A Coragem do Primeiro Pássaro André Dahmer

Entrevista: André Dahmer fala sobre A Coragem do Primeiro Pássaro, poesia e o mercado editorial brasileiro

13.5.15Elilyan Andrade


Mais conhecido pelos personagens “Malvados” e por seu trabalho com as tiras diárias de quadrinhos para os jornais O Globo e Folha de S. Paulo, André Dahmer recentemente lançou o livro de poesia "A Coragem do Primeiro Pássaro", pela editora Lote 42


Nessa entrevista exclusiva, o artista plástico, desenhista e poeta André Dahmer fala sobre sua relação com a poesia, o mercado editorial brasileiro e sobre o que os leitores podem esperar de "A Coragem do Primeiro Pássaro", seu terceiro livro de poemas. 

"A Coragem do Primeiro Pássaro" não é seu primeiro livro de poesias. O que esse livro tem de diferente dos anteriores? 
André Dahmer: “A Coragem do Primeiro Pássaro” é meu terceiro livro de poesias. Ele é o filho mais maduro de “Minha alma anagrama de Lama” e “Ninguém muda ninguém”, obras bonitas na ingenuidade e leveza que carregam. A coragem do primeiro pássaro é um livro sobre cair e levantar; um trabalho que nada tem de ingênuo ou leve. Também é um livro sobre amor e raiva.

Em outra entrevista, você expôs que escolheu a Lote 42 em vez da Companhia das Letras porque “queria que este livro recebesse uma atenção maior, mesmo com as restrições de uma editora pequena.” Como você avalia o trabalho promovido pelas grandes editoras para a promoção de livros de poesia? 
As possibilidades são outras quando o processo é menos industrial. A ideia era se aproximar do artesanato, do fazer em grupo, com pequeno grupo.

Há quem diga que “poesia não vende” e “que poesia é um gênero desprezado pelo mercado editorial brasileiro”. O que acha dessas afirmações? 
A antologia poética de Paulo Leminski acaba de vender dezenas de milhares de livros. É um dado importante. Drummond sempre vendeu bem em qualquer tempo. Não acho que poesia venda mal. Acho que livros vendem pouco no país, qualquer tipo de livro.

Como o seu trabalho de quadrinista influencia sua poesia? E quais são os autores que você vê como referência em ambos os meios?
Desenhar e fazer poesia são tarefas muito parecidas. Não vejo muita diferença. O que muda é o meio de expressão. Isso também vale para a música, por exemplo. Se você quer saber de bons poetas, posso citar Eucanaã Ferraz e Bruna Beber. Há outros tantos da minha idade: Paulo Scott, Angélica Freitas, Edmundo Pereira. Nos quadrinhos, sempre Laerte. Posso lhe recomendar também Bruno Maron, Odyr e Andrício de Souza. São jovens e competentes.

Atualmente a literatura erótica teve um boom com o lançamento de alguns romances. Já pensou em escrever poemas eróticos ou não é sua praia?
Acho que já estou velho para isso!



***
Praxe da editora, um hotsite foi criado para o livro, com conteúdo extra, poemas e informações do autor e da obra. Confira aqui. E aproveitando o nosso contato com a Lote 42, fizemos algumas perguntas sobre o processo gráfico do livro “A Coragem do Primeiro Pássaro”. Se você não conhece a editora, saiba que a equipe é incrível e desenvolve um trabalho de alto nível.

Como foi o processo criativo para a capa de "A Coragem do Primeiro Pássaro"? Como o design do livro se relaciona com o seu conteúdo?
Na Lote 42 gostamos de mergulhar nas possibilidades gráficas do livro, mesmo que o processo demore. Por isso dedicamos bastante tempo em pensar o projeto gráfico e desenvolver propostas que dialoguem com o conteúdo. Para o livro do Dahmer, por exemplo, a ideia do miolo preto não veio de primeira. E valeu a pena esperar, pois faz todo sentido com o conteúdo. Para a capa, mantivemos o preto e incluímos uma pincelada de tom chamativo -- essa cor aparece também na capa interna.

Como foi o processo de produção gráfica desse livro, e o que determinou as escolhas do tipo de papel, cores e acabamento?

Usamos cor especial da escala Pantone em todo o livro, tanto no miolo quanto na capa. Como as páginas são inteiramente pretas, precisávamos de um papel com gramatura suficiente para aguentar a carga de tinta. E como trata-se de um livro fino, de 64 páginas, então achamos que a encadernação brochura seria adequada.

A inovação e a qualidade do trabalho desenvolvido pela Lote 42 me lembra bastante a Cosac Naify. Vocês se inspiram no trabalho gráfico de alguma editora?
Não. Somos apaixonados por livros e acompanhamos as novidades editoriais não só de grandes e médias editoras, como também das independentes, que fazem muita experimentação gráfica, como dá pra ver nas feiras nas quais participamos (Feira Plana, Tijuana e Miolo(s), entre outras).

Para vocês, da Lote 42, o que faz uma capa de livro ser uma boa capa?
Uma boa capa é aquela que as pessoas lembram.


Agradecemos à Lote 42 pelo contato e ao André Dhamer por ter nos concedido essa entrevista. 

Crédito das imagens: Facebook (Alessandra Migueis e George Leoni), Instagram Lote 42 e site Malvados.

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