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[CCCrítica] Homem-Aranha: No Aranhaverso é tão bom quanto todo o mundo diz ser?

23.1.19João Paulo Albuquerque


Pensei bastante antes de escrever esse texto porque apesar de eu ter visto no dia que lançou e ter amado, eu ainda fiquei com algo na minha cabeça: o filme parece que, por mais que tenha 1 hora e 56 minutos de duração, podia ter mais porque não sei se é por ficarmos tão imersos dentro da história que tudo passa rápido demais, mas isso acontece. Parece que é pouco tempo pra um personagem tão cativante (assim como todos os outros além do principal) que merecia no mínimo 4 horas.

E como já tem muitas críticas e resenhas falando dos pontos bons do filme como da Legião dos Heróis ter feito um post com 10 motivos que tornam esse filme o melhor do Aranha, eu vou falar de algo que tornou esse filme tão incrível e representativo pra mim, de um ponto de vista que eu não vi mais ninguém falando.

Melhor cena, ainda me lembro do arrepio forte que atravessou meu corpo-- partiu mergulhar nesse texto

A grande questão desse filme é justamente a REPRESENTATIVIDADE. Ele por si só já é representativo, mas ele vai além e trabalha com a representatividade dentro da vida do personagem principal, o Miles Morales. E como isso acontece? Se prepara que aí vem história... E pode conter spoilers.

Primeiro que Miles Morales é negro. Com um pai policial. E uma mãe enfermeira. E tio legalzão que não tá muito dentro da lei (o que gera atrito entre o tio e o pai de Miles é isso). Mas foca nisso de negro com pai também negro e policial porque = Miles é um artista que utiliza do grafiti como pincel e agora frequenta uma escola, que como ele mesmo diz é, elitista, mas ele sabe o porquê dos pais fazerem isso, sabe que é uma oportunidade que não pode deixar escapar (por mais que ele tente), já que o pai dele não o deixa esquecer.

Como se isso tudo já não fosse demais pra relação do Miles com o pai (o lance da escola, a treta com o tio, e os grafitis que ele não pode contar ao pai), o garoto ainda admira o Homem-Aranha, mas o pai odeia (por mais que drible essa palavra). Então imagina quando ele é picado por uma aranha radioativa e ganha os mesmos poderes que o cara que o pai dele odeia. Não é uma situação gostosa de se vivenciar. E é aí que entra a representatividade dentro da representatividade que o filme já traz.

Essa cena </3

Quem é LGBTQ já deve ter sacado meu ponto, mas pra quem ainda não entendeu eu vou prosseguir a explicação: o que rola com o Morales é o mesmo que com a gente, LGBTQ, ao ter que lidar com familiares e pessoas que nos importam, em principal nessa situação de ódio. 

O Miles queria o apoio do pai, queria poder contar com ele nessa questão (tanto que ele é procurado primeiro, antes até do tio legalzão dele, que é quem sabe de tudo e Miles se sente mais confortável), queria que ele não odiasse ele, mas o pai dele odeia o Homem-Aranha, portanto, odeia ele. Odeia uma parte dele que é quem ele é. De bônus: é uma situação que não é "a norma", então "ninguém" vive (e quem vivia e iria ajudar ele, morreu na frente dele), então ele "tá sozinho" e tem que aprender as coisas sozinho. E nos quadrinhos do Homem-Aranha, ele finalmente vê alguém como ele, vê uma ajuda. E isso é representatividade, da forma mais real que alguém poderia ter passado.

E foi isso que me encantou no filme. Todas as representatividades mais o tema de se ver representado, se encontrar no mundo e ver que não está sozinho, além de claro, o estilo visual impecável, a relação de pai e filho do Peter B. Parker com o Miles Morales, referências, Gwen Stacy, o Multiverso, vilão com boa motivação (e até comovente), ação bem feita e não exagerada, a trilha sonora, visual de histórias em quadrinho e o respeito aos mesmos, como já pautados pela Legião dos Heróis.

É tudo muito bom, é tudo feito de modo que deixa claro que quem fez se importou, queria e se esforçou para passar toda uma mensagem. É muito bom ter um filme desses, novo e recém-nascido com tanta importância ajudando crianças ao redor do mundo (como o caso do garoto negro dos Estados Unidos que ficou todo feliz de saber que podia ser um Homem-Aranha) e com grandes chances de ter um Oscar.

"Eu te amo, eu estou orgulhoso de você", sou eu pra esse filme

Como já não tenho mais o que falar que forme parágrafos, outros detalhes que tornam esse filme ainda melhor:

- O esforço para fazer personagens femininas distintas, com seus próprios rostos e sem traços iguais;

- A comédia do filme é incrível demais e eu sempre me pegava sorrindo/rindo;

- Têm muitas mensagens de empoderamento e autoestima;

- A diversidade no filme (o que cai em representatividade, mas achei importante destacar como existem diversas mulheres nesse filme e pessoas não-brancas, incluindo os "coadjuvantes");

- As cenas pós-créditos e a frase do Stan Lee (o que só gerou mais entusiasmo e fez GALERA APLAUDIR NO FINAL DA SESSÃO - FOI TÃO INCRÍVEL!);

- A realidade que o filme passa é real, apesar da fantasia e lance de herói, o filme em si é muito real (com as relações dos personagens, vida deles e problemas).

E pra finalizar, gifs aleatórios que valem a pena mostrar pra aumentar o amor e curiosidade sobre esse filme:











Como não deu para encaixar o trailer em outro lugar, aqui está:



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