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Clube de Escrita: A Arte de Viver e Escrever

4.2.18Dana Martins


Mal começou essa leva do Clube e a vida já tá se metendo no caminho, mas eu continuei firme e finalizei a história. Hoje vou falar um pouco sobre equilibrar a vida, editar histórias e as coisas que a gente faz na escrita que não são sentar e escrever. 

Eu escrevo isso da escuridão no meio do meu quarto depois de escalar a cama pra chegar até o computador. Parece até piada, né? FEVEREIRO COMEÇOU, VAMOS CONTINUAR A ESCREVER.

Fevereiro:



Pra começar, eu voltei pra academia o que significa que doía até pra existir. Aí eu também comecei a assistir Critical Role e... sabe quando você não quer fazer mais absolutamente nada da sua vida e só assistir? Pois é. Eu gostei tanto que até me concentrar em outras coisas era difícil. Pra completar, queimou um fio e meu quarto tá sem energia, o que significa sem computador e internet. Yeey. 

Às vezes quando chega a hora de escrever, parece que tudo conspira pra dar errado. 

Mas dar errado nem sempre é tão ruim, às vezes cria a oportunidade de pensar se os nossos planos são realmente realistas. Quando o fio parou aqui, eu fiquei até aliviada porque uma pausa era justamente o que eu tava precisando. Critical Role + academia tinham me deixado acabada. Acho que abusei dos meus dias de liberdade e diversão. HUAHUAH 

E acho que essa é uma das coisas importantes sobre escrita, que a gente não fala muito: quando você escreve ao longo do ano, você também tem uma coisa chamada vida. Infelizmente (ou felizmente), escrever não é igual um trabalho com horário fixo e você vai lá, bate o ponto e volta pra casa no fim do dia livre pra fazer o que quiser. A escrita teoricamente tá aí esperando ser feita a qualquer momento. Agora, em vez de ler esse texto. No lugar de assistir série. Na hora que você tá na academia. Na hora de dormir. Se a gente não aprende a colocar limites, você começa a chamar viver de "procrastinação" porque se sente culpado de não estar escrevendo toda vez que faz outra coisa. 

Então o ponto é que é importante se conhecer, saber quando é importante colocar a escrita em primeiro lugar e quando é melhor falar "naah, vou assistir série." A lógica é que é importante cuidar de você em primeiro lugar, antes de qualquer coisa, porque se você tá bem, você vai escrever. 

É por causa disso que antigamente eu só escrevia no NaNoWriMo. Eu não tinha como colocar a escrita em primeiro lugar o ano todo, mas três meses separados ao longo do ano? Com certeza. Agora que eu escrevo sempre, eu tô tendo que aprender a criar pausas e IR VIVER A VIDA pra não ficar na ansiedade de "eu deveria ter feito isso!!"

Aí eu tive overdose de Critical Role, dei PT, e no último segundo do dia 31 de janeiro (o prazo que eu dei pra terminar a história), eu tive que me forçar a parar tudo e focar um pouco. A Charity Kiss já tava escrita há algumas semanas, faltava só a edição final e eu acabei levando dois dias pra finalizar mesmo. Vou te falar, eu não tava com a menor vontade de editar. Deixei chegar no último dia, em cima da hora, e ainda precisei me convencer com o clássico, "só meia hora! se depois disso eu quiser parar por hoje, beleza. pelo menos eu fiz algo." Felizmente o meia hora virou duas horas e eu consertei a história toda. 

Eu não tenho nada de memorável pra falar sobre isso, mas tem algo de edição que eu sempre quis compartilhas aqui no Clube.

Acho que a melhor forma mostrar o processo de edição é através de desenho. Tirei essas fotos aqui enquanto fazia um essa semana:


Se você olhar pra o primeiro desenho, nem dá pra ver direito o que tá acontecendo. O segundo já é um pouco melhor, mas tu ia falar que é um desenho bom? Parece uns rabiscos perdidos. O terceiro já vai melhorando, mas as pernas estão bem menores que a parte de cima. O quarto já começa a melhorar...

Quando você constrói um desenho, é comum fazer isso com camadas sobrepostas. Você faz o esboço, depois refaz tudo com traços mais nítidos, depois outra vez com detalhes, depois sombras, vai ajustando erros... de pouco em pouco, fazendo e refazendo e refazendo, você vai criando a imagem final. 

