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[Resenha] Sete dias sem fim, por Jonathan Tropper

29.10.13Elilyan Andrade

por Elilyan Andrade

- Livro: Sete dias sem fim
- Autor: Jonathan Tropper
- Editora: Arqueiro
- Comprar: Saraiva, Cultura, Submarino
- No Skoob










Minicrítica ~ Resumo:
Imagine que em questões de dias sua vida dá um giro de 360º: Judd Foxman em pouco tempo descobriu que a esposa o traía com seu chefe, viu seu casamento ruir, perdeu o emprego e seu pai morreu. E para completar o último desejo de seu pai era que a família cumprisse o shivá (período de sete dias de luto contados a partir do dia do enterro para os parentes de primeiro grau). 

Com um começo tão azarado é impossível não se interessar por descobrir se Judd vai mudar sua sorte ao longo das 304 páginas do e-book (SIM, eu li em formato e-book, e o livro é tão bom, mas tão bom, que quero a versão impressa para ontem).

Quando li esse livro, assim como Judd, estava num processo de mudança de vida, só que diferentemente do protagonista a minha mudança foi uma opção. É a quase ausência de opções que torna a empatia pela estória de Judd tão grande. Com vários baques Judd tem que se virar com o que tem e encontrar um motivo para continuar em frente.

"Não há nada na vida, nada mesmo, que nos prepare para a experiência de ver nossa mulher trepando com outro homem. É um daqueles acontecimentos surreais que imaginamos em um ou outro momento, mas sem qualquer definição, como morrer ou ganhar na loteria.Quando se trata de como reagir, esse é um território desconhecido." - Página 21


Um baque que acerta em cheio em Judd é o fato de sua esposa o ter traído com o chefe. Esse fato tão comum é transformado em uma dramédia através da escrita de Tropper que conseguiu me fazer ficar triste, indignada e ao mesmo tempo rir do infortúnio do protagonista. Mas como desgraça pouca é bobagem o pai de Judd morre, e é com esse novo baque que meu coração ficou pequenininho e que muitas vezes me fez gargalhar.

"- Papai morreu. - diz Wendy sem a menor cerimônia, como se isso já tivesse acontecido antes, como se acontecesse todo dia. As vezes dá nos nervos esse jeito dela de nunca se abalar, mesmo diante da pior tragédia. - Faz duas horas.(...) - E a coisa só melhora - acrescenta Wendy.
- Melhora? Meu Deus, Wendy, você ouviu o que disse?

- Tudo bem, eu me expressei mal.

- Jura? 
- Ele pediu que cumpríssemos a shivá.
- Quem pediu?
- De quem estamos falando? Papai! Ele queria que a gente cumprisse a shivá.
- Papai morreu. (...)
- Exatamente. Pelo visto esta é a ocasião ideal para isso.
- Mas papai é ateu.
- Papai era ateu.
- Está me dizendo que ele aceitou Deus antes de morrer?
- Não, estou dizendo que ele morreu e que você deveria conjugar o verbo no tempo correto." 

- Páginas 5 e 6

É através do passar dos 7 dias de shivá que fui conquistada pela escrita de Tropper. De forma leve fui conquistada por uma família incomum e que parece ser completamente indiferente uns aos outros, mas isso até dar uma olhada mais de perto. É a relação familiar a chave motriz de Sete Dias Sem Fim. 

Nunca imaginei que um livro contemporâneo escrito e narrado por um homem poderia ser tão sensível e ao mesmo tempo tão agressivo. Tropper não alivia o linguajar ao tratar da raiva, dor, tristeza, alegria e surpresas que a vida podem trazer para qualquer um, utilizando sentenças diretas e em alguns trechos palavrões e palavras chulas. 

“Então me peguei pensando no pau de Wade Boulanger.

  Para ser mais específico, me perguntei: será que é maior que o meu? Mais grosso? Mais duro?

  Seria levemente encurvado, alcançando pontos dentro do corpo dela que o meu nunca atingira, pedacinhos de tecido macio até então intocados, levando-a a gritar daquele jeito? Será que Wade era mais habilidoso na cama? Teria estudado técnica tântrica? Sem dúvida já dormira com prostitutas e atrizes pornô suficientes para adquirir orientação prática. De onde eu estava, Wade definitivamente parecia saber o que fazia, mas, para ser justo, eu nunca me vira trepando.” - Página 21

Apesar de ser narrado em primeira pessoa Tropper consegue construir personagens fantásticos que se sobrepõem a visão de Judd. Os familiares, amigos, inimigos e amores são tão interessantes e complexos que muitas vezes me peguei falando “oi?” por atitudes inesperadas. Mesmo Jen e Wade que são dois sacanas me fizeram torcer por eles. Talvez esse seja o maior trunfo de Jonathan Tropper, a incrível capacidade de construir personagens cativantes.

Se você está pensando em ler algo leve, mas que ao mesmo tempo lhe faça refletir suas relações com a família, amigos e amores Sete Dias Sem Fim é o livro. 

(4,5/5 conversinhas)




Sobre a nota: Dou 4,5 porque o final vem de uma forma tão rápida e inesperada que fiquei com um certo sabor de melancolia na boca. :/ No resto é um livro tão incrível já estou lendo outro do mesmo autor (e amando muito).

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