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[Resenha] O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks, de E. Lockhart

11.11.13Paulo V.

por Paulo V. Santana

- Livro: O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks
- Livro Único
- Autora: E. Lockhart
- Editora: Seguinte (selo jovem da Companhia das Letras)
- No skoob










Mini-crítica - Resumo: 

“O histórico infame de Frankie Landau-Banks” traz a história de uma menina que acaba de passar por um momento típico da adolescência – o de mudanças repentinas. Num dia você é uma coisa e, no outro, você percebe que mudou completamente. Agora que Frankie tem novas curvas e também um novo comportamento – mais ácido e indignado –, é difícil que ela aceite ser contrariada. Então, quando não pode entrar numa antiga sociedade secreta do colégio por ser uma menina, Frankie logo pensa em maneiras de revidar e provar que ela é capaz, sim, de fazer o que quer.

Em uma leitura que ultrapassa os limites descritos numa sinopse, temos uma longa análise de personagem. Frankie é uma pessoa excelente, mas não por ser boa ou má, e sim por ser realista. As contradições em sua personalidade e diversas outras características que são desdobradas e analisadas no plano de fundo que é a sua história são elementos que dão riqueza ao livro e que me fizeram gostar tanto dele. Recomendo a todos que buscam um livro Young Adult que fuja dos padrões e, aos interessados, em breve teremos promoção!

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa!


A capa brasileira é linda, mas essa é
a MELHOR capa de livro do Universo.
Não posso contar nos dedos de uma mão o número de vezes em que eu pensei sobre como as pessoas se tornam o que elas são – essa é uma dúvida constante. Em parte porque eu tenho muito interesse em saber como foi o processo de amadurecimento das pessoas ao meu redor, saber como aquela característica tão marcante foi parar ali, como ela construiu a própria personalidade e, além disso, pelo fato de eu tentar perceber isso em mim também. Olhando em retrospectiva, o Paulo de hoje, aos 16 anos, é completamente diferente do Paulo de um ano atrás. Ao longo de vários meses, as mais diversas coisas – boas e ruins – aconteceram comigo e foram me modificando nesse período. E essas mudanças continuam em curso. Eu tinha muita certeza sobre coisas que parecem muito questionáveis agora. 

Em “O histórico infame de Frankie Landau-Banks”, nós temos exatamente isso, uma personagem passando por mudanças. Frankie Landau-Banks é uma menina que agora tem 15 anos e está completamente diferente do era um ano antes. Se aos 14 anos Frankie era considerada a “princesinha” da família, gostava de ler, participava do Clube de Debates e era bem comum – meio que invisível, até – no tradicional colégio que estuda, agora ela tem um corpo cheio de curvas, uma língua afiada e ainda é namorada do cara mais popular do colégio.

Como dito anteriormente, numa posição completamente diferente da que estava antes, Frankie não gosta de ser contrariada. Por isso, quando é impedida de participar da Leal Ordem dos Bassês, uma antiga sociedade secreta do colégio, simplesmente por ser uma menina, não fica nem um pouco feliz e começa a bolar formas de mostrar que ela é, sim, capaz.

Eu conheci o livro por causa da Trash e da Dayse Dantas, ambas do Nem Um Pouco Épico, porque as duas viviam falando da E. Lockhart e desse livro especificamente. O fato de ele trazer ideias feministas me chamou muita atenção, já que eu gosto do tema e ele é difícil na literatura. Mesmo que algumas vezes até encontremos personagem femininas independentes, geralmente elas têm que ser forte, ter algo especial e que se destaque para serem assim – dois bons exemplos disso são Katniss de “Jogos Vorazes” e Hit-Girl de “Kick-Ass”. Elas são ótimas personagens, sim, mas só são consideradas boas porque são fora do “padrão”. Já Frankie é como qualquer outra adolescente e poderia ser considerada comum, só que ela não aceita “não” como resposta e quer sempre mostrar que pode fazer o que quiser. Ela não precisa ser realmente grandiosa para ter — ou tentar ter – a sua independência.

