assexual bissexual

Por que Destiel merece ser real?

30.8.17Colaboradores ConversaCult


Não é pelo simples fato de ser canon. É muito mais que isso. Durante todos esses tempos convivendo junto de vários fãs de supernatural e vendo o ponto de vista de cada um, é possível se chegar a uma conclusão: a existência de algo entre Dean Winchester e Castiel


De ambos os lados, não algo unilateral, e apesar de muitas pessoas não conseguirem ver e resumirem tudo o que se passa entre eles como “coisas entre amigos” ou como “irmãos”. Venho aqui com um intuito, tentar provar um ponto. Não forçar você a ver... mas sim abrir seus olhos para algo que já está lá desde meados de 2008, desde que Castiel botou os pés naquele celeiro e que faíscas caíram em sua cabeça. Naquele primeiro momento o que seria de inicial apenas uma boa química entre atores foi moldado pela mão de vários escritores até o presente andamento. Até virar o Destiel ou Deancas que muitos tanto conhecem.


E essa química ainda rendeu o prêmio em 2011 como o casal mais romântico da TV, isso mesmo, romântico. Batendo inclusive um casal canon de Glee.  Se até mesmo prêmios da televisão conseguem enxergar a tensão que existe entre esses dois personagens, é porque há algo ali. Como dizem? Onde há fumaça, há fogo.

O primeiro fator que vale a pena abordar é a sexualidade dos personagens. Primeiramente da parte de Castiel, que é um assunto totalmente menos delicado de abordar do que a de Dean Winchester.

Castiel é um anjo.


Já vi muitas pessoas falando sobre a impossibilidade dele de se sentir atraído ou gostar/amar outra pessoa porque ele é um anjo e anjos não se apaixonam. Esse conceito foi quebrado de uma vez por todas na última temporada. Temporada 12 para ser mais exato, quando Ishim fala sobre Dean ser a fraqueza humana de Castiel. (E Dean escolhendo morrer por ele – mesmo não morrendo, escolheu a morte a matar Castiel)

Nesse episódio também é possível ver um flashback de Cas em uma vessel (casca) feminina e dentre todos os anjos selecionados para matar uma criança que diziam ser filha de outro anjo, Castiel foi o único que demonstrou algo diferente. Demonstrou um sentimento. Ué... Anjos não deviam ser seres incapazes de amar e apenas obedecer ordens?

Isso nos traz ainda mais flashbacks de anjos já sabendo que Castiel tinha um pequeno problema como “Too much heart” ou o “he likes you”.


Se lembram das palavras de Akobel? “Como alguém poderia conhecer os humanos e não amá-los?” e se lembram de como a câmera focou em Castiel logo após isso? Nada em supernatural é por acaso.

E todos sabemos que Castiel matou Billie para proteger os Winchester e Dean em especial. Castiel lá para as primeiras temporadas falava sobre a ligação especial – profound bond - que ele tinha com Dean quando Sam o questionou sobre ele gostar mais de Dean do que dele. Supernatural ama paralelos.

E isso sim é um assunto bem interessante, mas grande demais para um post desse. Só uma dica, pesquisem o paralelo de Caim x Colette com Dean x Castiel.




Não precisa nem me agradecer. Haha.

Alias, não preciso nem falar sobre o purgatório, não é mesmo?

Não podemos esquecer do famoso “I love you. I love all of you” do 12 x 12 que devido ao que todos conhecemos como perdido na tradução foi deixado nas entrelinhas devido a uma ambiguidade no inglês. O primeiro I love you foi para o Dean ou não? Nas legendas em espanhol, foi. Nas em português, não. Para os escritores? Só perguntando para eles para saber, mas pela minha sincera opinião... Tenho certeza que foi. Não há necessidade de afirmar novamente algo, principalmente um I love you em inglês.

Para quem não sabe, I love you, pode ser tanto “eu amo você” como “eu amo vocês”. Se alguém diz I love you com várias pessoas ao redor... É porque é no plural.

Mas a câmera focando no Dean - de novo supernatural e seus subtext - prova o contrário. E o fato de Castiel ter que falar “all of you” e a câmera mostrando Sam e Mary logo depois. “Eu amo todos vocês”.






Castiel não usaria redundância. Ele simplesmente não usaria. E isso se repetiu no “I did it to protect you. I did it to protect all of you” que acontece no 6x20. É o padrão dele. Falar do Dean e depois generalizar tudo. Isso fecha com chave de ouro o que todos suspeitávamos.

