CCdiscussão clube de escrita

Qual a graduação do escritor?

25.3.14Igraínne


OI, LINDINHOS. Hoje eu resolvi externar aqui no blog uma coisa que me incomoda desde que eu me entendo por gente, especialmente por ser um conflito pessoal. Quando eu fui fazer vestibular, como todo estudante de ensino médio, eu pensei em muitas profissões. Havia, no entanto, um objetivo claro para mim que sempre me rondara a cabeça. Eu não queria fazer qualquer outra coisa a não ser escrever. E quando digo escrever não quero dizer simplesmente escrever sobre um ramo X de assuntos, mas sim escrever coisas ~~inventadas~~.

E o fato é que não tem faculdade pra isso.

A arte que é excluída
Primeiramente, gostaria de deixar claro que talvez esse post seja expressamente baseado em experiências pessoais, então pode ser que você, lindo leitor que tenha (maybe) passado por algo semelhante não concorde com o que for dito aqui. 

Enfim, voltando a mim mesma, como toda estudante perdida, eu caminhei por uma linha louca de dorgas de graduações possíveis, as quais incluíam Artes, Artes Cênicas, Letras, Jornalismo, Produção Editorial, História, entre outras. Mas a questão é que, quanto mais eu pensava, menos eu sabia a respeito do que eu deveria fazer. Porque, veja bem, eu queria escrever, queria viver disso, queria dar vida a personagens inconsequentes, inventar vilões humanos e quem sabe matar alguns protagonistas (porque sim, acho que já sofria do mal do tio Martin). Mas não havia, sob qualquer instância, uma faculdade de ESCRITORES.

Eu me sentia como num limbo, sentia por um lado que estaria mais próxima da criação se fizesse Letras, e por outro da escrita efetiva se caminhasse pro Jornalismo. A cultura literária estava na Letras, o acabamento talvez da Produção Editorial, mas de que grana eu ia viver? Não havia (e nem há) um emprego formal para escritores, e se houver, por favor me apresentem.


Mas eu ficava pensando: se existe faculdade pra tanta área diferente, porque não valorizam a literatura por si só? O poeta não precisa de um diploma pra ser poeta, o pintor não precisa de graduação para pintar e muito menos o músico precisa de uma faculdade para fazer seu sucesso. No entanto, até então nem jornalista precisava de diploma para ser jornalista*.
*Na época do meu vestibular, em 2010, o diploma da graduação de Jornalismo havia sido suspenso. Mais tarde, a decisão foi revogada.

Apesar disso tudo, havia e há, em suma, graduações específicas para jornalistas (jornalismo). Das sete artes, apenas a literatura é expressamente ignorada em termos de curso superior: pintores e escultores ficam com Artes, para os amantes do teatro existem as Artes Cênicas, os fãs do cinema têm... o Cinema!, para bailarinos existe a Dança e para músicos há a Música - inclusive com direito a especialização no instrumento que você preferir, kirido. 

Não importa se essas são faculdades fáceis ou difíceis de passar, sempre fui adepta do clássico "você deve fazer o que você gosta", porque, no fim das contas, por mais que o curso X dê dinheiro, você jamais sentirá prazer fazendo aquilo se não está ali porque quer. Aliás, você pode muito mais facilmente ser rico em uma profissão ignorada (mas que ama) do que ser rico depois de pegar seu diploma num curso que você odeia (mas que supostamente dá dinheiro). Quem faz o profissional é a gente, não é?


Perdido, eu? Eu sei exatamente o que eu quero, só não sei como chegar lá
De qualquer forma, o fato é que não existe, nesse país, uma universidade pública que ofereça um curso para escritores. Isso me deixava (deixa) angustiada. Regularmente me flagrava em livrarias lendo a orelha direita dos livros, tentando entender que faculdades os autores tinham feito. A maioria se formou, quando estrangeiros, em crítica literária em alguma universidade famosa. Outros fizeram jornalismo, mas a enorme maioria estava ligada à língua.

No fim das contas, acabei optando por Letras. Na época, parecia ser uma escolha plausível, uma vez que, após investigar metodicamente cada grade, verifiquei que o curso me mostraria matérias referentes aos mais variados tipos de literatura, desde a Clássica até a Portuguesa, isso sem falar na maravilhosa Teoria da Literatura, matéria pela qual vim a me apaixonar mais tarde.