No fim, a questão do feminismo foi significativa, porém, para a minha surpresa, não foi o que mais me chamou a atenção. Os ideais de igualdade são apenas uma parte da personalidade da Frankie, e essa é uma parte boa dela. Mas aí vai uma coisa: as outras partes da personagem não são tão legais assim. Em vários momentos ela se mostra teimosa, esnobe, pretensiosa e contraditória. Pois é, posso estar soando meio controverso por achar a protagonista uma das melhores personagens que já li (e a construção dela é excelente), mas ao mesmo tempo assumo que ela é cheia de defeitos. Na verdade, isso tudo faz muito sentido. Frankie Landau-Banks é uma das personagens mais reais com que me deparei e, justamente por isso, ela não é perfeita.

Imagina receber inesperadamente uma carta com um selo desses? UAU.
*apaixonado pela ideia de sociedades secretas*

Já vi alguns comentários de algumas pessoa dizendo que não gostaram tanto do livro por conta das características da Frankie, e isso é compreensível – mas não exatamente aceitável. Acho que essa é uma atitude muito comum de leitores e espectadores de séries, filmes, etc.: a crença de que o personagem, caso esteja do lado dos bonzinhos, deve ser sempre ético, íntegro e quantos mais adjetivos positivos couberem aqui. Só que esse tipo de personagem costuma ser... Chato. Irreal. Sem graça. Acredito que você não conheça ninguém que possa definir somente como “bom” ou “mal”, certo? Pessoas têm muitos lados e características diferentes, e é difícil rotular alguém nesse sentido. O mesmo deveria valer para os personagens, porque é difícil construir um que seja realista se ele estiver dentro de um pote de “bonzinhos” ou “malvados”.

É evidente que a E. Lockhart, ao escrever “O histórico...”, não queria uma menina de 15 anos perfeita e supercorreta, e é por isso que ele é diferente e tão bom. O livro é, basicamente, um estudo sobre a personalidade da Frankie. Como ela mudou de um ano letivo para outro, o que ela foi se tornando, por que ela foi se transformando, etc. A protagonista pode não ser considerada um exemplo de comportamento a ser seguido, mas é um comportamento a ser analisado e discutido. Dizer que este é um livro feminista sobre sociedades secretas – como eu mesmo definia quando só conhecia a sinopse e até mesmo depois de finalizar a leitura, como forma de simplificação – é muito fraco, não é o suficiente. A história que eu apresentei há alguns parágrafos, efetivamente, é a sinopse do livro e, no entanto, ela não diz muita coisa sobre a experiência que é ler “Frankie”. Esse é apenas o contexto onde algo maior acontece, onde se tem uma análise de um comportamento. A questão da construção da personagem é notável e marcante.

No meio de vários livros Young Adult que, por mais que sejam bons, acabam caindo no mesmo estilo e nas mesmas questões, temos “O histórico infame de Frankie Landau-Banks” destoando e se destacando positivamente. Aos amantes da leitura jovem que desejam algo atípico: leiam Frankie. Aos apaixonados por histórias com internatos e sociedades secretas: leiam Frankie. Aos leitores que adoram analisar a personalidade e atitudes de personagens: leiam Frankie. Enfim, a todos que desejam ter um novo livro favorito: leiam Frankie!


Se você se interessou pela história, aguarde, pois em breve teremos promoção! 


Classificação: 
(5/5 conversinhas)


Esse livro foi um presente da editora Seguinte, selo jovem da Companhia das Letras. Muito obrigado! :)


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7 comentários

  1. Ótima resenha, já entrou para a meta de leitura de 2014 hehe

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  2. gente, esse livro parece ser tão legal!

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  3. Gabriele Nascimento1 de dezembro de 2013 18:46

    Eu adorei a resenha e com certeza o livro se tornou meu objeto de desejo kkk... Espero ganhar de natal

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  4. "Elas são ótimas personagens, sim, mas só são consideradas boas porque são fora do “padrão”. Já Frankie é como qualquer outra adolescente e poderia ser considerada comum, só que ela não aceita “não” como resposta e quer sempre mostrar que pode fazer o que quiser. Ela não precisa ser realmente grandiosa para ter — ou tentar ter – a sua independência."

    Ótima colocação! Resenha muito completa e praticamente um convite para ler o livro.

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  5. Vi esse livro nas Cortesias do Skoob e fiquei louca pra ler, agora com essa resenha fiquei ainda mais interessada. Amei a ideia de uma protagonista realista,que fuja daqueles esteriótipos de mocinho/vilão.

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