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[Resenha] Os Homens que Não Amavam as Mulheres, filme

27.1.12Dana Martins

por Dana Martins

- Filme: "Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
- The Girl With a Dragon Tattoo (EUA, 2011)
- Adaptação do livro "Os Homens que Não amavam as Mulheres"
- Direção: David Fincher
- Atores: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer...
- Suspense - 16 anos - 158 min.
- Nos cinemas brasileiros a partir de 27 de janeiro de 2012
OBS: A trilogia de livros é da Suécia e há uma outra adaptação sueca que já esteve nos cinemas brasileiros.
OBS²: Apesar de ser adaptado de uma trilogia, o filme tem história completa e não precisa de continuação.



Mini-crítica: 
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres" é um filme que, independente de ter lido o livro ou não, vai valer a pena. É surpreendente porque normalmente os filmes adaptados ficam até legais, mas não são tudo isso para quem não leu*. Tem investigação, ação, tensão e provavelmente outras coisas com "ão". O que traz o ponto alto do filme é que ele trata de um tema que na maioria dos filmes seria lento e até tedioso, mas com tensão o tempo inteiro, sem apelar para efeitos especiais e acrobacias. Cuidado: Antes de juntar a família inteira e correr para o cinema, saiba que é um filme pesado (tanto nas cenas quanto psicologicamente). Sexo explícito e nudez é o de menos lá. 
*Eu tinha esquecido de que ia assistir, então (somado a minha falta de tempo) eu mal tinha começado a ler, o que conta como se eu não tivesse lido. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

"Os Homens que Não Amavam as Mulheres" é o tipo de filme que surpreende tanto que na hora de escrever sobre você não sabe nem por onde começar, mas como um simples "muito bom, vale a pena" não é o suficiente para quem ainda não assistiu, vamos em frente.

O filme, que é adaptação do primeiro livro da série Millennium, é sobre a investigação de um desaparecimento que ocorreu há muito tempo e nunca saiu da cabeça do empresário aposentado Henrik Vanger (Christopher Plummer). Mikael Blomkvist (Daniel Craig), um jornalista econômico determinado a restaurar sua credibilidade, é contratado para tentar entender o que aconteceu no dia em que Harriet (Moa Gardenpal), sobrinha de Henrik Vanger, sumiu no meio de um encontro familiar sem deixar pistas. Ao mesmo tempo, Lisbeth Salander* (Rooney Mara), hacker da Milton Security, é contratada para levantar a ficha e os antecedentes de Blomkvist, missão que será o ponto de partida para que ela se una a Mikael na investigação de quem matou Harriet.
*Essa sinopse dá uma ideia sobre o que acontece com o Mikael, mas não a parte da Lisbeth. O filme é dividido entre os dois e leva um tempo para eles se encontrarem. Nessa primeira parte da Lisbeth, nós ficamos conhecendo mais a personagem e entendemos um pouco mais o porquê dela se juntar a Mikael na investigação.

Para começar, o primeiro ponto alto do filme: a tensão. O início já chama atenção, em alguns pontos é do tipo de "agarrar" a poltrona e eu juro que teve gente no cinema que não conseguiu nem respirar direito nas cenas de maior tensão. O filme consegue deixar atento assim quase o tempo inteiro (e olha que o filme tem mais de 2 horas). Isso acontece, bastante, por causa da divisão Lisbeth-Mikael. Enquanto ele está investigando fotos, lendo diários e fazendo outras coisas que seriam até monótonas, ela está enfrentando alguns problemas pessoais que dariam quase um filme próprio. Essa divisão, somada a cenas curtas e um mistério para descobrir, acaba aumentando o ritmo e a tensão (sem falar que são 500 páginas comprimidas nesse tempo).

Além disso, o filme se torna mais atraente porque acaba não sendo apenas sobre a investigação, ele tem várias histórias em uma só. Há, no mínimo, 5 em destaque e todas elas progridem e se transformam nesse tempo. Acho que esse universo (mais aberto e não fixo em um caso só) é que traz ao filme um aspecto mais de livro. Normalmente não temos tanto desenvolvimento dos personagens e da história.
*É claro que podem questionar e dizer "mas é adaptação de um livro! o que você queria?", mas normalmente empacotam o livro para os cinemas, como Percy Jackson, A Bússola de Ouro e outros desastres por aí (Harry Potter não foge disso). 

Outra coisa que vale destaque é a trilha sonora. Foi a primeira coisa que me chamou atenção, já que o filme praticamente começa com uma música bem impactante enquanto passa o que é quase um "clipe" durante os créditos iniciais*. Em alguns momentos do filme ela também aparecia, mas nas partes que despertava mais atenção era quando servia de música para cenários: boate, rádio... Apesar de ter me chamado atenção a ponto de buscar mais, o que faz mesmo a diferença no filme não é a música, é o silêncio. Porque, é claro, o silêncio pode ser usado tão bem quanto a música.
*Como eu sou muito legal, consegui o vídeo.

