3 por cento 3%

Segunda temporada de 3% supreende

10.6.18Valentino Martins


Vamos falar de 3% e a segunda temporada que me agradou demais. Ainda não terminei a temporada, mas já digo que é a melhor série que vi no ano até então, fiquei boquiaberto em várias cenas. Não é à toa que eu nem terminei de ver e já estou aqui escrevendo pra vocês!

Personagens

Lendo outras matérias sobre a segunda temporada de 3%, vi que a construção dos personagens foi alvo de críticas. Só que, como diria a Jout Jout: "é... não sei". Até onde vi os personagens me agradaram, e, inclusive, gosto da história de cada um. Não consigo ver nenhum papel fraco ou inútil pro contexto da série. Gosto de como foi feito, você consegue ver quem eles são e quais seus conflitos.  

Nessa temporada existem dois personagens que foram muito bem utilizados. Você vê uma relação entre duas pessoas, uma do Maralto e uma do Continente, e o sacrifício de cada uma pra lidar com o que sente e o que acredita. Sendo que se prender no sentimento por sua família no continente e acreditar no Maralto são coisas opostas. Essa relação mostra claramente as consequências do processo, como isso vai afetar os personagens e o enredo da série. O que pra mim foi uma sacada inteligente.

Outra coisa que vi ser alvo das críticas é como os personagens falam palavrão. É criticado que parece forçado, fora de contexto e obviamente não natural. Vou confessar que também estranho ouvir os personagens pronunciarem "merda", "caralho" e etc. Sinto exatamente o mesmo, essa falta de "naturalidade". Só que eu não sei se esse estranhamento diante dos palavrões é um problema na atuação ou se é a falta do costume de ver séries brasileiras e com palavrão.

Penso que o problema não é a atuação em si, mas a nossa falta de hábito de ver um palavrão em português "bem produzido" e na tela. Nos filmes americanos ninguém repara quando tem "fuck" ou "mother fucker", acham até estiloso. Só que aqui a gente não vê palavrões e séries na mesma quantidade, o máximo é um "merda" nas novelas da Globo e olhe lá. Fora isso, tem a questão dos diversos sotaques do Brasil. A pronúncia sulista, mineira ou nordestina (fora outras) são todas diferentes, então quando a gente escuta alguém falar em diferente sotaque (eu sou carioca, eles não falam igual a mim), a gente tende a estranhar. Eu acredito ser mais "falta de hábito" de escutar palavrão em português e em diferentes sotaques do que a atuação. 

Representatividade

Olha, a série está de parabéns e eu tenho muito orgulho dessa série. Eu peno pra ver séries que abracem a diversidade. Chega 3% com pessoas negras, mulheres, deficientes e diversidade sexual. 

A série colocou e deu destaque para dois personagens com deficiência. Você tem um elenco com pessoas negras, em grande escala e destaque. Você tem um relacionamento poliamoroso (que abre visibilidade pras varias sexualidades existentes). Tem uma cena que Rafael está conhecendo o Maralto, tem uma parte da ilha que é como um "tinder físico" e as pessoas se conhecem. Enquanto ele está passando por lá você vê casais de diferentes gêneros se beijando, o que eu amei demais porque é a primeira série em que minha vivência é tratada como normalidade. 

Foi muito bom a série fazer isso. Eu me senti muito confortável e abraçado. Eles não só colocaram toda essa diversidade como não focaram "nos problemas" dessa minoria. Nenhum momento sexualidade é relacionado ao errado ou cômico. São pessoas como são e vivendo como tem que viver. Pode ser simples ou besta, mas é que geralmente as séries usam os problemas da minoria pra criar história. Ou quando não isso, tem sempre aquele episódio que traz uma piadinha, uma referência quase sempre mal feita. Só que 3% não. E 3% é a única série sci-fi brasileira que conheço. E 3% é brasileira. Eu senti é muito orgulho.

Considerações Finais

Eu percebi muito referência de Jogos Vorazes, Black Mirror e Divergente, e foi legal. Eles se basearam nessas histórias pra criar sua própria realidade e tecnologia, tendo um estilo próprio e único. Então, tá de parabéns. 

A série também me surpreendeu. Achei que Ezequiel fosse ser da causa, fosse ser o manda chuva e todo clichê esperado de um papel como o dele. Só que, toda vez que eu esperava algo, a série ia além e me trazia algo diferente. Abrindo margem pra crescer os outros personagens e a história. Então, novamente, tá de parabéns.

É isso. Eu gostei e eu espero que você goste também. Ansioso pela season 3!

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