Agora vamos prosseguir.

Se eu fosse falar de todos os momentos que surgiram que provam que Castiel pode sim sentir algo por humanos, teria que escrever um livro só para isso. Há inúmeros artigos na internet também – a maioria em inglês. Misha Collins, o ator que interpreta o Castiel, alguém que conhece a dedo esse anjo, considera Castiel como assexual. Isso não traz nenhum problema. Isso só preenche algumas lacunas que existem desde as primeiras temporadas que ele esteve presente. Se lembram do pornô da babá? Quando Castiel assistiu e ficou “animadinho”. Não foi ele e sim Jimmy que ainda estava dentro da vessel.

Sexualmente, Castiel nunca demonstrou estar interessado em alguém, agora emocionalmente... Castiel pela visão de Misha Collins é assim. Excluindo as cenas dele humano, porque com tantos sentimentos misturados e o corpo humano biologicamente quase descontrolado é impossível definir o que Cas mesmo era nessa época. Ele mudou. Não é mais como antigamente. Não é mal. Não é egoísta. Ainda comete erros, como todo mundo, no entanto.ele se preocupa com as pessoas e se sacrificou e morreu por sua família.

E sem dúvidas, ama Dean Winchester, incontestavelmente.




Se você chegou até aqui e acha que não, sugiro ler vários outros artigos e posts (aqui no CC tá cheio) e voltar a rever algumas cenas com outro olhar. O olhar do escritor e o olhar técnico, além do olhar de fã.  O que nos leva agora a ele. Sim, senhoras e senhores, Dean.

O homem que a maioria das pessoas conhece como “garanhão”. Um termo que eu acho um tanto inapropriado, sinto muitíssimo dizer.

Eis que é um assunto mais complicado, porque existem vários espectros de Dean Winchester que não são conhecidos por todos os fãs. E novamente eu digo para você: eles podem se perder ou mudar nas traduções e dublagens. O Dean Winchester criança só é conhecido por quem - além de ter visto os episódios que ele aparece criança – leu o diário do John.

No diário do John tem uma passagem que me deixou um tanto chateada em como a criação de Dean foi. John adorava quando Dean se mostrava o “womanizer” ou o caçador de meninas e o retratava no diário como o que corria atrás de um rabo de saia. Dean tinha que ser o protetor, o forte, o verdadeiro homem da família e cuidar de Sam a todo o custo. Somando isso a retenção de emoções que Dean obrigou a se afundar, ele cresceu e se tornou um soldado que odeia momentos de menininha. “No chick flick moments”.  Quando na verdade todos sabemos que ele assiste novela mexicana, tem um certo gosto por Taylor Swift, gosta de lavar o carro com shorts e já usou calcinhas rosas.

Não provando que gostar dessas coisas te faz gostar de garotos. Não é isso. Não é uma regra. Talvez um estereótipo, no entanto, mas não é esse o ponto. Dean teve que esconder coisas do pai ou se moldar para agradar ele. E isso sim é algo palpável para o que estou querendo afirmar. Se Dean gostasse de verdade dessa vida dele de dormir com garotas de bar, de fazer sexo toda semana e voltar para casa e ver o irmão dele, não ia se sentir vazio, como a própria morte uma vez já disse “Você já está morto por dentro”. Dean não sabia nada sobre sentimentos.

Nada.

O que ele entendia era, se tinha uma mulher bonita, ele podia dar o braço a torcer e ela estaria na dele, mas sentimentos complexos que ele foi ensinado a reter e que possivelmente foi ensinado como errados. Esses sentimentos o fizeram dele o que ele é agora. Alguém com medo de dizer “I love you”. Alguém com medo de se entregar. O maior relacionamento que ele teve com uma mulher foi com a Lisa e ainda assim não deu certo.

Quando Dean se encontrou com aquele casal de caçadores e perguntou sobre se retirar da vida e relaxar só com uma pessoa e como era, mostra que Dean busca essas coisas e possivelmente com um caçador(a). Com alguém que possa sobreviver sem que ele tenha que se preocupar ao dobro. Sem que ele precise se sacrificar de modo quase tóxico e triste por aqueles que ele gosta.

