bissexuais bissexualidade

O preço do privilégio bissexual é o nosso apagamento

23.9.16Colaboradores CC



O título está um pouco sensacionalista, mas intenção do dia de hoje é chamar atenção mesmo, então vem comigo, sem medo. A gente conhece personagens gays, certo? E eles sabem que existem. Gritam EU SOU GAY para o mundo e isso é ótimo. Porém, sendo 23 de setembro o dia da visibilidade bissexual, precisamos conversar sobre a falsa ideia de que essa é uma orientação melhor aceita.

Primeiro te pergunto: por que que, mesmo tendo relações com homens e mulheres, a palavra bissexual, como identidade, parece fugir das narrativas como o diabo foge da cruz? Por que os escritores preferem não colocar rótulos quando a personagem tem interesses românticos em mais de um gênero? Estamos acompanhando uma guinada maravilhosa na representatividade LGBT nas séries, filmes e livros. Na TV, várias personagens que começaram em relacionamentos hetero estão se envolvendo com outras do mesmo sexo. Isso não é apenas bom para as minorias, como faz bem para o negócio, pois traz uma nova leva de audiência para uma série que já estava rodando. Quando eu vi no Mas Tem Lésbicas que Hannibal e How to Get Away With Murder tinham mostrado relacionamentos entre mulheres, eu me animei para chegar nas temporadas em que isso aconteceria. E as que já têm seguimento garantido só ganham pontos ao incluir LGBTs na trama. Quão maravilhoso foi ver Pedro Pascal como o príncipe bi de Westeros? Saudades Oberyn. E a cena chocante do ménage dos Underwood? Tô aplaudindo de pé até agora.

- Você gosta igualmente do dois, garotos e garotas?
- Isso lhe surpreende?
- Todos têm uma preferência.
Por que então não ficar contente com esses plot twists na sexualidade das personagens? Não é suficiente uma personagem que “era hétero” “vire gay”? Bem... é e não é. É como levar uma pelo time. Finalmente vemos a indústria do entretenimento se libertando da prisão que é a mentalidade heteronormativa. Segue os avanços sociais, como a legalização do casamento gay nos EUA, mas é também uma conquista do público, que não ficou quieto ao ver narrativas caminharem naturalmente para relacionamentos homoafetivos. Nós vimos que faz todo o sentido o Steve estar apaixonado pelo Bucky. Que Emma e Regina de Once Upon a Time estão com a faca o queijo na mão para se tornarem o casal mais revolucionário e refrescante dos contos de fadas. Fizemos campanhas, pedimos um namorado para o Capitão América e levamos o ship de Swan Queen para os quatro cantos da internet. Eu não tenho dúvidas de que a arca da Doroty em OUAT seja uma resposta a esse barulho (não era bem o que a gente queria, mas isso é assunto para outra hora). Perdemos umas, ganhamos várias: em The 100, A Lenda de Korra e Faking It, só para citar alguns.

ME DIZ SE ESSE NÃO É O OLHAR DE QUEM JÁ SE VIU PELADO

Portanto, com a cota LGBT aumentando fica difícil reclamar da forma como ela aumenta. Mas as identidades existem por um motivo, que tem a ver com aceitação e a luta por direitos iguais. Dar nome é uma forma de externalizar o que se sente e pensa. Se eu não sei que bissexualidade existe, como vou fazer as pazes com as atrações que sinto? Como vou me enxergar com uma pessoa completa, com um lugar no mundo e uma comunidade de pessoas parecidas comigo?

É importante avançamos mais um passo na representação bissexual. Termos personagens se identificando com orgulho, assim como temos as gays. Precisamos, até para remendar alguns estragos feitos em – pasmem! – séries voltadas para o público LGBT. Quando eu percebi que sentia atração por meninas fui assistir The L Word, feliz com a perspectiva de acompanhar histórias de mulheres que amam mulheres. Mas a série tratou a bissexualidade com tamanho preconceito que poderia ter vindo de uma produção conservadora e caretona. Uma decepção. E Orange is the New Black, que corajosamente aborda a violência policial na sua última temporada mas ainda não tem a decência de assumir que a Piper é bi?

Vamos lá miga, junta dois mais dois, não é tão difícil

Vamos lá, dá pra ser melhor. Vamos acabar com o tabu da palavra, e passar a associá-la com histórias como todas as outras, e não só com preconceitos negativos de indecisão e promiscuidade. Se existe algum privilégio em começar o enredo com relacionamentos ‘padrão’, conquistar o público e depois introduzir os romances ainda à margem, que isso seja feito com clareza e honestidade.



Marina Vieira Souza. Geminiana que gosta de ouvir e contar histórias. 23 anos, se inspira em figuras respeitadas como Avatar Korra e Finn, O Humano. Acredita fervorosamente que J.K. Rowling está escrevendo "Hogwarts, Uma História" em segredo. Enquanto não é lançado, ocupa seu tempo virando estrelinha na grama e fazendo carinho em todos os animais que encontra.

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3 comentários

  1. quase morri quando vi the legend of korra aqui <3 muito importante o texto. pessoal coloca lá, mAS CADÊ DESENVOLVIMENTO, CADÊ... FAZER A COISA... DIREITO. a bissexualidade aparece, mas aparece bem assim, no meio do caminho quando eles param "ih, gente gay existe! vamo fazer essa mulher aqui beijar uma mulher, ou homem beijar um homem" e 99% das vezes na hora de falar bissexualidade a coisa falha.

    bifobia de faking it foi uma das coisas que me fez parar com a série. (e o showrunner é gay...) oitnb 9839832 personagens que podeme ser bi, e ficam com mais de um gênero, mas naaaah. vão morrer se uma falar "bissexual". e isso sem falar da merda que eles fizeram na finale. the loo é outro que mostrou que não entende nem se importa.

    é triste.

    2016 acaba logo e lança alguma coisa boa, porque não aguento mais perder

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  2. esse gif stucky acabou cmg sua fodida

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  3. Não percebo a Bissexualidade tão "travada" com homens, na época que haviam vendedores em muito maior numero, nas lojas de roupas masculinas,elogiavamos reciprocadamente, traços de beleza ou da pele (macia por exemplo)! Com amigo ou conhecido,já fiquei com quem era Bissexual! Já percebi, entretanto, mulheres marcando território em funções mais buscadas por homens, como em futebol (comentando), como vendedoras (loja de roupas), lojas de autopeças (vendedoras)! E por razão muito simples: atração que nós homens vamos nos permitindo externar!

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