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Alerta: Nós apertamos o gatilho, o que faremos com a bala?

21.6.13Dana Martins


Para começar a pensar: quantas placas com os mesmos dizeres acima você viu nos últimos dias? De onde você acha que vem a inspiração para repetir isso?

Se você reparar, tivemos uma série de posts aqui sobre as manifestações e demos uma pausa. Era hora de pensar. Agora, por favor, leia esse texto e compartilhe (o link, o texto, as palavras... como quiser, só façam os outros pensarem!). Chegamos a um momento sério que pode causar MUITO mais estragos na nossa vida e no nosso país do que antes. Nós não podemos abandonar o barco agora.

Bem, vamos lá. Você provavelmente percebeu a confusão nos últimos dias, de ninguém entender exatamente o que está acontecendo. Nem a gente, nem a mídia, nem o governo, nem a Fifa... as pessoas não estão conseguindo acompanhar. (se está na dúvida, olha as capas do jornal O Globo durante sete dias)

A verdade é que isso é uma grande confusão, porque é a primeira vez que acontece algo nessas proporções aqui no Brasil. Estamos falando de uma guerra de informação - aquela que dá gás para as pessoas continuarem ou pararem. Sua indignação inicial provavelmente foi por causa da violência da polícia, ou dos jornais não falarem disso ou com alguém que estava falando disso. Talvez nem tenha sido indignação, talvez você tenha conhecido pelo meme do vinagre. Tudo por causa de informação espalhada na internet.

O que ninguém se tocou até agora, é que a internet aqui no Brasil há muito tempo tem esse poder de mobilizar pessoas por alguma causa para ir às ruas. Se você tem dúvidas de que isso é uma revolta da internet, veja bem as pessoas: todas as classes, todas as idades, todas as crenças... a única coisa em comum é a internet.

Pode ter começado com o MPL, pode ter algum estrategista maluco por trás que decidiu colocar fogo na revolta... agora o tamanho? Isso é a internet. Todos nós. Todos nós apertamos juntos o gatilho para levar a informação adiante. E ela está indo.

Só que as pessoas não se deram conta de que somos nós. Nós: eu, você e qualquer pessoa que fale algo online. NÓS levamos a informação.

A Globo? Ela é tipo um espelho: rebate o que nós carregamos. O mesmo para a polícia, o governo e qualquer um que queira se aproveitar.

Só que quando a Globo, a polícia e o governo entraram no meio, elas legitimaram e amplificaram o que nós criamos. Quando a nossa bala bateu neles, ela avançou com mais força.

E agora a nossa bala está em um pinball violento rebatendo pra lá e pra cá sem ninguém conseguir controlar sozinho. O pior de tudo, a única coisa certa: ela vai acertar em alguém. Em algum lugar.

Adivinha só quem é a maioria com mais chances de levar uma porrada. Nós. Ou o povo.

Nós fazemos parte do povo, mas mesmo que estejamos representando o povo nós não somos TODO o povo. Se o povo fosse mesmo para a rua, era o apocalipse de vez. O número de pessoas nas ruas que eles divulgam ("pelo menos um milhão de pessoas em 80 cidades") pode não ser o número todo, mas até o Carnaval realmente movimenta mais pessoas. O problema que já é um número assustador e com possibilidade de destruição enorme.

A questão de não ter líder... bem, me diga quem é o líder do twitter. E o que é o twitter ou [insira qualquer rede social aqui]? É um monte de gente reunida dando opinião sobre tudo. A diferença é que por uma séries de motivos, em vez de ficar em casa foram todos para a rua fazer isso. É a mesma coisa, só que nas ruas.

É tipo tentar colocar algo nos trending topics: uma mobilização para todo mundo chamar atenção. Só que não dão atenção na internet, então foram para as ruas.

Tudo bem, não é tão simples assim, levaria um bom tempo para analisar e juntar tudo e, infelizmente, um texto para pessoas que "querem mudar o país" não pode ser muito grande.

