A História Secreta CCLivros

Minh'A História Secreta

7.8.16João Pedro Gomes


Eu estava fuçando nuns posts antigos do CC quando achei esse Diário de Leitura do Paulo sobre Os Miseráveis. 


Vamos listar as características desse post: 
Ele fala sobre um livro grandão: 
Que todo mundo fala que é maravilhoso: 
E o Paulo estava achando maravilhoso também!: 
É cheio de aspectos pra desenvolver em vários posts: 

Foi aí que descobri que eu tava lendo algo que preenche todos os requisitos e POR QUE NÃO FAZER A MESMA COISA?

Eis aqui minha história com A História Secreta, de Donna Tartt.

Minh’A História Secreta! Olha que título ótimo pro post. 

Eu nem sei ao certo quando esse livro começou a rondar minha vida, mas foram vários sinais. Um sem-número de resenhas que brotavam de links inesperados. Um livro da mesma autora lançando quando visitei a Cia das Letras em 2014. A capa de uma edição antiga no Estante Virtual que eu até salvei, tão bonita que era. É o que eu chamo de ação do Destino. 

Uma coisa pra saber sobre mim: eu tenho essa coisa que é quase um fascínio com a cultura e mitologia grega. É um período do qual sabemos relativamente pouco, e ao mesmo tempo tudo parece tão fascinante e misterioso e vivo. E por mais que eu buscasse, nenhum livro atual parecia ter a Grécia Antiga como aspecto central do jeito certo. Nem livro nem história nenhuma, na verdade. Já tentou achar algum filme que envolva mitologia e não seja ou juvenil demais, ou sobre alguma guerra, ou extremamente ruim? NÃO EXISTE. 

Percy Jackson olhando para a tela, intrigado
Não é você, Percy, sou eu. Não leve pro pessoal

Isso tudo até eu encontrar esse trecho no goodreads:

Existe, fora da literatura, aquela coisa de "falha fatal", a nítida fenda escura que se estende e racha uma vida ao meio? Eu costumava achar que não. Agora acho que sim. E penso que a minha é assim: a ânsia mórbida pelo pitoresco, custe o que custar.

Foi aí que eu descobri que precisava ler A História Secreta. Não sei se eu definiria minha ânsia pelo pitoresco como mórbida, mas, ei, um protagonista que se sente assim como eu? TÔ DENTRO. 

Foi aí que eu conheci Richard Papen, um garoto de uma cidade pequena na Califórnia que decide fugir da vida medíocre de trabalho no posto de gasolina dos pais ausentes, única opção possível caso ele ficasse ali, e se mudar para uma universidade em Vermont, do outro lado do país. Não importa se ele a descobriu por um folheto velho que achou no fundo o armário e nunca nem sequer cogitou ir para lá algum dia: tudo o que importava era sair daquele lugar claustrofóbico e infértil.

Então ele vai, e na tentativa de dar seguimento aos estudos linguísticos (ASSIM COMO EU!!!) que há tempos iniciara, acaba obcecado pela turma excêntrica de estudos gregos e se envolvendo com ela de maneiras inesperadas.

TÁ, isso é tudo que sei por enquanto. Mas vamos parar um instante pra apreciar o quão legal é a proposta desse livro. Mais do que usar a temática histórica como ponto principal, ele constrói personagens e situações em torno dela. Coloca um panteão de estudantes únicos, peculiares e falhos, que literalmente e desde o princípio estão fadados à tragédia. É a história um pouco mais madura e profunda, que constrói sobre o “material original” em vez de tentar imitá-lo, que eu por anos quis ler. 

EU LENDO O LIVRO É BEM ASSIM

Todas as resenhas que li antes de pegar o livro diziam de alguma forma que simpatizar com algum personagem de A História Secreta faria de você uma pessoa terrível. Mas preciso dizer que o Richard tem sido um ser humano impressionante até agora. A naturalidade com que sustenta mentiras absurdas, o orgulho que o impede de fazer as coisas da forma mais fácil e o desprezo que sente por algumas coisas e pessoas é admirável. É errado torcer por alguém que SÓ QUER PARTICIPAR DO GRUPINHO DEIXA ELE ENTRAR PARA DE EXCLUIR E SER TÃO ELITISTA POR FAVOR?

Os estudantes de grego com quem ele acaba convivendo são igualmente interessantes, embora o que mais tenham mostrado até eles agora seja o mistério de suas ações. Tem umas coisas meios místicas que cheiram à tretas. 

(Mas não importa o que faça, deixo claro aqui que amo o Henry e irei defendê-lo. MELHORES CENAS, DIÁLOGOS, TUDO)

Até então (estou por volta da páginas 120), o livro tem sido tudo o que eu esperava e mais. Confesso que tive um receio inicial, porque, convenhamos, é difícil convencer você que um livro continua empolgante quando entregam quem vai morrer logo nas primeiras linhas. Mas querer saber os comos e porquês dessa morte, e pra onde essa história tá caminhando, fazem cada minuto longe do livro uma tortura.

E eu, que estava passando por meses sem uma leitura realmente instigante, tava com saudades dessa sensação.

(continuem ligados para os próximos capítulos :B) 


Queria agradecer não só a Deus mas também à Cia das Letras por botar esse livro na minha vida

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1 comentários

  1. Esse post foi um sobro de vida e curiosidade, e agora eu quero tanto, mais tanto ler esse livro que nem sei. Acho que tudo foi culpa desse paragrafo "Richard tem sido um ser humano impressionante até agora. A naturalidade com que sustenta mentiras absurdas, o orgulho que o impede de fazer as coisas da forma mais fácil e o desprezo que sente por algumas coisas e pessoas é admirável. É errado torcer por alguém que SÓ QUER PARTICIPAR DO GRUPINHO DEIXA ELE ENTRAR PARA DE EXCLUIR E SER TÃO ELITISTA POR FAVOR?" e eu já to gostando e me identificando com o Richard sem nem conhece-lo.

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