Relacionado ao silêncio, temos outros detalhes que ajudam a criar a atmosfera, como quando o Mikael (Daniel Craig) está andando em uma cena tensa de puro silêncio e nós ouvimos bem sua respiração e seus passos*. O contraste com a trilha habitual que vai aumentando (no videogame então, você escuta a música e já sente vontade de chorar) é muito interessante, porque desse modo você se aproxima mais do personagem e ainda fica mais tenso porque não sabe quando realmente vai acontecer alguma coisa.
*o que me lembrou muito a videogame...

"Os Homens que Não Amavam as Mulheres" não é um filme de suspense padrão e soube aproveitar de suas raízes no livro. Você pode esperar por uma história completa (e, quando eu digo completa, é com todos os pontos finais que merece) e 2 horas bem aproveitadas. Aliás, o filme foi até um dos com mais indicações ao Oscar 2012, sendo indicado em 5 categorias, inclusive a de melhor atriz com a Rooney Mara (olha que bonitinho ela falando sobre ter sido indicada!).

>>>Extras: "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" vs. "Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras"

O filme que eu assisti antes desse foi o segundo de Sherlock Holmes, quando encontrei meu amigo que assistiu o do Sherlock comigo eu disse: "Você tem que ver Millennium! Sherlock perto desse fica até ruim". E meu amigo: "mas dá para comparar?" É lógico que dá, a maior diferença é a época. Na essência: casos sendo investigados. É claro que Sherlock é um filme mais empacotado e para agradar (principalmente agradar) a família inteira, já para ver "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" tem que tirar metade família da sala. E, para você ver, Sherlock é engraçado, apronta com o Watson, entra numa briga que dura andares de um prédio, se veste de mulher, viaja pela Europa de trem... e ainda assim no seu ponto mais forte não cria uma tensão tão forte quanto a de Millennium em um ponto mais calmo. É claro que a ideia é criar um homem esperto, que diverte, parece meio louco, mas no final resolve o caso (e, pela primeira vez, senti a referência que House tem em Sherlock, vai entender), já o tom de Millennium é sério. Mas na estrutura de filme (não ser muito padrão, seguir com uma boa introdução, investigar o caso...) são bem parecidos, a diferença é que com 1/5 das explosões do outro consegue prender muito mais.
*Do jeito que eu estou falando pode parecer que eu tenho algo contra filmes cheios de efeitos especiais e coisas típicas de Hollywood, mas eu não tenho, pode usar a vontade. O problema é usar e não conseguir uma resultado bom. Também não estou dizendo que Sherlock Holmes 2 é ruim, só que ficou cansativo e não consegue superar o primeiro. 



Classificação:
(5/5 conversinhas)


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5 comentários

  1. Quero muito assistir este filme, mas estava descrente que os produtores iriam com tudo nas cenas mias pesadas. Eu vi o filme sueco e gostei bastante, foi bem fiel ao livro e talvez por isso eu tenha ficado um pouco cética quando soube que os EUA iriam adaptar. Enfim, a ida ao cine vai valer a pena só para ver meu Craig magnifico (e musculoso)
    bjos

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  2. Adorei *-* eu já estava querendo muito ver esse filme. Mas se o filme é um só, significa que quem não eu a trilogia inteira vai ganhar spoiler né? T-T

    Beijitos
    http://www.bookpetit.com/

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  3. Ah... eu fiquei sabendo que vc havia feito um post sobre este filme e fiquei me segurando para não vir aqui dar uma olhada antes de assistir ao filme. Não que esperasse spoilers ou algo assim, mas queria ter a experiência completa, de ir descobrindo coisas pouco a pouco conforme o filme vai rolando. Eu adorei o filme, embora, como sempre, não precisasse ser filmado. A versão sueca é tão boa quanto a americana. Fincher leva vantagem na trilha sonora maravilhosa e na abertura que já é um show à parte. O único inconveniente foi sair com torcicolo do cinema. Estou até agora toda dura e cheirando a Salonpas...hahaha
    E já que vc falou do Sherlock Holmes, esse filme tem mais uma coisa em comum com "Os homens que não amavam as mulheres": a Noomi Rapace, que interpretou a Lisbeth no filme sueco.
    bjo
    bjo

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  4. Adorei sua mini crítica, me deixou ainda mais interessada para ler e assistir ao filme logo! Todos estão dizendo que vale muito a pena, e sua resenha confirmou isso! :)
    um beijo, Camila
    http://www.coffeplusbooks.blogspot.com

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  5. Assisti o filme e fiquei LOUCA DE AMOR pela Rooney Mara, hahaha.
    Confesso que sua resenha me deixou com mais vontade ainda de ler os livros da série. Minha única crítica ao filme é o nome... Na boa, as vezes eu prefiro falar o título original em inglês do que 'Os Homens Que Não Amavam As Mulheres'.

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