Carol Cardozo CCConversa

#ForçaChape

29.11.16Carol Cardozo




Pode parecer meio estranho uma postagem como essa aqui no CC, já que a gente fala mais de cultura pop e nem fala de esportes, mas eu, como amante de esportes e de futebol (por mais que não tenha acompanhado tanto nos últimos tempos), precisava falar algo, mesmo soando mais do mesmo, com tantos textos de homenagem que já passaram e vão passar pelas timelines hoje.

Pode parecer chavão, mas o futebol é o esporte mais democrático que existe. Você não precisa de objetos específicos, como prancha, rede, raquete. Você não precisa de uma bola que seja leve e não machuque sua mão (como o vôlei). Você não precisa de treinamento. Você não precisa de rede.

Tudo o que você precisa é algo remotamente redondo que lembre uma bola de futebol (já joguei futebol com bola de meia, recomendo), alguma coisa pra fazer trave e pronto: você já pode jogar aquela partidinha marota.

Por isso é tão amado, é tão falado. Futebol não tem idade, não tem classe social, não tem nada. Futebol une as pessoas. Um exemplo é o jogo do Santos no Congo e na Nigéria, no final dos anos 60 (ainda com o Pelé jogando), que fez parar o combate, ainda que por alguns dias, para que as pessoas pudessem ver o jogo e ver o Pelé em ação. Em época de Copa do Mundo, no subúrbio aqui do Rio, as pessoas pintam os muros e as calçadas, decoram as ruas, e se reúnem fazendo seus churrascos em pleno meio da rua pra assistir os jogos.

Então, quando uma tragédia dessa acontece, ainda mais com um time dito pequeno, que estava no auge da sua história, isso afeta todos nós. Afeta mesmo quem não torcia, mesmo quem só ouviu falar do time uma vez ou outra.

O Chapecoense estava indo para a Colômbia pra disputar a primeira partida da final da Copa Sul-Americana, a primeira competição internacional da sua história, com grandes chances de ganhar. Está em nono lugar no campeonato brasileiro desse ano. Em 2009, estava na série D. De lá pra cá, foi subindo, sem treta, sem nada, só na raça. Em 2014, chegou a série A. Indo contra a história de times pequenos que chegam a série A e caem no ano seguinte ,se manteram e em 2016 fizeram sua melhor campanha, ganhando de times grandes, indo à Copa Sul-Americana e chegando à final, com uma defesa espetacular do goleiro Danilo, o herói dessa classificação.

De 81 pessoas a bordo, mais de 70 morreram, entre jogadores, comissão técnica, tripulação do avião e jornalistas que acompanhavam o time. Nesse momento de dor, em que tantas vidas foram perdidas, vidas que estavam no auge de suas carreiras, fazendo o que amavam, eu peço, profundamente, de coração: não desmereçam, não digam que "todo dia morre alguém e ninguém fala nada", "só estão falando porque eram famosos". Pensem , se coloquem no lugar dessas famílias que tiveram seus entes arrancados tão de repente deles. Pratiquem empatia.

Desejo aqui força para os familiares de quem partiu e para a cidade de Chapecó, em Santa Catarina.



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