#EleNão Carol Cardozo

Por que devemos conversar e nos importar com as eleições?

22.9.18Carol Cardozo


Um pedido: caso você não concorde com algum aspecto desse texto, comente só se você tiver argumentos razoáveis. Antes de xingar ou postar coisas como "chora mais" e etc, vai varrer o portão, fazer uma feira, assistir uma série no Netflix, qualquer coisa. Só não vem encher a porra do saco. Agradeço desde já.


Nenhuma imagem define melhor essas primeiras eleições após o golpe de 2016 do que essa:


É pré-candidato preso por um crime aleatório que tem provas mais aleatórias ainda, candidato esfaqueado enquanto fazia campanha, candidato indo passar 3 semanas jejuando num monte (que você pode achar que é algo no meio do mato, longe de tudo, mas que fica em Campo Grande, na zona oeste da cidade do Rio), candidato a vice dizendo que pode ocorrer autogolpe juntamente com as Forças Armadas caso haja "anarquia"...e isso tudo só na eleição pra presidente. Se a gente for parar pra pesquisar sobre as eleições pra governador, senado, deputados, acha muito mais treta rolando por aí.

Estamos num momento bem ruim. Mais do que nunca, é importante se preocupar com TODOS os representantes, ver quais são as competências de cada um. Você tá ligado no que os três poderes fazem? Sabe o que são? Só uma passadinha rápida:

- O poder executivo administra e aplica (executa) as leis. Na esfera maior, a federal,  o representante desse poder é o presidente da república. Na esfera estadual, é o governador e na esfera municipal, o prefeito. 

- O poder legislativo cria leis e julga as políticas do poder executivo. Na esfera federal, os representantes são os deputados federais (que criam as leis) e os senadores (que também podem criar leis, mas principalmente analisam as propostas de leis vindas da Câmara). Na esfera estadual, os representantes são os deputados estaduais, e na esfera municipal, os vereadores.

- O poder judiciário é o responsável por julgar através das leis e da constituição do país. Esse é o único dos poderes em que não votamos para escolher os representantes.

Dito isto, nessas eleições vamos escolher pessoas para o poder executivo (presidente e governador) e legislativo (deputados estadual, federal e senadores). Claro que os candidatos do poder executivo são importantes, mas os do legislativo são MUITO importantes, e a maioria das pessoas não entende isso. Se os deputados, senadores não deixarem passar as leis que o presidente ou governador queiram fazer, não adianta de nada. Então, temos que votar em deputados/senadores que estejam de acordo com os planos dos seus candidatos a governador/presidente, para que as propostas que eles dizem e que você se interessa consigam passar e ser aprovadas.

"Ah, mas é muito candidato a deputado, como é que eu vou escolher?". Tente pesquisar candidatos das coligações que você mais se identifica e que tenham propostas que lhe interessem e que sejam boas pra você. Vou te dar meu exemplo. Eu faço faculdade de Física, quero dar aula e fazer pesquisa quando me formar. Pra deputada federal, vou votar em uma pesquisadora e professora que tem propostas para a ciência e educação, e pra deputada estadual, vou votar em uma estudante cotista da mesma faculdade que eu, porque sei que ela vai lutar pelas melhoras da universidade em que eu estudo e da educação no estado como um todo.

Além dessa dica de pesquisar candidatos, tem uma outra parada muito, muito, mas caralho, muito importante: NOTÍCIAS FALSAS (as famosas fake news).


Na nossa sociedade, onde quase todo mundo tem acesso a smartphones e internet, a informação se dissemina muito rápido. Normalmente as pessoas repassam coisas porque o Fulano passou e "Nossa, mas porque o Fulano me passaria notícia falsa? Eu super confio nele". A culpa não é do Fulano, claro. Muita gente, especialmente (mas não somente) pessoas mais velhas, repassam notícias, áudios, matérias de sites tendenciosos como se fosse verdade e não é. Até mesmo sites grandes e renomados, nessa época, estão criando manchetes chamativas como se fosse uma coisa, mas quando você abre a matéria, era uma frase fora de contexto e na verdade não tinha treta nenhuma.

Pra evitar esse tipo de coisa, sempre pergunte sobre a fonte. Mandaram um áudio? Cadê a fonte? Isso saiu em algum lugar? Saiu em algum lugar neutro, confiável, não em um site tendencioso? E mesmo que vá compartilhar uma notícia de um site grande: se o título é chamativo e põe lenha na fogueira, abre, dá uma lida rápida pra ver se é aquilo mesmo que está acontecendo. Não compartilhe notícias somente pelo título. Uma pesquisa rápida no google pode desmentir rapidamente uma notícia falsa que esteja sendo espalhada. Viu num grupo de família? Manda links que desmintam e explique a situação.

Discuta, pesquise, peça ajuda. Mas não deixe de votar. Não anule seu voto.

E por último, mas não menos importante: como um site abertamente preocupado com minorias (parte da equipe faz parte de algumas, inclusive), não temos como compactuar com um candidato abertamente racista, machista, LGBT+fóbico.

 #EleNão

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