5 movimentos da história clube de escrita

Clube de Escrita: Sem energia pra escrever

18.2.18Dana Martins



OI, MAIS UM CLUBE DE ESCRITA.

E essa semana foi... bem... é. Eu escrevi quase todos os dias - um não fiz nada por culpa minha, outro a internet parou na hora que eu ia escrever e não tinha como acessar o meu arquivo. Mas a desanimação do momento é que eu acabei de fazer a parte do dia, e eu tô cansada. E já é 18 de abril. E no geral eu tô desanimada. Tá difícil.


A vontade é quase de desistir.


Pior que é uma história simples e pequenininha, já toda escrita. O problema mesmo tá sendo encaixar o diálogo na sequência e de uma maneira certa e que complete bem a história. Editar quando eu tô cansada é muito difícil, porque meu editor não parece que vê claramente e tudo parece arrastar uma carroça e me deixa exausta. 

Em parte, acho que a culpa disso é mais da minha vida, eu fiquei meio doente essa semana, até pra ver série eu to cansada. Também acho que tô precisando fazer uma pausa da vida, sair, ver algo diferente. 

Resumo: está difícil. 

Mas eu fiz o que deu. Usando o truque do "só meia hora!" que sempre rende uns minutos a mais. Hoje foi uns 45 minutos. Ontem 2 horas. 

Além disso, eu parei pra repensar a história. Em uma folha branca anotei os acontecimentos principais em sequência, um pouco parecido com o resumo em tópicos que o Greg Pak fala no texto do último Clube. Depois eu também dividi a história nos 5 "mandamentos" do cara do Storygrid (podcast/livro/site), que são:

1. Incidente Incitante
2. Complicações 
3. Crise
4. Clímax
5. Resolução

Toda história, capítulo, cena - todas as partes da histórias - podem ser divididas nesses 5 movimentos de história. Ou seja, normalmente é: alguém chega e acontece algo, aí a pessoa tenta "resolver" e passa por essas dificuldades, aí tem um momento de crise que ela precisa tomar uma decisão, e quando toma essa decisão é o clímax, e isso dá em alguma coisa. 

Você pode observar isso na história por menor que seja: Paula pergunta algo pra Fulano, aí 

- Oi, você sabe onde tá o carro?
- Que carro? (incidente)

- Como assim que carro? Aquele que eu trouxe você até aqui. 
- Mas eu vim de ônibus. 
- Não, você veio comigo de carro. Um grande, verde. 
- Moço, eu nem conheço você. 
(complicações)

(Agora, a pessoa procurando o carro e o cara diz que não sabe nem a conhece, ela precisa tomar uma decisão. É o momento de crise.)

O moço dá um soco na cara do outro.
- Para de mentir, seu safado. Cadê meu carro? (clímax)

E aí a pessoa vai conseguir o carro ou não, é a resolução.

Tenha em mente que isso é uma explicação bem resumida e fajuta de uma pessoa cansada demais. Eu acho que minha cabeça tá começando a doer?? Não sei o que é isso. O ponto é que vendo esses 5 pontos gerais na história, me ajudou a ver o que eu precisava melhorar. Na última semana falei:

"eu acho que o maior problema da Drive! é perto do final, porque a história começou do PdV (ponto de vista) de uma personagem, e termina no PDV de outra. Não tá fechando direito."

E isso me ajudou a resolver, agora está tudo no ponto de vista da protagonista e a decisão final é ela quem faz. (Acho curioso que em outra história aconteceu algo parecido) Isso me ajudou a ajustar o início, ver as questões que eu precisava reforçar. Aí eu comecei a editar/reescrever tudo, até chegar ao outro problema, que eu não sei nem direito qual é. Esse é o nível do cansaço, não tô conseguindo pensar direito.

Só que eu meio que resolvi mesmo assim. O final era a parte mais bagunçada, então eu fiz uma lista dos diálogos/pontos que eu tinha. Exemplo:

- Fulana fala sobre ser policial
- Fulana explica por que tá atrás da outra
- A outra considera se entregar

Aí eu numerei esses diálogos na ordem que tinha que acontecer. Fiz outra lista de momentos da história desde o início pra ver ser os acontecimentos faziam sentido e ordem e tavam fechando, aí começou a cirurgia de texto. Pega os trechinhos que correspondem a cada número e reordena, depois volta pra o texto principal e continua a reescrita a partir do momento que deu problema. Escreve diálogos inteiros, percebe que elas saíram do ponto e tava levando a lugar nenhum, corta e escreve outro até criar uma ponte pra próxima parte.

Muita coisa vai embora. Fiquei um pouco triste porque na reescrita a conversa fica mais séria, e piadas que eu tinha escrito e gostava não podem entrar, então eu preciso reescrever o mesmo diálogo com agora elas levando o assunto a sério. 

Acho curioso isso, que os personagens tem humor. Se ele começa um diálogo feliz, você tem que tratar o assunto nesse tom. Como eu normalmente reordeno muito acontecimentos nas histórias, eu costumo ter que reescrever batendo com o humor do personagem. E "humor" aqui não conta como só feliz/triste. Nessa história, por exemplo, as personagens estão se conhecendo e apesar de ser uma conversa curta que acontece num passeio de carro, conforme elas se conhecem e o tempo passa, a maneira como elas agem em relação a outra muda, então o tom do diálogo muda. 

No momento eu tô até com um pouco de medo da história ter ficado séria demais na minha busca pra motivação das personagens fazer sentido. Era pra ser algo bobo, uma pessoa entra no carro da outra por acaso, e ela não poderia ter escolhido o carro mais errado pra fazer isso. Mas não sei. Isso é algo pra ver no futuro quando eu terminar de reescrever a história até o final e todos os pontos principais se encaixarem direito.

E por enquanto é só. Acho que mesmo cansado e numa semana ruim vale a pena tentar fazer o mínimo. Escrever por meia hora. E se escrever tá difícil, organizar a história. Hoje mais cedo eu coloquei 20 minutos no celular enquanto esperava a comida no forno, foi quando eu fiz a nova lista. Pior que eu fiz uma, e ainda faltava uns 10 minutos. Fiz outra, faltava 5. O tempo parecia que não passava. Mas ter o contador passando ali pra minha árvore crescer no app me fez continuar tentando fazer algo. Aí acabei até fazendo um resumo da história (e o que aconteceu antes da história) da perspectiva da personagem secundária, o que me faz entender melhor o que a personagem tá fazendo e aí poder escrever direito. 

0 inspiração. 0 vontade de escrever. 0 história indo bem.

Mas pelo menos eu dei o meu melhor. 

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1 comentários

  1. Uau. Vida de escritor realmente não é fácil. Você citou tantas formas que ajudam a superar um bloqueio criativo, que me surpreendi. Cara isso é muito foda. o único que eu normalmente fazia era uma lista, uma linha do tempo, da história e do capitulo, mas acho que esses métodos ajudem bem mais em momentos de desespero.

    Espero que tenha conseguido superar, você realmente pareceu dar o seu melhor.

    Abraços.

    R.W. <3

    https://www.newsfallenbooks.com/



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