Quando eu (atenção pra: eu) escrevo, é a mesma coisa. Meu primeiro texto costuma ser um esboço bem generalizado como os primeiros rabiscos ali. O que eu vejo é que muita gente faz os rabiscos do esboço e joga fora assumindo que é ruim, em vez de continuar indo em frente, consertando, repassando. 

Dessa vez, a Charity Kiss foi bem simples de fazer, mas já no primeiro parágrafo existe uma diferença gritante entre rascunho e versão final. A história foi ganhando vida com descrições, ambientação, etc. No meu primeiro rascunho dificilmente coloco essas coisas. se depender do texto os personagens tão tudo pelado num lugar abstrato chamado "casa." A não ser que seja algo que eu acho importante incluir na hora. É por isso que eu acho extremamente importante não julgar a história pelo primeiro rascunho. Julgar tão cedo assim é tipo você me chama pra sair, eu saio do banho pelada e você "caraca, que roupa horrível." 

Como assim, eu nem tô vestida ainda 



Aliás, a outra história que eu terminei esse ano (e falei no último Clube de Escrita), é um exemplo bem legal: a história é sobre a protagonista aprender a seguir em frente depois que ela precisa tomar conta dos dois irmãos mais novos depois da morte do pai. No primeiro rascunho as crianças tinham 0 personalidade. Eram só Crianças™. Depois que eu repassei tudo na edição eu fui incluindo detalhes sobre elas e dando vida, ao ponto de que agora que tá tudo terminado, elas são umas das melhores coisas na história. Eu hoje tava até a aqui varrendo o quarto, toda suada, e sorrindo pensando em cenas aleatórias com essas mesmas crianças. E isso nem existia no primeiro rascunho

Se o exemplo do desenho não é bom o bastante, tem esse tweet do Neil Gaiman que eu vi hoje e completa perfeitamente:

Dana (uma que não sou eu): pergunta rápida: como eu faço a trama de um livro?
Neil Gaiman: Escreve tudo o que acontece na história, e no segundo rascunho faz
parecer que você sabia o que tava fazendo o tempo todo 


Além disso, finalmente vi os temas da Clexa Week. Dos 7 dias, só um tema realmente me animou e eu acabei já escrevendo a história inteira. Eu queria ter editado esse fim de semana, mas com o quarto assim não dá. Depois eu ainda tive ideia pra outro dia e escrevi a história inteira na minha cabeça. Agora falta ver se quando eu conseguir sentar pra escrever (se conseguir...), ela vai funcionar ou eu vou achar tudo ruim. 

No momento eu estou um pouco frustrada e confusa. Eu tô achando que como eu quero escrever as 12 histórias esse ano, eu tô tentando correr e enfiando coisa pra fazer na frente (inconscientemente!!) e deixando as histórias maiores e que exigem mais trabalho como a Rebels AU pra depois. Mas eu não quero ficar no desespero, não. Quando eu for sentar pra fazer uma história, eu quero sentar e concentrar naquela história, em vez de ficar "batendo metas" imaginárias.

Da série "Habilidades que fazem a diferença na escrita": saber quando colocar as metas, e quando ignorar as metas.

Ao mesmo tempo, eu realmente quero escrever essas histórias. Acho que se deixasse eu escrevia até mais um capítulozinho dessa história das crianças que eu já terminei. Será que vou ter que selecionar quais histórias são mais importantes e deixar outras pra trás? Descobriremos.

Pra fechar, vou compartilhar que desde o ano passado eu tenho cadernos específicos pra diferentes histórias/projetos. São projetos que eu tô trabalhando há mais tempo e volta e meia surge uma ideia ou informação nova que eu acrescento ali. Na real, todas as 12 histórias - e algumas outras - que eu quero escrever esse ano, eu já sei quais são. Então é como se o tempo inteiro eu tivesse várias abas abertas no meu cérebro trabalhando em coisas diferentes, com uma principal a cada vez. Tô dizendo isso porque o meu cotidiano de escrita acontece dessas diversas formas.

