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Pornoliterário: Real, de Katy Evans

28.7.15Isabelle Fernandes


OLÁ PESSOAS, BELLS ESTÁ DE VOLTA!!! Gostaria de dizer que venho com uma indicação de romance erótico sensacional que fará todos ficarem enlouquecidos, porém infelizmente não. Real, de Katy Evans, estava indo super bem e eu estava lendo vorazmente até que chegou em uma certa parte do livro....aí amigues, desastre total. O livro ficou tão ruim que eu simplesmente não queria mais ler e não ia mesmo, até que resolvi ler pelo menos a última página e acabei lendo o resto mais ou menos HGUDHGIDHFIGHD.

Bem, chega de conversa. Vamos ao Livro Que Tinha Tudo Para Ser Incrível E Desandou.

O início estava ótimo. A história começa quando Brooke Dumas e sua amiga maluca Melanie vão assistir a uma luta de boxe clandestina então, é claro, dentre as dezenas de mulheres berrando pelo astro da noite Remington Tate, quando Melanie grita e ele olha para Brooke achando que era ela, é claro que ela conquistou toda a atenção dele. Mas tudo bem, coisas dos romances. Brooke naturalmente fica bem obcecada por ele e então recebe um convite do moço, estendido aos seus amigos, para ir até o quarto de hotel dele. A moça chega lá achando que vai ter uma maratona de sexo incrível mas...ele contrata ela para trabalhar como sua reabilitadora esportiva, tendo que viajar com ele e a equipe pelos Estados Unidos até o fim do campeonato.

A partir daí começa a tortura de Brooke. Os dois inegavelmente estão muito atraídos um pelo outro e a tensão sexual entre eles pode ser cortada por uma faca, mas o Remington simplesmente foge da raia. Brook literalmente IMPLORA pra ele transar com ela e ele diz "quero que você saiba quem eu sou primeiro". O primeiro sentimento que vem é a frustração, até porque o livro é escrito em primeira pessoa e a Brooke tá lá soltando fogo pelos poros, quase erguendo uma placa de neon escrito "ME COME PELO AMOR DE DEUS", mas pensando melhor essa inversão de papeis é sensacional.

"Ah, deus. Acho que acabei de gozar".
Brooke, toda vez que olha pro Remy

Além disso, Brooke é uma personagem confiante, decidida e, apesar dos instintos mega protetores do Remy (que vou comentar depois), ela sabe se defender muito bem. Teve uma cena em que eu fiquei boquiaberta e pensei que essa seria uma das melhores personagens femininas dos romances eróticos. Mas então a história começou a rolar ladeira abaixo.

Desde o início do livro Brooke estava subindo pelas paredes, repetindo toda hora "Eu quero ele" e gastando parágrafos atrás de parágrafos descrevendo o quanto o homem era gostoso. Eu estava aturando até então, crente de que eles logo iriam finalmente transar e o fogo da criatura seria apagado PORÉM NÃO. Continuou, e foi piorando, claro. Só que ficou chato demais e havia chegado ao ponto de não aguentar mais ler o "Eu quero ele" e as descrições infinitas do cara. Cheguei a ter a impressão de que o livro tinha mais descrição do cara e do desespero sexual da Brooke do que história em si. 

Mas não pensem que para por aí. A coisa piora.

Eu vou ter que soltar um spoiler, mas é necessário: Remington é descrito como bipolar.

Nesse momento eu fiquei tipo "WHAT", porque eu faço psicologia e estudei muito sobre transtornos psiquiátricos, e em nenhum momento identifiquei sintomas nele. Mas como muitas vezes é difícil mesmo fazer essa identificação, aguardei pelas próximas páginas, já pressentindo a merda. 


"- Eu vivo assim. Eu não estou medicado. fico me sentindo como morto e eu pretendo viver minha vida vivo. - adverte num áspero sussurro furioso. 

Concordo com a cabeça em compreensão. Eu me recusei a tomar antidepressivos quando eu supostamente, clinicamente, precisava deles depois da minha queda. Acredito que seja a sua escolha como você vive com a sua doença, e às vezes o remédio é pior que a doença."


