ash brooklyn burning

Três livros sobre... protagonistas independente da sexualidade

5.5.13Conversa Cult



No twitter do @ConversaCult colocamos como imagem o icon da campanha a favor da legalização do casamento gay (em caso você tenha se perguntado o que é aquela imagem). Isso me levou a pensar: pregamos a igualdade no mundo, mas existe essa igualdade na literatura? Não. A verdade não poderia estar mais longe disso. Até o mundo das história em quadrinho, estereotipado masculino, tem mais protagonistas gays relevantes. Então tivemos a ideia: que tal um Três livros sobre mostrando que você não precisa ser gay para ler livros com personagens gays e que uma boa história independe da sexualidade do personagem?
*Essa é uma coluna da Iris Figueiredo no Literalmente Falando, chamada 'Três livros sobre...', que nós estamos usando aqui no blog. O primeiro foi Três livros sobre... amor, feito por todos da equipe do blog.

Antes da gente começar, faça um teste: Cite 10 protagonistas heterossexuais de livros que você leu. Cite 10 protagonistas homossexuais de livros que você leu. Aliás, você pode ir mais longe: Cite 10 protagonistas negros. Cite 10 protagonistas acima do peso. Cite 10 protagonistas homessexuais, negros e acima do peso. Aliás, tem até um infográfico legal sobre isso na literatura brasileira.

Bem, hoje não é o dia de discutir isso, hoje vou falar de três opções legais para quem quer descobrir como o mundo gay é. Vou dar um spoiler: é igual.


O primeiro é um dos meus livros preferidos: "Ash." Esse livro é uma versão em romance do conto da Cinderela um pouco mais realista sem deixar para trás a magia. Foi o primeiro livro que eu li que o protagonista tem um caso homossexual, totalmente desavisada (ouvi falar que era versão de Cinderela e saí comprando). E sabe como foi o meu susto? Não aconteceu. A história não é sobre Ash - a Cinderela - ser gay e as coisas acontecem de uma maneira tão simples que não faz diferença.

A história poderia ser passar no mundo de Guerra dos Tronos, aquela fantasia medieval realista, e foca na personagem Ash: uma garota que perde tudo e acaba vivendo como empregada na casa da madrasta, até que começa reaprender a viver. É uma história simples e delicada, Malinda Lo usa seu dom mágico de descrição para construir uma personagem frágil e real, castigada pelos traumas da vida, e ainda usou a mitologia feérica e recuperou festivais da época de uma maneira viva. Os outros dois personagens são o "fada", que tem uma obsessão estranha por ela, e a caçadora do rei.

Só pela narrativa da Malinda Lo eu indico todas os livros dela (que eu li, apesar de serem só três até agora), ela consegue criar uns mundos e personagens tão reais, só lendo para entender. O outro é "Huntress", que se passa no mesmo mundo e é o no passado, conta como surgiu a tradição do rei ter uma caçadora e foca mais na aventura. Às vezes me lembrava a Dragon Age. Já o último é "Adaptation", um sci-fi com cara de Arquivo X que acontece num futuro muito próximo. Estou citando porque nesses as personagens também são gays (quer dizer, não exatamente, só lendo para entender).


Sobre o segundo o Paulo é quem fala:

“Boy Meets Boy” foi o primeiro livro do David Levithan e ele já começou inovando, ainda mais para a época em que foi publicado, em 2003, quando discussões sobre homossexualidade não eram levantadas com tanta força como hoje. Pela sinopse, podemos perceber que a história segue o mesmo padrão de todos aqueles “Garoto encontra garota”/“O garoto da porta ao lado”/etc., mas tem uma diferença: a sexualidade do casal de protagonistas. O interessante do livro é que ele não levanta explicitamente uma bandeira em favor da causa gay, isso vem num subtexto com o ambiente do livro. A história é sobre Paul, um adolescente que se apaixona por outro menino, o Noah, e vive em uma cidade onde as diferentes sexualidades são respeitadas – e, se formos parar para observar o mundo que vivemos hoje, essa cidade é praticamente uma utopia.

E em agosto desse ano lança outro livro do autor com um casal gay como protagonista, “Two Boys Kissing”. Enquanto há dez anos o David Levithan inovou com a temática do livro, dessa vez ele vai além e traz uma foto do casal se beijando na capa!* Esse novo livro é sobre dois namorados que querem quebrar o recorde de beijo mais longo do mundo. Mesmo nunca tendo lido nada que ele escreveu, já sou fã só por conta dos livros, que sempre tocam em questões de sexualidade ou coisas adolescentes num geral.
*E a foto foi tirada por um fã do autor! Isso é lindo demais!


David Levithan, que talvez você conheça de "Nick e Norah: Uma Noite de Amor e Musica" (já até virou filme!) e "Will & Will - Um nome, um destino" (Will Grayson, Will Grayson) - esse ele escreveu com o John Green (onde o seu Will Grayson também é gay). Aliás, a Galera Record vai lançar esse sítulo em março e você ainda vai ver a gente falar por aqui!