Letras é um curso que me deu muita bagagem cultural, é um curso que te enche de teoria, de pesquisa filosófica sobre autores de todos os séculos, te faz estudar Homero, epopeias, literatura brasileira a fundo.... Tudo isso pode ser maravilhoso, apesar de às vezes as matérias mais esperadas serem simplesmente destruídas com o método de alguns professores. Mas isso não importa, o que importa é:

Na faculdade Letras, a gente não escreve.


Claro que muitos estudantes de letras vão discordar da minha opinião, mas é o que acontece no meu curso. E é bom eu deixar claro que não estou falando de escrever artigos acadêmicos, resenhas, trabalhos e mais trabalhos sobre assuntos adversos. Não estou falando de nada disso, até porque é o que mais se faz lá. E ai de você se o trabalho tiver menos que 4 laudas.

Acontece que essas 4 laudas nunca são de produção textual própria.* Não há prática, você não exercita qualquer aspecto da sua criatividade, seja poética ou não, você não está ali para melhorar o seu texto em prosa ou em verso. Você está ali para analisar a poesia alheia (o que eu acho importante, é claro, embora isso não seja tudo), talvez ter que ouvir que "Harry Potter não é literatura" e para, muito adequadamente, aprender a dar aula. Muita ênfase nessa parte, porque todos os professores vão ~~apenas~~ crucificá-lo com essa possibilidade, insistindo e dialogando a respeito de como você aprende português basicamente para ensinar.
*Existe uma matéria inclusive chamada Produção Textual, mas você não vai produzir textos nela, não textos que não sejam pura e explicitamente baseados em outros textos - todos teóricos, é claro.

Eu pensei em muitas coisas durante todo esse tempo. Pensei que talvez a minha faculdade de letras seja focada na licenciatura e - ainda no talvez - haja outras por aí que sejam focadas na produção artística do estudante. Pensei também em largar o curso, porque ele me decepcionou em questão estruturais. Eu poderia passar o dia falando sobre a dificuldade de se arrumar um emprego, seja como revisora de qualquer mídia ou até mesmo numa editora (que deveriam brigar por um estudante de letras, mas na verdade acabam abrindo espaço para o jornalista - às vezes é até mesmo ele que revisa o texto, uma coisa incrível).

MARCOMOASSINHE

Perdida parte 2 because dont exist what i want
Eu pensei, então, que meu lugar deveria ser Produção Editorial. E aí eu notei que esse curso seria o mesmo erro da Letras, porque eu não estaria escrevendo lá. E então pensei em jornal. Desde então, eu presto vestibular todo santo ano, tentando mudar. Estou no sexto período de letras, todos dizem que seria loucura trocar agora, e talvez seja. Há muitas questões envolvidas com a decisão de se largar uma faculdade quase no final, algumas pelas quais muita gente já passou. Costumo dizer que sempre serei grata à Letras, porque hoje eu sei o que eu quero pra mim e tenho certeza de muitas outras decisões que estou prestes a tomar - decisões essas que não estariam, possivelmente, tão claras caso eu não tivesse entrado no mundo dos letrados.

Depois de muita pesquisa, descobri que a Puc-Rio oferece um curso de graduação focado em Letras-Escritores. Para quem pode pagar (ou conseguir uma bolsa) vale completamente a pena. Para aqueles, no entanto, que visam sair da faculdade com um emprego, indico escolher algo que tenha um campo mais aberto. Pós-graduações em escrita criativa existem aos montes por aí, então é uma questão de só escolher o curso certo.

Sou escritor e isso é SIM uma profissão. Não é? 


RISOS.

O que mais me deixa triste nessa história é que o escritor não é reconhecido, assim como sugere a imagem de capa, como alguém que tem uma profissão. É a clássica pergunta: "você só escreve ou também trabalha?"* e boa parte da justificativa para isso é o fato de que não há formalmente um curso voltado para essa arte no país. Não tem como você ser graduado em Crítica literária ou Escrita criativa por aqui. Se você fizer um mestrado, um doutorado nisso, você será um professor-de-escrita-criativa, e não um escritor.
*Professores, é bom ressaltar, também sofrem com esse descaso. Muitos alunos costumam perguntar ao professor (de qualquer matéria) se ele "só dá aula ou também trabalha". 

Os grupos de escritores das redes sociais estão lotados de gente querendo orientação. Muitos ansiando por uma experiência, por alguém que lhes ensine coisas, alguém que os inspire. Não há regras para escrever, é claro, mas também não há regras para dar aulas, para fazer propagandas, para cantar, para atuar, para defender alguém no tribunal. O que há é a orientação. O resto, amigo, o resto você faz como você achar mais conveniente, a ideia é e sempre será sua, não é?

