Adriana Araujo CCCultura

Funk é cultura?

18.7.14Adriana Araujo


Ei, povo, tudo bem? Como vocês já sabem, estamos ~~brincando~~ de amigo secreto aqui no blog e chegou a minha vez de falar. Meu tema é o funk e resolvi tratar mais especificamente dele na cultura carioca, cidade onde eu moro. Quer saber mais?

Vem comigo!


A primeira coisa que eu penso quando falam de funk é nas críticas que são feitas a esse estilo musical. Muitas pessoas falam das letras chulas, do “pouco conteúdo cultural” da "falta de musicalidade", pois as letras não falam de “coisas bonitas” etc. Para mim existem dois tipos: o que circula na mídia, o “aceitável”, que é inclusive, muitas vezes, adaptado para circular nesse meio e o proibidão, que fala abertamente de sexo, tem palavrões, etc. Anitta e Valesca Popozuda são exemplos do formato "aceitável", quem não conhece "Show das poderosas" e "Beijinho no ombro", mesmo que não curta? Já a música "Agora eu sou solteira", do grupo Gaiola das popozudas, do qual  Valesca fazia parte, é um exemplo de adaptação, pois tem a versão proibida e a midiática.

                   

É evidente que o funk, assim como muitos estilos musicais, sofreu uma mudança com o passar do tempo. Para mim, os tempos de glória desse ritmo foram os da época do "Rap do Silva", do "Eu só quero é ser feliz", porque assim como nos raps do Racionais MC, de quem não curto as músicas, mas reconheço ali uma crítica social bem feita, as letras contavam a história real de quem morava nas comunidades cariocas nos anos 90, dos bailes, da violência,  etc. Dessa época também datam os chamados funk melody, cujas letras apaixonadas de Mc Marcinho, Claudinho e Buchecha etc, devem ter embalado muitos namoros por aí.

                  

                   

Uma coisa que me incomoda muito no funk atual é a objetificação das mulheres, que na maioria das letras, principalmente as cantadas por homens, são tratadas como vagabundas e mercenárias. O funk é um ritmo sensual, e o modo de dançá-lo, aliado a letras que mesmo não falando abertamente, insinuam conteúdo sexual, contribui muito para essas associações.


Um novo estilo que vem se destacando no mundo do funk  é o chamado funk ostentação*, em que as letras abordam basicamente a posse: os homens ostentam dinheiro, cordões de ouro, carros, bebidas, principalmente para conquistar muitas mulheres, que nesse tipo de funk são vistas como interesseiras que se deixam levar pelo que é oferecido, tornando-se mais uma posse dos homens. Os clipes desse tipo são inspirados no hip-hop americano no melhor estilo 50 Cent.
*O funk ostentação é de São Paulo, mas é o que está em alta no momento, então achei que perderia muito ao falar de funk e não citá-lo.

         

A minha relação com o funk é: eu não odeio, mas também não amo. Se tocar numa festa, eu até danço, mas não é o estilo de música que eu costumo escutar. O que eu não acho legal  é preconceito, e o funk é um ritmo que, indiscutivelmente, sofre muito disso pela associação todos os elementos que citei acima: o fato de ser oriundo das comunidades, a forma de dançar, as letras, o tratamento dado às mulheres, mas não dá para ignorar e criticar só porque não se gosta. E respondendo a pergunta do título, recentemente um projeto de lei que reconhece o funk como manifestação cultural foi aprovado na câmara.


-Adriana Araujo

                                    

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