler vou receber ainda mais coisas dele, por isso, mesmo que eu tenha gostado mais da história da vida da Marjane Satrapi, “Retalhos” leva 5 conversinha.


Classificação: 
(5/5 conversinhas)


Eu só li essas duas graphic novels autobiográficas, mas, como disse no início do post, a Cia. Das Letras com seu selo Quadrinhos na Cia. tem mais algumas, como “Maus”, de Art Spieglman e “Adeus tristeza – a história dos meus ancestrais”, da Belle Yang. A LeYa também tem “Cicatrizes”, de David Small.

Ah, uma dica se você estuda em uma escola pública (seja ela federal, estadual ou municipal), procure na biblioteca “Persépolis” e “Retalhos”. É uma boa dica porque esses dois livros são um pouquinho mais caros. Eu os li alugando-os na biblioteca da minha escola e ambos fazem parte daqueles livros que o Ministério da Educação envia todo ano. Aproveitando, vale a pena pesquisar outros livros também, tipo, eu li “Os 13 Porquês” emprestado da biblioteca e ele também foi enviado pelo governo.

Enfim, é isso. Espero que tenham gostado do post! Por favor, comentem se vocês já leram esses dois livros, o que acharam, etc. e também me digam se já leram alguma graphic novel, se ela autobiográfica ou não. Até a próxima! o/

- paulo v. santana

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5 comentários

  1. Olá, tudo bem?
    Ganhei Retalhos em uma promoção e mexeu muito comigo. Aconteceu o mesmo comigo. Até no meio do livro tava okay, mas no final o quanto eu absorvi dele. Os desenhos são maravilhosos. Li a resenha da Kari no NUPE e adorei. Fiquei encantada com a história e tratei logo de procurar nas livrarias, mas não achei D:

    No meu colégio, eu já olhei e não tem. Uma pena porque são bem caros mesmo :(

    Beijos
    Nathalia Duarte
    www.mentalmorfose.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É, Retalhos é mais para reflexão mesmo. Se você vai só para "saber" a vida do autor pode acabar se decepcionando. E sério que você não achou "Persépolis" nas livrarias? '-' Hoje mesmo eu vi 3 exemplares em uma Saraiva e tinha até uma edição em francês (que custava R$ 182!). Obrigado pelo seu comentário!

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  2. Olá!

    Ótimo post, duas belas escolhas em graphic novels autobiográficas.

    Li Persepólis da Cia. das Letras e gostei muito, fiz resenha em meu blog, inclusive. Já Retalhos comprei numa edição no original, Blankets, e está aqui esperando para ser lida.

    Desconfio de que eu vá gostar muito mais da segunda, pelos aspectos filosóficos e, claro, pela riqueza do traço, dentre muitas outras coisas...

    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Persépolis é muito bom mesmo! E qual é o link do seu blog? Na próxima vez deixa ele aqui para eu dar uma olhada! ;)
      Obrigado pelo comentário!

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    2. Ignora o fato de eu ter pedido o link do seu blog, depois que vi que clicando no seu nome entrava nele, hahaha.

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