Pseudoescritores de gaveta que migraram para cursos adversos, o que vocês querem aprender?

- Igraínne M. 

TAGS: , , , , , , , , ,

Mostre para o autor o que você achou Recomende:

MAIS CONVERSAS QUE VOCÊ VAI GOSTAR

29 comentários

  1. Só sei de uma coisa: NUNCA ESCOLHAM JORNALISMO SE QUEREM SER ESCRITORES.

    Foi o meu erro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Kássia!

      Mas por que você acha isso? Disserte a respeito. Ahhahaha. Acho que todos os cursos desviam um pouco do que queremos (no nosso caso especialmente). Com Letras, por exemplo, a perspectiva é a sala de aula, e o campo é restrito quando se deseja ir além disso.

      Espero que responda, porque confesso ter ficado curiosa com seu comentário, ahaha :)

      Beijos.

      Excluir
    2. COMOASSIM??? Eu quero fazer Jornalismo! Precisamos conversar, já! hehe Mas, sério? Como é o curso de Jornalismo, mesmo, da visão de uma estudante? (e não do site da faculdade, ou do guia do estudante)
      obs: A gente bem que podia criar um grupo no facebook para os aspirantes a escritor pra comentar as experiências, duvidas... quem topa?

      Excluir
    3. DEUSES! Me fale mais sobre isso! Quero ser escritor, e passo exatamente o que a autora do texto passa, mas em vez de letras, decidi tentar jornalismo!

      Por favor, volte aqui e fale mais sobre sua desilusão! Quem sabe pode até mudar minha vida!

      Excluir
    4. Vivo uma relação de amor e ódio com o jornalismo.

      É um bom curso? É
      Tem bastante campo de atuação? Tem
      Você vai ser um escritor quando terminar? Não, você vai ser um repórter.

      Esse é o grande xis da questão. Não é porque se trabalha com escrita que o curso vai te fazer um escritor. O foco dele é te fazer um repórter. Vai ter que seguir as limitações da escrita factual. Só vai ter um pouco mais de liberdade se escrever textos opinativos mas essa é uma fatia do bolo que fica para a galera que tem mais experiência.

      Mas não é atoa que muitos escritores são jornalistas. Você desenvolve um olhar diferente para o cotidiano. Aquilo que antes você via como banal passa a ser interessante. Você conta histórias mas com os fatos. Adquire uma capacidade de síntese enorme.

      É uma questão de filtrar o conteúdo do curso e adaptar ao que você realmente quer.
      Dependendo do lugar onde vocês façam é sofrível mas vale a pena no final

      Excluir
    5. Eu tenho uma experiência diferente quanto ao jornalismo! Estou no segundo semestre e cada dia me apaixono mais pelo Jornalismo em si!
      Também tenho o sonho de ser escritor e o jornalismo, de fato não forma escritores criativos, porém ele te dá uma bagagem muito boa e autonomia suficiente para fazer disto, profissão.

      No meu caso, pretendo conciliar tanto o jornalismo enquanto profissão e ser escritor como profissão e como hobby...

      Igraínne, seus textos são ótimo e me inspiram sempre a escrever mais! Continue o bom trabalho!

      Excluir
    6. Oi, Pedro!

      Muito obrigada! Volte sempre ao CC para dar suas opiniões, eu e a equipe ficaremos muito felizes :)

      Excluir
    7. Estou confuso agora :( .... venho por muito tempo desde que resolvi me tornar escritor, vivia uma duvida cruel entre a filosofia e letras, ai por pequena pesquisa de campo e indicações cheguei ao jornalismo e confesso ter ficado otimista por achar que estou mais perto da decisão correta de que caminho seguir.... agora fiquei perdido no oceano sem vista para a costa, e agora? :(

      Excluir
    8. Wesley, acho que a questão é: não tem mesmo uma graduação pra ser escritor. Nada do que você faça em termos de faculdade vai te formar com escritor. (nos estados unidos e canadá ainda tem graduações de "escrita criativa", mas mesmo elas já ouvi falarem mal) Então quando chega a hora de decidir a faculdade você tem que lidar com isso. Você pode não fazer faculdade e ficar em casa? Você pode fazer intercâmbio? Ou... qual curso vai te ajudar a seguir mais nesse caminho? Qual vai te dar um emprego que você pode viver sem roubar taaanto tempo? Ou qual pode te dar uma formação que vai te dar base?

      a Babi Dewet fez cinema, se eu não me engano. A Bárbara Morais tá fazendo economia. O Diego do CC fez Artes (Ou design??). A Igra fez letras. se você for ver: os escritores vêm de todo lugar porque não tem um caminho.