O que as pessoas querem? Atenção. Querem deixar de ser tratadas como idiotas (e continuam fazendo isso mesmo agora!). Querem acabar com essa estrutura congelada no nosso país que nós não temos voz.

É exatamente isso: nós queremos ter voz. Não importa para que, seja para reclamar do pastel da esquina, nós queremos ter uma voz ativa. E esse é um sentimento TÃO grande entre as pessoas, que todo mundo está se juntando. Não é só contra o governo, é contra a mídia, é contra as empresas, é contra o vizinho... é contra qualquer um e qualquer coisa que esteja limitando essa voz.

E ter voz não é só falar, é também ser ouvido.

O problema disso é que todo mundo está falando ao mesmo tempo, ninguém entende o motivo e está surgindo mil confusões no meio disso. "Eu quero falar, mas não concordo com o que ele fala" / "Por ele ser da esquerda, não é legítimo" / "Por ele ser da direita, é ele quem tá mentindo" / "Por ser de partido tal, não pode estar lutando por direitos"

Ultimamente, até para falar você sente a necessidade de "eu sou de partido X", "minha visão é Y", porque se não vai ter gente que vai te classificar como inimigo. A única coisa que eu realmente quero é um país melhor, um país onde o povo não seja tratado como ignorante, um país onde esse bando de sujeira não seja impune.

Nós temos uma força enorme nas mãos - o povo nas ruas. Agora muito maior do que só pessoas da internet. Ela cresceu e cresceu demais. Continua crescendo e pode ir muito mais longe. O nosso objetivo agora é não deixar se aproveitarem disso.

O que podemos fazer?

O que nós sempre fizemos: espalhar informação online. Mas espalhar de forma consciente e pensando nas consequências.

Espalhar sobre o risco de golpe. Seja da direita ou da esquerda ou da puta que pariu. As pessoas precisam saber para onde isso está indo.

Precisamos falar que não queremos tirar a Dilma do poder (quem melhor vai substituir? pensem).

Nós queremos a Copa aqui, sim, porque independente do que for já foi investido MUITO nisso. Ou vai dizer que agora o objetivo é queimar dinheiro?

Nós queremos que os jornais parem de contar um lado só da história. O próprio mal uso desse poder de influência está causando tudo isso. [Agora fica a dúvida: mau uso ou uso intencional?]

O mais importante de tudo, é dar um choque de realidade nesses políticos. Porque não é tirando todo mundo que a gente vai resolver, é mostrando que se eles não cumprirem seus deveres - seja quem estiver lá - é que vão se ferrar.

Vamos parar e pensar em como vamos levar a informação certa para gerar a ação certa. Eu tenho minhas próprias ideias, mas meu objetivo aqui não é obrigar ninguém a pensar do meu jeito, é alertar para o perigo que estamos correndo se não nos unirmos.

As coisas estão estranhas agora, estão estranhas desde segunda e estão estranhas desde o começo. Não deixe o medo do que vai acontecer, como sempre, te fazer ficar em silêncio. Abra a boca e continue alertando as pessoas, ajudando a pensar. Nós também somos a mídia.

Você acha que essa briga tremenda entre manifestantes e partidos saiu de onde? De tanto a gente difundir que essa porra é apartidária, então o jornal para nos agradar (depois da revolta que nós causamos) repete isso e todo mundo aceita isso em proporções maiores, levando ao pé da letra.


Não se esconda e deixe os jornais falarem, porque eles também não sabem o que está acontecendo. Nós puxamos o gatilho, agora é hora da gente guiar a bala. Nós não estamos sem líder, todos nós somos os líderes.

"Sei lá, meus conceitos são ''errados'' mas é eles o que eu sigo, o que der pra fazer eu vou, deixa essa parte pros cabeça do brasil" - comentário de jovem "revolucionário" que é o meu irmão.

Quantas pessoas mais estão por aí só usando a energia para confirmar seja lá qual informação aparecer no meio dos feeds?

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