Vou explicar uma coisa pra vocês: o transtorno de humor bipolar não é o tipo de doença em que você pode escolher fazer tratamento ou não. Não é como um câncer terminal, onde você sabe que vai morrer e os remédios apenas adiariam a morte, ou, num caso mais leve, uma dor de cabeça em que você pode escolher entre tomar um analgésico ou esperar a dor passar naturalmente. Não, meus caros leitores. Transtornos psiquiátricos, principalmente o bipolar, NECESSITAM de tratamento psicológico E FARMACOLÓGICO, em conjunto. Um não funciona sem o outro. Não tem isso de escolher como quer viver sua doença, porque essa doença traz riscos não só à vida da pessoa como a de quem está em volta dela. É muito comum pessoas com transtorno bipolar perderem tudo o que tem em surtos maníacos (onde ela se acha poderosa e capaz de tudo) ou tentarem suicídio nos surtos depressivos. Me digam: é saudável, é seguro, deixar uma pessoa viver assim?

Aí, ao invés de a autora usar essa situação pra mostrar o quanto o tratamento é importante, que causa uma mudança pra melhor na vida da pessoa e tudo o mais, não. Ela bate na tecla de que remédios são o mal a ser combatido e que é melhor viver assim. Brooke, que poderia ser o divisor de águas na vida do Remy e ajudá-lo a entender que os remédios só o fazem se sentir como morto porque ele tá acostumado a funcionar no modo totalmente maníaco, concorda com ele. Concorda. Com. Ele.

Eu juro pra vocês que só não fiz isso porque eu estava lendo em ebook pelo celular
Isso pra mim sepultou o livro. Acabou. Não tem mais chances de salvação. Katy Evans prestou um enorme desserviço à população reforçando preconceitos a cerca do tratamento adequado em transtornos psiquiátricos. Isso é um problema ENORME na minha área, onde pessoas tem suas vidas destruídas porque não se tratam. Fiquei completamente revoltada e a minha vontade era nunca mais encostar no livro, mas eu precisava saber como isso ia terminar pra resenhar bem. Vai que acontecia alguma coisa que mudasse isso? Vai que a Brooke voltava a agir como uma pessoa normal e parava de pensar "Eu quero ele"?

Bem, não foi assim. Até as 50 últimas páginas, o livro foi ficando cada vez pior. Os diálogos da Brooke com o Pete, que ajuda a lidar com o Remy quando ele está no pico de agressividade da mania e fica perigoso, são terríveis. Mas resolvi dar um voto de fé e pensar que era erro de tradução do ebook. Tem que ser, pelo amor de deus!!! O que diabos significa "expressão do gene suplente", coisa que nunca ouvi nas minhas aulas e nunca li em livros, pesquisas e materiais científicos sobre o assunto? Se alguém aqui leu o livro físico, por favor, me diga nos comentários se essa doideira aparece.

Gente, eu não aguentava mais
Daí, pra piorar, o Remy passar a agir como um homem das cavernas. Tem ciúme até dos próprios amigos, fica "marcando" ela com o próprio sêmen e não para de falar "MINHA". Que coisa engraçada, isso me lembra muito uma certa história, de uma certa autora chamada J.R.Ward, onde seus vampiros são muito territorialistas com suas parceiras vampiras e agem exatamente dessa forma.....No caso dessa história, Irmandade da Adaga Negra, isso é totalmente compreensível já que se trata de OUTRA ESPÉCIE, VAMPIRA. Não dá pra entender porque um homo sapiens do século XXI agiria dessa forma. A bipolaridade tem nada a ver com isso, exceto pela parte do ciúme, talvez. E o incrível é que a Brooke acha isso maravilhoso e perfeitamente normal.

Nessa altura o livro estava tão ruim que eu não aguentava mais e comecei a pular páginas sem parar, só passando o olho nas palavras e me dando conta de que não estava perdendo nada. Até a treta de família que surgiu para a Brooke e que foi a fonte de preocupação dela em algumas páginas desapareceu e só havia sexo, Remy homem das cavernas e Brooke eternamente excitada, descrevendo a macheza do homem. Estava pensando seriamente em abandonar de vez e AÍ SURGE UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL: finalmente, um clímax!! Bem ruinzinho, mas era alguma coisa diferente daquela lenga lenga toda e que até mesmo conseguiu me arrancar um "OHHHHHHHHHH!!!" no seu fim.

Então, qual é a minha conclusão sobre esse livro? Podia ser incrível, mas a verdade é que foi uma bosta. Ele faz parte de uma trilogia e vocês podem ter certeza de que eu vou passar longe do resto. E no próximo mês virei com uma indicação linda, romântica e sensual, pra compensar esse desastre. Me aguardem.