      Então você vai atrás do caminho que tem mais a ver com o que você quer viver. E lembrando que: até os próprios cursos mudam de faculdade pra faculdade.

      Infelizmente, só você pode saber o que você quer e está disposto a fazer. :(

      obs: talvez jornalismo seja a forma mais direta de aprender a lidar com escrita como uma profissão. algumas faculdades têm matérias variadas, inclusive voltadas para criação de história. (não sei onde, mas sei que tem HUAHUAH)

      Excluir
    9. Eu tbm, fiz jornalismo e me arrependo pq eu to pouco ligando pra noticias e eu n sou curiosa, só quero escrever minhas narrativas e pronto, foi um erro tremendo, me senti um peixe fora d'agua no curso

      Excluir
  2. Esse é o erro do Brasil: falta incentivo cultural. Pode até ter alguns cursos relacionado à arte (cinema, música, artes visuais...), mas eu tenho a impressão (eu pesquisei) de que é muito voltado a teoria. Não que teoria não seja importante, mas quem é "das artes" quer mesmo é botar a mão massa. Quer fazer, criar... E pode ter certeza que um curso desse tipo lá na gringa é bem mais fundamentado (principalmente voltado a prática).
    A verdade, é que nós brasileiros nascemos e crescemos em uma cultura em que só queremos saber de diploma. Nos sentimos obrigados a logo depois de nos formarmos no ensino médio, ir fazer faculdade (as vezes, sem mesmo ter certeza do curso, ou se realmente gostar daquilo). Sem falar nos preconceitos. "Mas você vai fazer graduação em artes visuais? Dá pra viver a vida pintando quadro? Como você vai pagar as contas? Mas é uma area muito dificil, né?" (Como se artes visuais fosse só voltado a pintura em quadro...)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Como não dá pra responder no outro: a gente já tem um grupo justamente pra conversar sobre escrita (:

      https://www.facebook.com/groups/clubedeescrita/

      Excluir
  3. Acho que todo curso traz consigo um pouco de decepção. Ou, em outros casos, o curso é algo como um "universo utópico", mas a vida profissional, o dia a dia daquela carreira, não tem nada a ver com o que se viu na faculdade.
    Fiz Publicidade e Propaganda e as matérias de que mais gostava eram as de cultura geral (História da Arte, Sociologia,...), mas atuando com marketing não utilizava nada disso. Sei que tudo é bagagem cultural, mas na prática outros tipos de conhecimentos acabam chamando mais atenção dos empregadores e no próprio ambiente de trabalho (pelo menos foi isso o que percebia na época). Hoje trabalho com freela editorial e essa área, tudo o que envolve textos, é o que realmente gosto e sou apaixonada. Mas realmente, emprego fixo em editora está muito difícil, infelizmente. =(
    Outra coisa muito lamentável: tudo o que é relacionado à Arte não é valorizado nem considerado profissão no Brasil. Por exemplo, bailarinos muito talentosos acabam encontrando oportunidade de viver da profissão e ter uma carreira plena apenas em companhias de dança estrangeiras. E por aí vai...

    Beijos, Livro Lab

    ResponderExcluir
  4. Estou meio confuso.

    Fatos:

    1) Pra ser escritor de ficção, não precisa cursar uma faculdade.
    2) Escritor É uma profissão, tem gente que vive disso.
    3) Se você quer ser escritor, não precisa de uma faculdade. Fim.

    Se o sonho da pessoa é escrever ficções e ela não se vê fazendo outra coisa da vida, não faça faculdade. Fique em casa escrevendo. Terá mais tempo para se dedicar e tal. Indo atrás de uma graduação, a pessoa tem que ter em mente "Esse é meu plano B". Porque pra ser escritor, ela só precisa escrever.

    Não posso dizer com certeza, porque pouco sei das outras artes, mas a escrita é um tanto mais relativa. Não é objetiva, não tem regras infalíveis, não tem métricas, não parece ter uma teoria forte (como a Música, por exemplo).

    Sendo assim, acho indiferente a existência da graduação ._.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É exatamente isso que eu digo no post. Existe uma ideia enraizada de que para escrever não precisamos de faculdade. E não precisamos mesmo. Mas é uma ciência, embora não seja exata, é uma arte. Afinal de contas, não preciso de faculdade de artes para ser um artista, não preciso cursar música para ser um músico.

