A Batalha do Apocalipse CCLivros

[Resenha] A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr

28.1.14Diego Matioli

Autor: Eduardo Spohr
Editora: Verus
- Comprar: SaraivaCulturaSubmarino
- No Skoob












Minicrítica - Resumo:

"Há muitos e muitos anos, tantos quanto o número de estrelas no céu, o paraíso celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o Dia do Juízo Final.

Mas eis que chegou o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas."
Spohr e a obra que o precede
Olá, pessoal. Essa é a minha primeira resenha aqui no Conversa. Como já comentei em outras oportunidades, pretendo dedicar minha atenção principalmente a literatura nacional, pois acredito que ela mereça ser mais valorizada. E nada melhor do que começar trazendo para vocês um dos patronos da fantasia brasileira contemporânea. Se você é ligado no assunto, provavelmente já ouviu o nome de Spohr por aí. O cara já é publicado até na Europa. Mas será que todo o furor ao redor do seu nome é justificado?

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A resposta breve é: sim. O livro supera todas as expectativas e vai além. De fato, embora eu normalmente não me impressione com citações de famosos em contra-capa de livro, tenho de dar o braço a torcer e admitir que a deste livro é apropriada. Nas palavras de José Louzeiro:

“Não há na literatura em língua portuguesa nada que se pareça com A Batalha do Apocalipse.”

É até difícil explicar sua história. Embora centrado em Ablon, um anjo renegado morador do Rio de Janeiro, que foi expulso do céu milênios atrás quando se rebelou contra os Arcanjos, que odeiam os humanos; e sua relação com a feiticeira Shamira através das eras, essa descrição não basta. O livro desconstrói toda a história da humanidade para nos preparar para o momento culminante do livro, o fim do mundo.

uma das capas estrangeiras
Se trata de uma obra independente, mas fica claro que uma de suas funções é a de introduzir a ambientação que Spohr construiu, e que utiliza em seus demais livros. O resultado é um trabalho denso. Conhecemos a situação sócio-politica do futuro alternativo que o livro descreve, em que o mundo está a beira da terceira guerra mundial; acompanhamos a releitura de vários elementos clássicos da mitologia cristã, como a criação do mundo, a serpente do paraíso, Adão, Noé, A terra de NOD, Enoque, Atlântida, a Torre de Babel, Jesus Cristo, além de, obviamente, o fim do mundo; entendemos como as diversas realidades e planos coexistem nesse universo, onde existem espíritos, fantasmas, anjos, demônios, deuses folclóricos e até fadas! Vemos em detalhes os poderes e domínios de algumas das castas celestiais e demoníacas ao conhecer personagens diversos que nos apresentam tudo isso.

É muita, muita informação.


Mas não tenha medo. O livro não soa didático ou impositivo em suas explicações. A maior parte é feita através de flashbacks históricos bastante interessantes e enriquecedores - inclusive devido ao conteúdo cultural incluso neles. A pesquisa para a escrita do livro deve ter sido vasta. A construção da história é primorosa e envolvente, te segurando no suspense página após pagina sem decepcionar nas conclusões. A narração intercala momentos de intriga, romance e ação, todos muito bem escritos e fluídos entre si. Apesar da temática angelical dar margem a personagens planos e estereotipados, não é o caso. Todos têm personalidades complexas que vão se revelando em camadas através da história.

Por se tratar do primeiro livro do autor - e por eu saber que ele acerta o passo nos próximos - não considero suas falhas graves, mas não vou dizer que elas não existem. O ritmo da história é estranho às vezes, como a divisão em três partes, a qual não consegui entender até agora. Em particular, há um capitulo anormalmente extenso em que a narrativa muda de terceira para primeira pessoa intencionalmente, que foi a única meta difícil de superar durante a leitura, já que ela leva a uma inevitável confusão inicial.
A edição especial do livro vem em capa durocom extras ilustrados

Além disso, tive a impressão de que em alguns momentos, os personagens chegavam a conclusões que dependiam de informações que já haviam sido citadas no livro, mas que eles não deveriam possuir. Não é algo recorrente, mas quando acontece, acaba me tirando da leitura.

No entanto, insisto em dizer: os méritos sublimam em muito esses detalhes. O livro vale a pena. É uma fantasia riquíssima, ambientada no Brasil e perfeita para quem gosta de um bom livro de aventura.

(4,5 de 5 conversinhas)


DANA SE INFILTRANDO *MÚSICA DE AGENTE ESPECIAL*


Eu só preciso comentar que eu só li esse livro inteiro tão rápido porque eu tava doente de cama e não conseguia fazer absolutamente mais nada, às vezes nem ler. Toda a história me conquistou, ainda mais a ótima ambientação no Brasil, e jamais esquecerei a Flor do Leste. <3 MAS o fator flashback me irritou demais. Era como se eu tivesse sempre começando o livro: aquela coisa parada, você entendendo o mundo, começa a gostar e... BOOM. Muda de tempo e aquilo fica para trás. Aí novamente a mesma coisa. Indico pra todo mundo que quer conhecer uma literatura BR de qualidade, mas está avisado. (:

E então? Vai tentar? Ouvi dizer que quem dá uma chance para a literatura nacional ganha um lugar no céu!

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2 comentários

  1. Olá, Diego.

    Muitíssimo obrigado pela resenha. Adorei a sua visão sobre o livro. Desejo vida longa ao blog e tudo de bom pra vcs e para a Dana :-)

    Um abraço forte,
    Eduardo

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    Respostas
    1. Eu é que agradeço a atenção, Spohr. Em nome de toda a equipe do ConversaCult gostaria de agradecer também os votos de confiança no blog. Esperamos que você continue a produzir livros sensacionais e a ser essa pessoa incrível que vêm abrindo portas no campo da literatura nacional!

      Atenciosamente,
      Diego Matioli

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