Ashly Burch Between the Sheets

Between the Sheets: Eu não sabia que era tão bom ver entrevistas

10.5.19Dana Martins


Between the Sheets é um programa do youtube onde o Brian W Foster entrevista pessoas famosas sobre seus trabalhos e vida, e é incrível. Tem sido um espaçozinho de inspiração e reflexão pra mim nos últimos tempos, e eu estou no meio de uma entrevista com a Ashly Burch tão boa que eu tive que parar e vir aqui recomendar. 


É tipo conversar com uma pessoa muito legal e inspiradora. 


Há alguns anos aqui no ConversaCult eu tive a ideia de uma coluna chamada Buscando Meu Lugar, onde o objetivo era quem participasse falar dos próprios sonhos e o que a gente tava fazendo pra conquistar isso. A ideia era meio que mostrar, a partir da perspectiva de pessoas reais que estão vivendo a vida, caminhos pra conseguir a profissão que você quer. Sabe, porque existe um espaço bem grande entre essas listas de vestibular com "Esse é o curso, aqui a descrição dele" pra a realidade de fazer o tal curso. Outra das razões pra coluna é que volta e meia alguém aparecia no CC perguntando: Qual faculdade eu faço pra ser escritor? E não tem faculdade de escritor!!! Mas tem várias pessoas que são escritoras, a coluna seria um "olha aqui como elas chegaram lá." 

O Buscando Meu Lugar não foi muito em frente, mas eu sinto que o Between the Sheets é exatamente isso, de uma maneira bem melhor e gloriosa, e ainda contando com a participação de pessoas que trabalham de fato na indústria fazendo coisas que nós amamos. 

A acho que o legal do Between the Sheets são três grandes ingredientes: 
1) Pessoas da indústria de entretenimento que eu admiro; 
2) Elas contando como construíram a carreira que elas tem; 
3) Ela contando isso de uma maneira bem pessoal. 

O primeiro que eu assisti foi com o Taliesin Jaffe. Na época, eu não entendia muito bem o Between the Sheets, ele era só um programa novo no canal do Critical Role que tava fazendo entrevistas pessoais com o próprio pessoal do Critical Role. Então eu fui assistir mais naquela de "quero conhecer mais essa pessoa que eu admiro," e logo de cara fiquei chocada. Talvez por causa da criatura interessante que o Taliesin Jaffe é, ou por causa de como é pessoal. Ele fala sobre a vida dele crescendo como ator juvenil em Hollywood, sobre desistir disso, rejeição na adolescência por ser um cara diferente, depressão e um trilhão de traumas que ele teve depois disso.


Além do Taliesin, eu assisti com a Noelle Stevenson, ela é a criadora desse She-Ra novo que tá no Netflix e ela também faz vários quadrinhos legais (e gays) tipo Nimona e Lumberjanes. Ela fala sobre ter bipolaridade, a resistência dela de buscar ajuda. Fala sobre crescer numa cidadezinha religiosa e como foi a trajetória de deixar isso pra trás, ainda mais que anos depois ela percebeu que é lésbica. E até mesmo sobre preparar seu casamento e perceber que usar vestidos é legal. Fala também sobre ser tão nova e liderar uma equipe pra fazer She-Ra. Eu só sei que a Noelle é alguém que eu admiro muito e poder ver ela falando de tudo foi maravilhoso e inspirador.


Agora eu tô assistindo a Ashly Burch, que foi escritora de Hora da Aventura e é a Aloy (protagonista de Horizon Zero Dawn, um dos meus jogos preferidos) e é a Chloe de Life Is Strange. Quando eu falo que ela é dubladora, todo mundo fica "ah, ela só faz a voz," mas em entrevistas como essa você vê que os atores influenciam muito mais do que "só a voz." Ela também tem ansiedade, então ela fala da dificuldade de reconhecer as próprias conquistas ou apreciar as oportunidade. Inclusive, ela tava falando "Eu aprendi que gratidão é algo que precisa ser praticado" quando eu decidi parar pra vir escrever esse texto. 


Fora esses, eu assisti o da Mary Elizabeth McGlynn, da Laura Bailey e do Matt Mercer. Eu gosto que eles falam sobre lidar com problemas mentais, ou machismo, homofobia, o próprio corpo e até tendências ruim que você mesmo tem. Eles também falam sobre criar jogos, séries e histórias. E o principal: tem aqueles momentinhos que eles trazem reflexões interessantes sobre as coisas, daquelas que você só consegue capturar no meio de uma conversa. 

Quanto mais escrevo esse post, mais certa estou de que o Between the Sheets foi feito pra mim. hUAHUHA Mas sério, eu não sei explicar como é legal conhecer a vida dessas pessoas e ver como cada um lida com cada coisa, ao mesmo tempo que ainda fico vendo curiosidades sobre como a indústria de entretenimento funciona e sobre criação no geral. 

Em dias difíceis, deitar e ficar vendo essas pessoas existirem é muito bom. Nos dias bons também.

O único ruim do Between the Sheets é que só tem em inglês.

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