Só essa semana:
- Eu editei e finalizei aquela Charity Kiss
- Eu escrevi o primeiro rascunho de uma nova inteira, que eu vou apelidar aqui de "Drive!" 
- Eu tive umas ideias pra um projeto (a construção dessas histórias é diferente do que eu normalmente faço)
- Eu criei uma personagem nova que deve protagonizar umas das histórias desse projeto.
- Eu refleti e cheguei à conclusão do "tema principal" da famigerada Ground Control, na qual eu venho trabalhando desde 2016
- Eu fiz o planejamento (outline) de outra
- Eu parei pra organizar no meu arquivo de planejamento as possíveis próximas histórias e decidir o que fazer a seguir
- Eu sofri porque eu quero escrever a Rebels AU e ao mesmo tempo quero escrever as outras e hoje é dia 4 do mês que eu queria focar nela e nem abri o arquivo!!!

Trabalhar numa história às vezes é bem mais do que sentar e escrever. Essa é a parte crucial, obviamente, mas existem essas pequenas partes invisíveis que são importantes também. Acho que foi o Chuck Wending que no blog de escrita dele uma vez falou que escrever é igual ter várias panelas no forno. Cada ideia é uma panela diferente. Às vezes você deixa uma lá atrás, com a água esperando a hora de ferver, enquanto tá trabalhando em outra. Eu gosto de ir e vir nas minhas panelas. 

No geral, a semana foi boa. Eu bati minha meta. Eu tive meu momento de descansar. Eu assisti Critical Role que revigorou meu amor por histórias. Eu cheguei até a ganhar duas histórias de bônus!!! Pode ser que fevereiro termine e eu com 5/12 histórias finalizadas do ano, o que é mais do que eu fiz em 2017 inteiro (4 histórias). Mas uma coisa que eu tenho pensado é que não teria jeito de bater essa meta em 2018 se eu não tivesse feito tudo o que eu fiz em 2017. Se eu chegar lá, é por causa de todo o trabalho silencioso que eu fiz até aqui. Esse planejamento. A panela escondidinha ali no fundinho, indo em frente de pouco em pouco. 

Agora vamos em frente. Até semana que vem eu quero pelo menos ter essa "Drive!" editada, e: ou a ideia nova que eu tive finalizada, ou a Rebels AU indo em frente oficialmente. Seja como for, eu espero ir em frente tranquilamente, cuidando de mim - da necessidade de descanso, de diversão, de fazer as outras coisas - também. 


obs: Se não entender algo ou quiser mais informações, pode perguntar.

Pra quem não sabe, AU significa UNIVERSO ALTERNATIVO, normalmente quando eu tô escrevendo fanfic eu uso isso do lado do título porque a história se passa em um universo alternativo, em vez do universo onde a história real se passa. Um trecho do Batdrama (minha newsletter) onde eu explico isso:

AU - alternative universe / universo alternativo. Termo normalmente usado pra falar de fanfics, quando a história é a mesma mas se passa em um universo alternativo. Exemplo: Percy Jackson com um AU de apocalipse zumbi. Em vez de magia e pais olimpianos, os personagens vão estar em um apocalipse. Percy Jackson high school au (high school = escola) - em vez de poderes, vai ser uma história contemporânea que acontece na escola. College AU (faculdade), os personagens na faculdade.
Você pode contar a mesma história em qualquer universo, com os mesmos personagens e até mesma história, adaptando o que é o relativo do que nesse outro universo. Exemplo: Percy Jackson modern au (moderno - ou seja, comum, sem magia, normal igual a gente) em que o pai dele é um marinheiro que desapareceu (em vez do poseidon). Percy Jackson dragão au, o dragão dele é azul e tem poder de água. Percy Jackson hogwarts au - o Percy adora magias de água, o lago negro, ou até: PERCY QUER PODER NADAR NO FUNDO DO LAGO DE HOGWARTS USANDO FEITIÇO PRA RESPIRAR EMBAIXO DA ÁGUA, MAS PRA ISSO ELE PRECISA CONVENCER A GAROTA MAIS BRILHANTE DE HOGWARTS A AJUDÁ-LO: ANNABETH.
Enfim, não tem limites. É como fantasia - por baixo, é você, mas você pode se fantasiar de vampiro, pirata, advogado, etc.


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1 comentários

  1. Eu só queria deixar esse comentário pra dizer que esse texto me ajudou a ter vontade de escrever novamente e que me deu não só excelentes dicas, como eu sei que vou começar a aplicar na minha escrita <3 ~em resumo: obrigado!

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