O terceiro livro é genial ("Brooklyn, Burning"). Genial porque o autor decidiu escrever a história inteira sem dizer o gênero do protagonista. Você simplesmente não sabe se Kid é homem ou mulher. E, novamente, isso não importa na história. Kid tem momentos com garotas e garotos, é daquelas pessoas que você olha e não sabe dizer o que é. Eu li às vezes imaginando mulher, às vezes imaginando homem e às vezes sei lá. E, novamente, o livro não é exatamente sobre Kid não ser mulher nem homem. É sobre acabar tendo que morar na rua e ir de mal a pior, mostrando um pouco como jovens acabam virando "crianças de rua."


"Brooklyn, Burning" é um livro simples e pequeno, mas que só pela experimentação já vale a pena. Kid também tem uma ligação com música, o que dá um elemento atrativo a mais para quem gosta de "personagens de banda."

Tirei uma foto da minha edição de Brooklyn, Burning sem a capa, só porque fiquei com pena dele ficar sem 2 fotos.  Caso alguém se interesse, aquele ali do lado é The Games (e não, não tem nada de personagens gays, mas a "mocinha" é brasileira!). Clique aqui para ler a resenha. 

Mas só tem livro em inglês?

E é aí, meus amigos, que vemos as limitações. Muita gente ainda tem preconceito, o que dificulta na fama crescer ao mesmo tempo que é mais difícil ainda uma editora daqui aceitar um título desse. Mas se você não puder ler em inglês, temos indicações de títulos em português. 

  • "Will & Will - Um nome, um destino" - o do John Green/David Levithan que foi citado ali. 
  • Pretty Little Liars - ou vocês não lembram da Emily? Não tive paciência pra continuar acompanhando a série, mas li loucamente todos os livros. 
  • "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" - Não poderia deixar de fora a Lisbeth. Aliás, os livros de Millennium trabalham a questão da sexualidade de vários modos. 
  • Confissões de uma Banda - e essa sou desenterrando títulos, porque eu lembrei que uma personagem ali descobre que gosta de outras garotas, mas só no 2.  
  • E a editora Draco está reunindo contos para o "Boys Love - histórias de mor sem preconceitos"

E essa é a enorme quantidade de títulos com protagonistas não-heterossexuais que eu consegui lembrar. No entanto, o número de coadjuvantes homossexuais tem crescido bastante. Alguns outros títulos: "As Vantagens de Ser Invisível", "Cidade dos Ossos" (todos os livros da Cassandra Clare, na verdade), "Sob a Luz da Lua", "Divergente"...

É impressão minha ou é mesmo mais comum protagonistas homossexuais mulheres enquanto quando o homossexual é coadjuvante é mais comum ser homem? Na verdade, enquanto consigo lembrar de uma boa lista de personagens secundários homens/homossexuais, só consigo lembrar de um casal de mulheres. Interessante...

-dana martins e paulo v. santana

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7 comentários

  1. Sou totalmente a favor da união homossexual e, pessoalmente, fico tão feliz quando encontro personagens e/ou casais de homossexuais na literatura. A mesma coisa com filmes, aliás um dos meus filmes do coração tem um casal gay superfofo que, na verdade, nos mostra o que é apaixonar-se por uma "pessoa", em vez de simplesmente se apaixonar por um sexo ou gênero.

    Bjs
    Livro Lab

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  2. Eu não tenho problema em ler livros com casais gays. Só que realmente não conheço muitos. Fiquei bem interessada em ler o da cinderela e do John Green.

    Bjs,
    Carissa Vieira

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  3. Uma vez eu li um conto, em portugues mesmo, em que era impossível saber o gênero do protagonista. Convenhamos, em pt é mt mais dificil fazer isso do que em ingles hahah Esqueci o nome, infelizmente.

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  4. Ahh, eu tenho mais um pra lista!

    Between You & Me da Marisa Calin ♥

    É a minha leitura atual, e devo dizer que estou amando. É tipo Brooklyn, Burning, só que a protagonista é uma menina que se apaixona pela professora de teatro dela e, ao mesmo tempo, tem o melhor amigo(a) dela - que não dá pra saber se é um garoto ou uma garota também, porque o livro inteiro ela se dirige à pessoa como "you".

    Muuuito bacana a lista de vocês, adoro esses livros que conseguem inovar desse jeito. Tipo, se na história não faz diferença o gênero e a orientação sexual do personagem, porque na vida real faz?

    Beijitos

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  5. O que acho interessante é que encontrar protagonistas homossexuais é bem mais fácil em culturas fechadas, hahaha. O Brasil, como um país onde é pregado a "diversidade", é super incomum... Na internet você dá para achar até mesmo romances de banca homossexuais, e nao é nem um pouco dificil encontrar mangás (centenas deles) sobre romances entre pessoas do mesmo sexo (o chamado Yaoi e Yuri). Eu mesma sou fã de Yaoi xD É muito fofo! hahaha'

    Gostei do post! Realmente, é muito dificil encontrar protagonistas que fujam do "padrão perfeito" imposto à nós. Porém, acho importante ressaltar que isso não acontece pela inexistência das obras ou escritores dispostos a escrever sobre... esses livros/HQ/Mangá/anime existem SIM, só basta a pessoa procurar, porque geralmente não fazem sucesso.


    Beijos!

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  6. Post excelente. Eu, que tô estreando como autor, venho dizendo que não escrevo romance gay para gays, escrevo pra quem curte literatura. Enfim... Parabéns e excelentes indicações.

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