Nota:

2
Eu até pensei em dar 3, mas me lembrei do "viver a doença como achar melhor" e mudei de ideia.

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15 comentários

  1. Bells, me desculpa ter te indicado essa bomba. Nunca mais indico nada a ninguém sem ter lido completamente o livro antes. Fui enganada pelas primeiras páginas e achei que o bicho tinha potencial. Ledo engano!

    Na contramão do livro ser MUITO MUITO MUITO ruim sua resenha foi MARAVILHOSA (como sempre)!!

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    1. HFUIDHFUIDSHFISUDHFUISDHHFDHSFHIDHFIS obrigada xD

      E não se preocupe. Às vezes é bom ler coisas ruins pra valorizar mais as coisas boas HGUIDHGUIFDHGIDFHGIFHDGIDH

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  2. Bells eu amei a sua resenha, e claro que passarei mais longe do livro do que vampiro com água benta.
    E só tenho palmas para tudo o que vc falou sobre remédios, bipolaridade é crônico, é remédio para a vida toda, tipo diabetes, não tem essa de não querer. Ainda bem que não li esse livro e não queimei meus olhos lendo barbaridades.

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    1. AINDA BEM MESMO PORQUE É MUITO REVOLTANTE CARA, MUITO MESMO.

      A MULHER PESQUISOU O BASTANTE PRA CITAR VÁRIOS HORMÔNIOS E SUA UTILIDADE NO ORGANISMO DE FORMA CORRETA MAS NÃO PESQUISA DIREITO SOBRE BIPOLARIDADE. WTF????

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    2. Os vampiros de Crepúsculo não têm problema com água benta. AUAHAUAHUAHUAHUA

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    3. Verdade Elilyan, péssima comparação.
      Hahahahahahahahhahahaha

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  3. Ufa, que alívio! Eu pensei em não ler essa resenha porque da última vez que li Pornoliterário, acabei querendo o livro e eu odeio mudar de opinião, hahaha.
    Mas ainda bem que não aconteceu isso. Se eu não aceito a possessividade nem dos vampiros e/outras raças, imagina a de "humanos? Isso é uma das coisas que mais me irritam nos romances, junto com mocinhas virgens + mocinhos rodados.

    Nem vou falar do transtorno bipolar porque né, eu não gosto de tomar remédios, mas entendo que as doenças neurológicas/psicológicas precisam sim ser tratadas e acompanhadas e não tem essa de "ain melhora sozinha".

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    1. HFUISHFISHFISHDFIDSHIFHDISHFIHS eu até gosto, mas tudo tem limite. Nesse livro ficou bizarro à enésima potência, que horror xDDD

      Remédios não são gostosos (a maioria. tem uns com sabores deliciosos HGUIDHGIDF), às vezes trazem efeitos ruins. Mas quando se precisa tomar não tem jeito.

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  4. Um livro que retrata o transtorno bipolar de forma incrível é Dançando sobre cacos de vidro de Ka Hancock, super recomendo!
    Agora se tratando de vampiros rs Ward é "a" autora rs.

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  5. Um livro que retrata o transtorno bipolar de forma incrível é Dançando sobre cacos de vidro de Ka Hancock, super recomendo!
    Agora se tratando de vampiros rs Ward é "a" autora rs.

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    1. Ward tem direito de colocar as maiores barbaridades e não fica feio e nem com cara de barbaridade. Tanto é que as mulheres tem cio e os fãs encaram isso como algo natural. Ela é muito diva. Várias cenas de sexo nos livros dela, e nunca os acheio baixos ou apelativos. Ward cadê vc, eu vim só pra ti ver.

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    2. Ward tem direito de colocar as maiores barbaridades e não fica feio e nem com cara de barbaridade. Tanto é que as mulheres tem cio e os fãs encaram isso como algo natural. Ela é muito diva. Várias cenas de sexo nos livros dela, e nunca os acheio baixos ou apelativos. Ward cadê vc, eu vim só pra ti ver.

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    3. SIMMM!!! ESSA MULHER É O MÁXIMO.

      Ansiosa pro lançamento de Os Sombras

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  6. Fiquei meio enojado do livro sem ler. Tipo quando eu sinto essência de baunilha muito forte em um pudim ou no que quer que seja [nenhuma relação com BDSM, a propósito.]
    Adorei a resenha. E sua risada é inimitável .

    Tô até agora tentando fonetizar a onomatopeia. HAHAHAH ADOREI.

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    1. HFUSHFUISDHFIHSDFHSDFHSIHFS minha risada é a pura expressão do riso qqq

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