Ariel Carvalho CCIndicação

Notas Brasileiras #5 - Lineker

9.5.16Colaboradores ConversaCult


Favor não confundir com Liniker! Apesar de ambxs desconstruírem as noções de masculino e feminino, são diferentes. Mas Liniker é assunto para outro Notas Brasileiras.

Hoje nosso foco é o Lineker, um cantor, dançarino e diretor mineiro, da cidade de Bambuí, apesar de viver hoje em São Paulo capital. Ele tem vários projetos, tanto de dança (como MACHO, uma performance de dança de 2015) quanto de canto (como Lineker canta Maysa).

Em sua carreira solo, ele lançou o álbum "eLe", em 2012, e um EP esse ano, chamado "Verão".


Quais músicas ouvir? Desapego, A Lenda do Abaeté, Tenho Sede.

Onde ouvir? http://www.lineker.com.br/


O cantor conversou com a gente, e eu estou até agora amando a resposta da lembrança da carreira.


Como você definiria sua música para alguém que nunca ouviu?

Falando do que já gravei até agora, diria que é uma música bem brasileira, com forte referência na MPB da década de 70. Um som orgânico e quente.

Dentre as suas músicas, qual sua favorita?

Tenho fases. Atualmente eu diria que "Verão" é minha preferida.





Como você escolheu os músicos com quem tocar?

Os músicos que me acompanham são parceiros de longa data, desde a época em que fazia graduação em música na UNICAMP. O Chicão, meu tecladista e produtor musical, por exemplo, trabalha comigo há mais de 10 anos já. Sinto que é uma afinidade que foi se construindo com o tempo, a partir de colaborações em diversos projetos artísticos.

Como foi o processo de definir a sua identidade sonora?

Eu acho difícil falar em identidade, pois sinto que meu trabalho está em constante transformação. Eu intuo que essa questão de definir uma identidade é uma demanda muito mais do mercado do que uma necessidade artística, e já que optei por um caminho independente, não trago muito essa questão. Busco ser fiel àquilo que me move, ao que faz sentido para mim em cada momento. Obviamente cada trabalho que crio vai delineando uma identidade, ainda que temporária, delimitada pelas escolhas que faço, pelas referências das quais parto. Acredito que ao longo de minha vida bebi muito da música brasileira mais antiga, e essa referência acabou sendo o norte dos meus dois discos já lançados, "eLe" (2012) e "Verão" (2016). Atualmente estou indo para um caminho sonoro bem diferente disso, influenciado por outros tipos de som. 



Uma lembrança querida da carreira?

Tenho muitas lembranças, mas recentemente uma pessoa veio falar comigo após um show. Eu estava em um dia muito difícil, com várias crises e inseguranças, sem saber muito que rumos tomar em meu trabalho, desacreditado de tudo que eu vinha fazendo. E ela me disse tudo que eu precisava ouvir, de uma forma muito sincera e carinhosa. Disse pra eu seguir firme em meus propósitos, no que eu acreditava, sem me "vender ao consumismo", pois o que eu fazia era muito verdadeiro. Pode parecer bobo, mas naquele dia fiquei bem emocionado e agradecido. Era a dose de otimismo que eu estava precisando naquele momento!


Qual você acha que é a maior dificuldade do cenário musical brasileiro atualmente?

Acho que a maior dificuldade é financeira e cultural. Estamos vivendo um momento em que os orçamentos para a cultura estão todos bem reduzidos, e o público está desabituado pagar pelo disco, a pagar pelo show, especialmente no caso do mercado de música independente. E sem dinheiro fica cada vez mais difícil continuar produzindo. Não é à toa que muitos artistas estão reduzindo o número de integrantes nas bandas, fazendo shows menores, mais intimistas. Admiro todas e todos que continuam fazendo, criando, tocando. Sem dúvidas esse é um ato de resistência! Mas acredito na importância de conversarmos cada vez mais sobre isso, nós artistas e o público. Precisamos dar visibilidade ao fato de que o artista precisa (sobre)viver de seu trabalho. Se você é um(a) artista que tem uma visibilidade legal, acaba caindo nos circuitos com mais grana e consegue seguir com seu trabalho de um jeito bacana. Mas se seu trabalho possui um público mais restrito, mais limitado, fica bem complicado. Conheço artistas maravilhosxs que quase não estão fazendo shows, justamente por essas dificuldades todas.


Uma banda nacional que você acha que todos deveriam ouvir? 
Pode ser duas? Quartabê e Filarmônica de Pasárgada





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