E eis que novamente temos Castiel. Porque de novo Supernatural falhou com toda e qualquer possibilidade de criar uma mulher boa o bastante para Dean e se a série acabar em duas temporadas, principalmente...eles podiam ter criado, ao menos uma mulher, que o apoiasse, que estivesse ao lado dele, que se sacrificasse, que saísse com ele, que o fizesse ficar sem graça e o fizesse se preocupar tanto a ponto de não dormir pensando em trazer ela para casa, porque é a casa dela e ela tem que ficar com eles... E que além disso o fizesse rir, e o irritasse, o deixasse com ciúmes, que ele elogiasse suas roupas ou zoasse com suas roupas e que quisesse que ela fosse... Feliz. Com a família ou não.

Onde fosse melhor pra ela.

Porque isso tudo faz parte de coisas que ajudam no desenvolvimento de um casal numa história. É o que atrai pessoas a verem como casal. E não uma garota qualquer que ele conheceu em um bar, sendo ela a mais bonita de todas não.

Um casal vai muito mais do que o corpo externo. Mas não, ela não existe. Por que quem fez tudo isso... Foi Castiel. 


Muita gente acha que Destiel virando Canon ia mudar totalmente o enredo. Que supernatural não é romance. Supernatural é sobre monstros e caçadas. Supernatural é sobre família e fim e acabou.

Deixe-me dizer uma coisa: família não é apenas irmãos, não. Você já viu alguma família feita só de irmãos? Família pode ser um casal. Família é todos os membros e até os que não são de sangue. Como o próprio dicionário nos diz e como Bobby Singer uma vez disse. Family don’t end with blood.

Supernatural não vai mudar em nada se Destiel virar canon. Dean continuará sendo um caçador. Sam também. Castiel também. Só uma coisa vai mudar: Dean vai ser feliz com alguém que ele gosta e que ama ele pelo que ele é e não por alguém que ele criou pra uma ficada de uma noite. E além do fato de que pela primeira vez em uma série de TV, um personagem considerado bissexual por muitos, não precisou mostrar de cara sua sexualidade para que alguém admitisse que ele era, de fato, bissexual. A maioria dos shows deixa claro a sexualidade de cara e logo no início. E supernatural mostrar Dean e Cas como um casal, só mostraria como é a realidade.

Quando alguém ainda está se descobrindo.

Como se gostar de alguém fosse motivo para você já saber o que você é. Tem pessoas que passam a vida achando que são de uma forma e no fim não são. É o medo que prende elas e é isso que Dean tem. Medo. Porque falta de fatos que provem que ele se interessa por homens não tem. Não esquente, se eles não quisessem que esses fatos existissem, que Dean agisse igual a Sam perto de homens.

Contudo, o poder de trazer Destiel as telas de TV está nas mãos dos escritores. Porque querendo ou não, eles tem mais poder que qualquer um ali, não importa se os atores querem algo. Jared Padalecki, por exemplo, disse que o que Dean sente por Cas é diferente do que Sam sente por Cas e isso vai ser mais explorado na temporada 13 que ainda vai estrear. Nada novo aqui, porém ainda assim, nos faz ter pequenas palpitações. Quase como se fosse ganhar um Oscar.

Porém, todavia, no entanto. Não adianta.

O voto final. A menção final. O futuro de Destiel está nas mãos dos escritores, quer o público queira ou não. E na minha sincera opiniã Destiel sendo canon ia ser o fechamento de um arco que começou anos atrás e tiraria para sempre supernatural do posto de queerbaiting (sendo queerbaiting uma das piores coisas que shows e livros criaram. Queerbaiting é ilusão e até um desrespeito, mas não vamos se aprofundar nisso).

Eu não peço cenas complexas demais num possível final para supernatural. Acho que na altura do campeonato já entendemos como funciona a cabeça de alguns escritores e do que alguns gostam. O mais esperado na última temporada. É apenas um i love you da parte de Dean e um dar de mãos.

E podem ter certeza de que isso está mais perto do que todo mundo possa imaginar.


Sobre a autora: Jace Oliver, designer e escritora nascida na cidade de Manaus - AM e não no meio de uma tribo na Floresta Amazônica, como muitos acham. 22 anos, aquariana até a ponta do pé. Viciada em filmes, séries e músicas que ninguém conhece. Passa maior parte do tempo divagando sobre quando existirá uma série brasileira de terror decente. Já tem um conto distópico publicado e boatos que começou um canal no YouTube onde posta vídeos falando sobre jogos e histórias.

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1 comentários

  1. Eu amei! Preciso que escreva mais sobre Destiel. Se não puder, tudo bem. Mas obrigada por me fazer pensar mais sobre esse assunto.

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