      Acho que só porque é uma ideia de graduação, muita gente já acredita que precisa ser algo certo, certeiro, sem desvios, e essa é uma ideia equivocada, na minha opinião. Inúmeras graduações existem (especialmente na área de humanas) que não são exatamente embasadas em nenhuma métrica, nenhuma regra. A filosofia, por exemplo, é extremamente voltada ao pensamento, não há regras nisso, e ainda assim é uma graduação reconhecida.

      Excluir
    2. É claro que pra ser escritor não precisa de faculdade, há inúmeros exemplos por aí. Mas é inegável que a faculdade te dá muita experiência de mundo e bagagem cultural que mudarão você, e essa mudança, inevitavelmente, refletirá em sua obra.

      Eu concordo com você, Felipe, que para ser escritor só é preciso escrever. Mas acho que há n formas de melhorar essa escrita, e fazer faculdade é uma delas. É mais fácil de você ter contato com obras grandiosas, descobrir o que torna uma obra boa ou ruim e colocar parte disso em seu trabalho. Não que seja impossível fazer isso por conta própria ou que essa seja a única forma de ser um bom escritor, pelo contrário. Mas ajuda muito. E acho que por isso seria muito válido uma graduação na rede pública em escrita criativa no Brasil. Talvez isso não tenha tanto campo de atuação agora, porque a gente vê que os autores nacionais tem que vender a alma pra conseguirem uma chance de serem publicados. Mas, num futuro não tão distante, onde o mercado literário nacional terá maiores dimensões (pelo menos tento acreditar nisso), um curso desse tipo será muito importante e, quem sabe, até necessário.

      Excluir
    3. O ponto é que a Igra me convenceu sobre a viabilidade de uma graduação voltada para a escrita. A questão é: Que diferença faria?

      Quer dizer, por que essa graduação seria importante, se hoje há cursos, livros e blogs voltados para isso? Por que o peso de uma graduação é maior do que o que a gente já tem, se qualquer um pode escrever?

      Excluir
    4. Essa é a pergunta muito boa, por sinal. Uma coisa que escuto muito na letras, muito embora eu não seja de inglês ou espanhol, é o porquê de estudantes optarem por se graduar em... inglês ou espanhol se hoje em dia existem cursos que te dão esse ensinamento. É algo a se pensar.

      A mesma coisa para atores. Por que alguém faria artes cênicas se os cursos de atuação promovem o mesmo (e às vezes até um melhor) resultado que a faculdade?

      O fato é que a graduação sempre será capaz de incentivar, ensinar e elevar o nível intelectual daquele indivíduo. Não só pelo fato de que ele terá um diploma, mas pelo fato de que faculdade é, enfim, uma especialização.

      Excluir
    5. Acho que essa de graduação pesar mais envolve também uma questão meio sociocultural. A faculdade sempre foi mais valorizada. Tem uma duração maior, mais professores, é mais difícil de entrar... parece algo mais "sério", mais formal. Principalmente para as pessoas que nunca tiveram contato com a faculdade e não sabem bem como funciona.

      Às vezes um curso de escrita criativa seria até melhor. As coisas poderiam ser mais dinâmicas, com mais prática e menos teoria, e ensinariam o mesmo ofício em menos tempo. Mas não veriam o aluno desse curso com o mesmo valor que aquele que se graduou em uma universidade. Assim como não veriam o aluno que estuda sozinho com livros e sites com os mesmos olhos para um que fez o tal curso. Talvez isso se aplique melhor a outras profissões do que para a escrita, que é algo mais livre, mas continua tendo toda a hierarquia e a questão de provar sua capacidade envolvidas.

      Na teoria, você pode aprender a fazer qualquer coisa por si próprio. Mas tentar se sustentar com isso sem um diploma... é complicado.

      Excluir
  5. Seguindo os comentários acima, de fato não há uma faculdade que ensinará a escrever. Oficinas de escrita criativa e afins pode ser uma espécie de pontapé, mas em relação a construir estilo próprio, livrar-se de fórmulas e desenvolver uma literatura, não há receita de bolo.

    Agora, das faculdades disponíveis, Letras pode realmente ser útil. Ajuda a construir uma bagagem literária, fomenta o seu consumo de escolas diferentes e, como é lendo e escrevendo que você pratica e melhora, metade do trabalho já vai sendo feito na faculdade.

