a culpa é das estrelas CCAnálise

A sinceridade delicada de A Culpa é das Estrelas

20.6.14Dana Martins


Então... eu estava aqui catalogando os posts que eu já escrevi e por algum motivo não postei (mais de 100, reflitam) quando encontrei essa resenha de A Culpa é das Estrelas da época que eu li o livro. Minha reação foi: Whoa! Como assim eu não publiquei isso? RESUMIU PERFEITAMENTE O QUE EU ACHO DA HISTÓRIA! (claro, Dana, foi você que escreveu) Só que ainda tem mais.

Nas minhas últimas conversas sobre o livro, eu encontrei duas reações parecidas (1- Chorei muito. 2- NÃO ASSISTA QUE VOCÊ VAI CHORAR) e uma pior ainda (ADORO HISTÓRIAS TIPO NICHOLAS SPARKS). E eu tipo... 

A gente leu a mesma história? Eu estou feliz que eu tenha encontrado essa cápsula do tempo com a minha sensação após a leitura congelada. Aproveitem a viagem no tempo direto para 2012. 


Hazel desde uns 10 anos (para detalhes precisos leia o livro) lida com um câncer incurável e tenta prolongar seus dias com remédios estranhos e um galão de oxigênio portátil para fazer o que seus pulmões não fazem. Ela passava os dias sendo essa Pessoa Com Câncer até que conhece Gus, um garoto extremamente sensual que agora é um SEC (sem evidências de câncer).

O livro não é sobre o romance dos dois, nem sobre um bando de células descontroladas se multiplicando dentro do corpo (aka câncer). A Culpa é das Estrelas é um livro sobre duas pessoas que aprenderam da pior forma possível a verdade: a vida é curta.

“— Eu sou tipo. Tipo. Sou tipo uma granada, mãe. 
Eu sou uma granada e, em algum momento, 
vou explodir, e gostaria de diminuir 
a quantidade de vítimas, tá? ”

Os dois são adolescentes meio atípicos, o que é de se esperar quando você carrega um galão de oxigêncio a mais, ou tenta andar com uma perna a menos por aí. Mas, principalmente pela perspectiva ser da Hazel, as coisas começam a acontecer quando eles se encontram, porque faz ela "entrar em movimento".

Ela meio que ia se isolando cada vez mais, seguia a vida dela de Doente Profissional, mas não se arriscava. E o contato com o Gus muda totalmente isso. Eles têm visões diferentes, lidam com tudo de maneira diferente e ela começa a perceber que pode valer a pena viver de verdade. Isso tudo leva a várias reflexões, críticas sobre a vida no geral e firma uma perspectiva sincera na história de pessoas que vão morrer.

“— Alguém deveria contar isso para Jesus — falei. — Quer dizer, deve ser perigoso ficar guardando crianças com câncer no coração.”
Sabe quando você conhece aquele seu amigo que o pai morreu? E sempre que surge um assunto relativo todo mundo fica desconfortável? "AHAHAHA E SE O PAI MORR-" aí um silêncio desconfortável e depois "Poxa, desculpa, não era isso..." Ou quando a pessoa fica doente, que todo mundo vai agradar, esquece as diferenças e o mundo fica lindo. Em muitas histórias sobre câncer, os cancer books citados no próprio livro, o doente é retratado desse jeito desconfortável, polido e idealizado. Porque, afinal, existe esse tal respeito pela morte, né? 

O problema é que na realidade isso às vezes é muito chato. No exemplo ali eu usei pai porque a minha mãe morreu e se eu falar que a minha mãe morreu todo mundo já fica sem jeito. "A Culpa é das Estrelas" rasga esse polimento. Dá até medo de dar esse livro para os mais conservadores lerem. COMO ASSIM VOCÊ FAZ PIADINHAS SOBRE ENXERGAR COM UM GAROTO CEGO? 

Só para deixar claro, nem de longe a função de A Culpa é das Estrelas é sacanear gente com problema. O que o livro busca é mostrar que elas são muito mais o "gente" do que o "com problema". 

Além dessa visão diferenciada e de baldes de reflexão sobre a humanidade, temos aqui ainda mais coisas que fazem valer a leitura. A narrativa. Por um momento, no início, eu lembrei um pouco de "As Vantagens de Ser Invisível", porque também é um livro bom de ler cada palavra. O John Green já era bom em detalhes, mas dessa vez se superou. 

Ele também criou um mundo e personagens muito reais, com citações a bandas, livros e jogos fictícios, ou até filmes reais, tipo "V de Vingança". Mas, sem dúvidas, o principal é o fictício "Uma Aflição Imperial" (UAI), que é tipo a bíblia da personagem principal e se torna um dos preferidos do Gus também. Os personagens citam partes do livro o tempo inteiro e através dele vão desvendando a própria história. 
*Preciso comentar que esse UAI termina de um jeito que eu sempre imaginei (spoiler do final de UAI HAUHA), sério, eu estava quase escrevendo um livro pra ele terminar no meio do nada. Por que é isso que aconteceria, né? Se for narrado em primeira pessoa e o personagem morrer. Adorei que, mesmo que seja em um livro fictício, o John Green tenha publicado essa ideia.


Eu não li ainda todos os livros do John Green, mas esse livro é incrível, meio que condensa e acrescenta o que eu vi do autor até aqui. Adorei que a personagem principal seja uma menina e adorei o certo distanciamento dos tipos de história que ele normalmente faz. Se havia alguma dúvida de que o John Green é um grande autor, ela acaba aqui.

-dana martins


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1 comentários

  1. Não li o livro ainda, mas já assisti ao filme e adorei. Há várias partes "choráveis" sim, mas não derramei litros e não acho que a trama chegue nem perto de Nicholas Sparks (bom, comparando, no caso, o filme com o único livro do Sparks que li até hoje - e provavelmente o único, pois detestei). Achei justamente isso, que a trama de ACEDE mostra pessoas que são seres humanos antes de serem "uma doença". E que o fato de estar doente não significa que devam a todo momento ser objeto da piedade alheia. Isso fez com que eu gostasse demais do filme e agora mal posso esperar para ler o livro.

    Beijos, Livro Lab

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