    Para se sustentar, a carreira de escritor não basta - desde os tempos antigos no Brasil a literatura precisa de uma carreira que a suporte. Lendo orelhas de livros e biografias, é fácil perceber que a maioria deles é a) jornalista b) professor de Letras. Então você exerce uma profissão do dia a dia enquanto pratica a escrita, primeiro como hobby, segundo como algo que complementa na renda e te dá um certo status, depois que você for conhecido (e considerando que esteja em X círculos da literatura...). É complicado...

    O essencial, creio, é ter esta bagagem literária, tendo lido e vivido muita coisa; depois, uma capacidade de analisar estes recursos e saber desenvolvê-los para dar-lhes o seu toque. Aí a gente começa a praticar e a escrever até sair algo legível...

    ResponderExcluir
  6. Muito bom o texto. Na época do vestibular pensei em jornalismo, mas desisti porque realmente não queria ser jornalista. Acabei no direito, por motivos diversos, mas essa não deixa de ser uma carreira muito ligada à escrita. Citando as já invocadas orelhas de livros, MUITOS autores por aí são formados em direito. Ainda assim, como todas as outras citadas, não é o nosso foco, o que é uma pena. É apenas mais uma das faculdades que modifica bastante nossa visão do mundo.

    P.s. Não sabia da existência desse curso da PUC que você citou. Parece interessante.

    ResponderExcluir
  7. Fiz Artes Visuais, abriu minha mente, mas não tem perspectiva de emprego, então falhou como meu plano B. Artes Visuais é voltado ou para dar aulas em escolas ou para ser professor universitário enquanto produz algo e paga para mandar e trazer do museu. Para ganhar com a produção só sendo muito famoso como na literatura. Não é à toa que a maioria só tem fama depois que morre. O reconhecimento demora.

    Estava pensando em Letras para ter mais perspectivas já que não dá para viver de arte e o que gosto mesmo é escrever, mas agora fiquei na dúvida de novo.

    Acho que qualquer faculdade amadurece nosso pensamento,mas será que vale a pena uma segunda faculdade?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mariana, se o seu o objetivo em fazer uma segunda faculdade for aprimorar sua escrita, eu diria que não vale a pena. Um curso de escrita criativa seria mais útil.

      Se for para ter um emprego, você pode escolher qualquer graduação que goste. Eu não pensaria em unir faculdade com escrita de ficções (ou ganhar dinheiro com o prazer de escrever).

      Excluir
  8. Bom, eu sou escritor, mas ainda não ganho por isso (ainda). Acabei de começar o curso de Direito, por falta de opções. É um curso ótimo, mas não exatamente para o que eu quero. Então vou tentar ter paciência para depois que estiver estabilizado profissionalmente ir embora desse país e fazer um curso de Escrita Criativa.
    Por enquanto continuo escrevendo!

    ResponderExcluir
  9. Não sei o que fazer! me ajuda! Estava pensando muito em ser escritora e em fazer faculdade para me especializar na língua e aprender etc.. Mais depois que li isso no seu site fiquei totalmente confusa e perdida em relação ao que fazer e não sei nem por onde começar muito menos o que pensar... rsrs

    ResponderExcluir
  10. Quero ser escritor, mas investindo no mercado internacional. O curso de Letras - Tradução me daria base para isso?

    ResponderExcluir
  11. Nossa, adorei o seu texto. Eu sou formada em engenharia. Risos. Mas minha paixão é escrever, atualmente dou aulas porque a situação tá tensa, vida que segue.

    Mas venho procurando um curso especifico para me graduar como escritora e bem, não existe mesmo. Uma pena! :(

    ResponderExcluir
  12. olá.. gostei bastante do seu pensamento critico em relação a nossa arte de escrever que de certa forma deveria ser bem valorizada.. mas enfim, parabéns pelo blog!! vou deixar o link do meu blog aqui no comentário pra vc dar uma olhadinha e se gostar por favor deixe sua opinião lá nos comentários... obrigada e sucessos para vc !! https://letrasaoventosr.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  13. olá.. gostei bastante do seu pensamento critico em relação a nossa arte de escrever que de certa forma deveria ser bem valorizada.. mas enfim, parabéns pelo blog!! vou deixar o link do meu blog aqui no comentário pra vc dar uma olhadinha e se gostar por favor deixe sua opinião lá nos comentários... obrigada e sucessos para vc !! https://letrasaoventosr.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Posts Populares

INSTAGRAM


Instagram

FALE COM A GENTE!

Nome

E-mail *

Mensagem *